PC conclui inquérito de caso do homem que teria induzido o enteado ao suicídio e estuprado a enteada

A delegada Ione Barbosa, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), concluiu o inquérito do caso do homem de 46 anos acusado de induzir o suicídio do enteado de 17 anos, estuprar a enteada de 12 anos e os manter, acompanhado da companheira e mãe dos adolescentes, em cárcere privado.

“Nós fomos informados do caso devido a uma denúncia anônima, que também nos contou que o filho mais velho, de 18 anos, da mulher estaria desaparecido. Porém, ao longo da investigação, o cárcere não foi comprovado e o investigado vai responder pelos demais crimes”, disse a delegada. Conforme Ione, pelo crime de induzimento ao suicídio o suspeito pode receber a pena de até 12 anos, que foi agravada devido à vítima ser um menor de idade. Pelo estupro de vulnerável a pena é de até 15 anos. Além disso, com fim do inquérito de cerca de 800 páginas, a delegada também indiciou a mãe da adolescente por estupro de vulnerável devido à omissão.

“Eu entendo que ela era a garantidora dessa menina. Ela estava em casa e deveria ter tomado cuidado. Como em uma casa tem droga, uma menina é estuprada e ela não vê?”, indagou Ione. No dia em que os investigadores cumpriram o mandado de busca na residência, foram encontrados 77 garrafões de vinho, diversas garrafas de uísque, velas coloridas e remédios tarja preta. “Em um dos depoimentos da menina, eu perguntei: ‘Sua mãe não via?’ e ela me respondeu que a mãe ficava lavando roupa. Em seguida, questionei: ‘Mas ela lavava roupa o tempo todo?’ e a menina disse que sim”, acrescentou.

Conforme a delegada, o adolescente de 17 anos se suicidou no dia 2 de junho do ano passado. A denúncia foi feita quatro dias depois e, no dia 7 de junho, os investigadores foram até a residência da família. Já o irmão de 18 anos foi encontrado pela equipe no início da investigação.

O investigado mostrou à delegada um vídeo do adolescente, no qual ele afirma ser homossexual e que gosta de sexo e drogas. A titular da DEAM suspeitou das imagens, solicitou o celular, que foi submetido a perícia, e outros vídeos foram encontrados.

Ione relatou que nas filmagens o adolescente aparentava estar dopado ou drogado e que, além de falar promiscuidades, fazia elogios ao investigado. Inclusive, o jovem foi internado no Hospital Ana Nery para tratar o vício em entorpecente, mas segundo a declaração de um médico da unidade, a família o tirou do local antes do fim do tratamento.

 

OUTROS DEPOIMENTOS

A delegada também ouviu colegas de classe dos filhos, parentes e vizinhos da família. “Para os vizinhos, eles [a mãe e o investigado] mantinham uma aparência de amizade e irmandade, mas o que ficou caracterizado realmente que era muito mais que isso. Inclusive, uma vez ela afirmou a uma moça que era namorada dele”, disse Ione. No início das investigações, a mulher dizia que tinha uma relação com o suspeito, porém, atualmente, ela nega o fato. A delega refuta essa hipótese, pois em um dos celulares do investigado havia fotos das mulher com peças íntimas.

“Um dos vizinhos também relatou que era comum, em um determinado momento do dia, a televisão ficar muito alta a ponto de você não conseguir ouvir. Isso ocorria principalmente à noite”, disse.

Os filhos mais velhos eram estudantes do Colégio Militar. Em oitiva, a mãe afirmou que o primogênito tinha inveja do outro, pois tirava notas melhores que ele e ela também falou que o mais velho abusava do outro filho. “Os alunos do colégio estiveram na delegacia e falaram que eles eram tranquilos, que não tinham envolvimento com drogas e que eles eram muito amigos um do outro”, relatou a delegada. A irmã dos jovens, após ser submetida ao exame de corpo de delito e ser constatado que o hímen já tinha sido rompido, contou à polícia que ingeria drogas dadas por eles e que foi estuprada pelos irmãos e um tio.

Um dos fatores que fizeram o filho mais velho sair de casa, segundo Ione, foi o desaparecimento do dinheiro deixado pelo pai. “Quando o marido faleceu, a família recebeu uma quantia do Exército. Ele doou a parte dele para que a mãe construísse uma casa em um terreno que eles tem. Ela não fez isso e ele ficou revoltado e saiu de casa. Eu a perguntei sobre o dinheiro e a mulher não soube me dizer onde ele estava”, falou.

Os familiares relataram à delegada que não foram comunicados sobre o suicídio do adolescente. “A mulher fazia questão de não dar notícia e, inclusive, ela não informou os familiares sobre a morte do adolescente. Eles tomaram conhecimento de outra maneira e quando vieram saber o que estava ocorrendo, ela os atendeu em casa com muito custo. A madrinha dele veio à cidade, a mãe estava em casa e não a atendeu”.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência do suicídio também prestaram depoimento. “Todos relataram a frieza que o investigado tratava a situação. Além disso, eles não conseguiram falar com a mãe, pois ela pedia que eles falassem com o suspeito”, afirmou a delegada. Segundo Ione, nos autos também há menção a uma primeira tentativa de suicídio do adolescente enquanto estava com o investigado.

A delegada também ouviu a ex-esposa do suspeito. “Ela relatou que uma vez ela estava doente, de cama, e ele aproveitou que ela estava dormindo e transou com ela”, falou.

 

O INVESTIGADO

A delegada relatou que no inquérito também há duas cartas, escritas pela mãe e pela filha, onde elas elogiam o suspeito. “Ele tinha um poder muito grande sobre elas, um domínio total da família. Tanto que nos vídeos do adolescente que faleceu, ele fala muito bem do investigado, a mãe diz o tempo todo que ele a ajuda e é a razão da vida dela. A menina também tem uma obsessão por ele”, ressaltou Ione.

O suspeito está detido no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) em Juiz de Fora desde a prorrogação do pedido da prisão temporária no final de janeiro. “Conseguimos converter em prisão preventiva, que tem o prazo indeterminado. Após a entrega do inquérito no fórum, possivelmente, o Ministério Público deve denunciá-los [o investigado e a mãe]”, finalizou.




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