A milagrosa inflação cósmica

A inflação cósmica foi introduzida para salvar o modelo do Big Bang de problemas que ele próprio não conseguia resolver, como a uniformidade extrema da radiação cósmica de fundo e a impressionante planura geométrica do universo. Observações conduzidas por agências como a NASA e a ESA mostraram que regiões extremamente distantes do cosmos possuem praticamente a mesma temperatura, apesar de, segundo o cenário original, nunca terem estado em contato causal. A solução proposta foi postular uma fase de expansão exponencial ultrarrápida nos primeiros instantes da existência cósmica.

O problema é que essa “solução” depende de um campo hipotético (o inflaton) cuja natureza permanece desconhecida e não há qualquer evidência fática quanto a sua existência. Para que a inflação funcione, o potencial desse campo precisa ser ajustado com precisão extraordinária. Ou seja, para explicar o ajuste fino inicial do universo, a teoria introduz um mecanismo que também exige ajuste fino. O enigma não desaparece; apenas muda de lugar.

Além disso, a multiplicação de versões da inflação, algumas inclusive fabulando sobre a hipótese de multiverso, sugere um modelo flexível demais, capaz de acomodar praticamente qualquer dado observacional. Quando uma teoria se adapta a todos os resultados possíveis, seu poder explicativo se anula.

Na verdade, o universo apresenta sinais de ordem inicial extremamente precisa, e as tentativas de explicá-la por processos puramente impessoais recorrem a entidades hipotéticas e cenários cada vez mais especulativos. A inflação não elimina o mistério do ajuste cósmico; ela o pressupõe em nível ainda mais delicado. Se a explicação natural exige camadas sucessivas de hipóteses invisíveis para sustentar-se, torna-se legítimo questionar se o problema não está no próprio paradigma materialista que se recusa, por princípio, a considerar a possibilidade de propósito na origem do cosmos.

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