Agricultura e preservação ambiental podem andar juntas, diz estudo

Pesquisadores da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos e do Instituto Internacional para Sustentabilidade divulgaram hoje, no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um resumo do relatório Restauração de Paisagens e Ecossistemas que poderá ajudar nas decisões políticas sobre recuperação e uso sustentável de solos degradados no país.

O estudo mostra que é possível recuperar 12 milhões de hectares de terras, ter desmatamento ilegal zero e ainda liberar mais de 30 milhões de hectares para o aumento da produção agrícola.

“Não é por falar em restauração que vamos perder a área produtiva. São áreas sinergéticas. Plantios próximos de florestas vão trazer mais polinizadores e maior ganho econômico. O relatório mostra que a recuperação do solo degradado é viável”, disse o  coordenador do projeto, Renato Crouzeilles, professor do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo Crouzeilles, tanto o relatório como o sumário apontam caminhos que mostram que “isso é realizável e não apenas um desejo”.

O  estudo foi feito por 45 pesquisadores de 25 instituições públicas e privadas e teve como base artigos científicos, relatórios técnicos e casos de sucesso comprovado. Daqui a um mês, será entregue a representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). O resumo, no entanto, já está disponível online.

Solo

O Brasil tem atualmente pastagens totalmente improdutivas, com menos de uma cabeça de gado em área de extensão equivalente a um estádio do Maracanã, informou o pesquisador. “Se fizermos uma intensificação da pecuária, vamos conseguir recuperar a produção nos próximos anos”, disse.

“O que a gente quer é uma paisagem diversificada. Ter agricultura, pecuária, mas também floresta em pé, restauração acontecendo. Há empregos a serem gerados, benefícios sociais, econômicos e ambientais.”

A estimativa é que essa sinergia entre meio ambiente e agricultura, com base na restauração de solos degradados, incremente a produtividade agrícola nacional em até 90%. “A projeção é extremamente positiva, uma vez que o Brasil perdeu 70 milhões de hectares de vegetação nativa nos últimos 30 anos.”

Na avaliação de Crouzeilles, é fundamental que haja a conscientização do governo sobre a sinergia entre meio ambiente e agricultura, o que pode elevar a qualidade ambiental, econômica e social do país, vitais para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Vegetação

O estudo apresenta oito pilares considerados necessários para viabilizar a recuperação da vegetação nativa em larga escala no Brasil, identificados durante o processo de elaboração do Planaveg.

Entre eles, a sensibilização dos proprietários de terras para que a restauração ocorra, porque é preciso ter um mercado de mudas e sementes que funcione; recursos financeiros para viabilizar a restauração dos solos degradados; e governança institucional que defina qual é o papel de cada instituição no desenvolvimento da atividade.

Também deve ser feito um planejamento espacial, monitoramento da restauração, entre outras condições.  “Esses pilares são as condições necessárias para que a restauração possa acontecer”, apontou Crouzeilles.

Benefícios

De todo o conjunto de benefícios que a restauração de solos pode trazer, entre os quais emprego e renda, o professor chamou a atenção dos benefícios para as espécies e serviços ecossistêmicos trazidos pelos movimentos de restauração.

“Hoje, a gente sabe como colocar a restauração no espaço, reduzindo custos; como engajar pessoas e alavancar essa restauração de forma que ela seja economicamente viável. Queremos demonstrar que a restauração é uma atividade produtiva, economicamente viável, que pode render até mais que outras atividades produtivas.”

O relatório aponta ainda que a restauração pode contribuir para que sejam atingidos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU associados à segurança alimentar, hídrica e energética; à redução da pobreza; geração de empregos; e produção e consumo sustentáveis.

Fonte: Agência Brasil

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