Senado homenageia bombeiros e vítimas de Brumadinho

Com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do rompimento da barragem de rejeitos tóxicos da mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, o Senado encerrou a sessão especial realizada nesta sexta-feira, 29, em reconhecimento ao trabalho dos bombeiros que atuaram na operação de resgate.

A catástrofe aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019 e o balanço mais recente da Defesa Civil de Minas Gerais aponta 216 mortos, 88 desaparecidos e 395 pessoas localizadas. Além de soterrar centenas de pessoas, a lama tóxica destruiu o Rio Paraopeba, afluente do Rio São Francisco.

Além do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, corporações de outros estados também enviaram homens para trabalhar nas buscas de vítimas do rompimento da barragem. O requerimento para a homenagem foi apresentado pelos senadores Soraya Thronicke (PSL-MS), Jorge Kajuru (PSB-GO), Leila Barros (PSB-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Alessandro Vieira (PPS-SE) e Styvenson Valentim (Pode-RN).

Para os parlamentares, os bombeiros são merecedores de reconhecimento, homenagem e gratidão, já que sua atuação e buscas incansáveis possibilitaram a volta de vítimas para suas famílias.

— Apesar da tristeza que tomou conta das pessoas de todo o mundo, a chama da salvação se acendeu com a atuação dos senhores, que dia e noite trabalharam para salvar as vidas e também para resgatar os que sucumbiram à lama e permitir que suas famílias pudessem tocar pela última vez os entes queridos que se foram nesta impronunciável tragédia — disse Soraya Thronicke.

Um dos homenageados foi o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, coronel Edgard Estevo da Silva. Ele destacou a atuação conjunta com outros órgãos como a Defesa Civil, a Policial Miliar e a Polícia Civil de Minas Gerais e o apoio de vários estados e do governo federal. Ressaltou ainda a dedicação desses profissionais.

— O que move o bombeiro é o desejo de ser útil ao próximo — afirmou o comandante.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul, coronel Joilson do Amaral, afirmou que para ser um bombeiro militar é preciso pensar sempre no outro.

— Todos os bombeiros do Brasil são treinados para entregar a sua vida em prol da comunidade. A essência da nossa profissão é ajudar o próximo — salientou.

Para o senador Marcos do Val (PP-ES), que propôs um voto de louvor aos bombeiros em nome do Senado, o reconhecimento do trabalho desses profissionais deve ser dado na prática, com melhores salários, carreira adequada, e aposentadoria especial.

— A grande maioria da sociedade só acaba conhecendo e entendendo o trabalho de vocês depois das tragédias. É importante saber das dificuldades por que vocês passam no dia a dia, a dificuldade da carreira, a dificuldade de salário, de reconhecimento, do esforço fora do normal para poder exercer essa profissão, da pressão da família, principalmente em situações como essa, porque a família teme que vocês também percam a vida.

O senador Paulo Paim (PT-RS) também defendeu regras especiais de aposentadoria para os bombeiros militares.

— Eu sou aqui um dos combatentes da boa reforma da Previdência. Os bombeiros são, sim, uma categoria diferenciada e têm que ter um tratamento especial — sublinhou Paim.

Durante a sessão, senadores lamentaram pelo Brasil não ter aprendido com a rompimento de outra barragem da Vale, em Mariana (MG), em 2015. Naquela catástrofe, em que foram contados 19 mortos e o Rio Doce foi destruído, contaminando até a sua foz, no Espírito Santo.

— Catástrofes como a de Brumadinho não podem mais se repetir. Infelizmente, Brumadinho nos pareceu uma triste e inaceitável reprise do ocorrido, em 2015, em Mariana, cidade matriz de Minas Gerais e em proporções muito maiores. É necessário um esforço nacional para que todas as barragens e grandes projetos de engenharia do Brasil se enquadrem, sempre, nos padrões internacionais de segurança — afirmou o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Para o senador Carlos Viana (PSD-MG), relator da CPI que investiga a catástrofe, é preciso avançar em uma legislação preventiva.

— Nós precisamos que o Brasil valorize mais a vida do que os velórios. Nós temos que trabalhar o que hoje o Corpo de Bombeiros faz muito bem, que é a prevenção — disse o senador.

 

Fonte: Agência Senado




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