Leigos numa Igreja em saída

A Igreja no Brasil vive atualmente o Ano dos Leigos. Quem são eles? São todos os que professam a fé em Jesus Cristo, no âmbito da Comunidade Católica, tendo recebido o batismo, mas não pertencentes ao grupo dos ministros que receberam o Sacramento da Ordem. O Ano dos Leigos pretende valorizar a vocação de todos na Igreja, evitando qualquer distinção de classe entre clérigos e não clérigos, pois ela não é formada por classes, mas constitui-se numa grande comunidade de irmãos, que têm funções diferentes, exercendo a autoridade hierárquica como um serviço à comunidade inteira. Bom exemplo a respeito, encontra-se na Carta ao Efésios que diz: “Há um só corpo e um só espirito…, no entanto, a cada um de nós foi dada a Graça conforme a medida do dom de Cristo…a alguns ele concedeu serem apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas; a outros pastores e mestres. ” (cfEf 4, 4 -12).

Para animar a mística do Ano do Laicato, foi escolhido um tema nos seguintes termos: “Leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino”. Como palavra-força, ou seja, como lema, selecionou-se a expressão de Cristo sobre seus discípulos: “Vós sois o Sal da terra e luz do mundo. ” (Mt 5, 13-14)

Como objetivo geral, propõe: “Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização de cristãos leigos e leigas no Brasil, aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar a missão Jesus Cristo e seu Reino na sociedade.”

Trata-se de um projeto muito interessante que visa, dialogar com as fiéis cristãos, no sentido de que eles mesmos descubram sua atuação no meio social, a partir de sua fé em Jesus Cristo. O projeto se fundamenta em reflexões variadas que vêm emergindo na Igreja, sobretudo nos últimos tempos, sejam a partir dos sucessores de Pedro, no centro universal da Igreja, de onde promana a garantia de nossa unidade comunitária, sejam da CNBB e tantas outras fontes eclesiais.

Inclui-se no tema do Ano Laical, a expressão ‘Igreja em saída’ que constitui um feliz neologismo do Papa Francisco. A missão da Igreja lança olhos para fora de seus limites geográficos e humanos. Levar a boa-nova a todas as pessoas e a todas as regiões. Paulo VI (1963-1978) deu grande impulso à ação missionária da Igreja, sobretudo em sua Exortação Apostólica EvangeliiNuntiandi (08. 12. 1975), onde diz explicitamente que “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar. ”

Os termos ‘evangelização’ e ‘missão’ se mesclam, pois ambos podem se traduzir em levar Cristo aos outros e trazer os outros para Cristo.

Cristo, ao escolher seus discípulos, os formou, os capacitou e os enviou ao mundo. A cada um corresponde uma história vocacional, o que demonstra que os chamados de Cristo são individuais, pessoais. Interessante é o chamado de Natanael, a quem Jesus passou a chamar de Bartolomeu. Levado a Cristo por Filipe, a princípio crítico e preconceituoso contra a origem nazarena de Cristo, passa a aderi-lo com determinação e destemor. Segundo tradição, após a ascensão de Cristo e a recepção do Espírito Santo em Pentecostes, evangelizou a Índia e a Armênia, sendo martirizado com requintes de crueldade, sendo sua pele retirada com lâminas, numa região próxima ao atual território da Rússia. Contudo, foi fiel até o fim, vivenciando sua profissão de fé pronunciada no dia do seu encontro pessoal com Cristo: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel” (Jo 1, 49).

A missão da Igreja em saída indica que, sobretudo os leigos devem comtemplar as periferias, sejam geográficas, sóciais, morais ou quaisquer outras onde Cristo deva ser anunciado e amado.

Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

 

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