Projeto do Museu apresenta objeto utilizado por religião de matriz africana

Dentre os mais de 53 mil itens do seu acervo, o Museu “Mariano Procópio” guarda coleções diversas. Em sua reserva técnica estão, por exemplo, objetos relacionados à cultura, história e representação dos negros, como fotografias, quadros e adereços utilizados por religiões de matriz africana. Em destaque, nesta edição do projeto “A Peça da Semana”, o “Xaxará”, objeto confeccionado com feixe de palhas, cercado de búzios e miçangas, utilizado no ato durante o Xirê (rito cerimonial), pelo orixá Omòlu – Obaluae, o Deus relacionado à cura de todas as doenças. Faz parte do “Panteão dos Orixás do Candomblé”.

O culto aos orixás veio com os negros de diversas regiões do continente africano, trazidos ao Brasil por meio do tráfico, para o trabalho forçado nas lavouras, como escravos. Ao longo do tempo, o candomblé passou por modificações e adaptações, sendo a religião reconhecida como uma das formas de resistência dos negros na preservação de suas identidades, como pessoas que cultuam a ancestralidade.

Na biblioteca do Museu estão informações referentes à religião e a referência ao objeto. O livro “Candomblés da Bahia”, de 1948, de Edison Carneiro, é publicação do Museu do Estado da Bahia, volume 8. As fotos do livro e do Xaxará serão publicadas nas redes sociais do Museu (facebook e instagram, @museumarianoprocopio). O texto desta edição do projeto foi elaborado pelo supervisor de Museologia, Eduardo de Paula Machado e pela assessoria de comunicação da instituição.

Orixá Omòlu

Segundo a mitologia Iorubá, Omolu é filho de Nanã e Oxalá, tendo nascido cheio de feridas e marcas pelo corpo, como sinal do erro cometido por ambos, já que Nanã seduzira Oxalá, mesmo sabendo que ele era interditado, por ser o marido de Iemanjá.

Ao ver o filho feio e mal-formado, coberto de varíola, Nanã o abandonou à beira do mar, para que a maré-cheia o levasse. Iemanjá o encontrou quase morto e mordido por caranguejos, e, tendo ficado com pena, cuidou dele até que ficasse curado. No entanto, Omolu ficou marcado por cicatrizes em todo o corpo, que o obrigavam a se cobrir inteiramente com palhas. Só se via de Omolu suas pernas e braços, onde não fora tão atingido. Aprendeu com Iemanjá e Oxalá como curar estas graves doenças. Assim cresceu Omolu, sempre coberto por palhas, escondendo-se das pessoas, taciturno e compenetrado, sério e até mal-humorado.

Fonte: Assessoria

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