Conheça roteiros especiais para curtir um passeio de trem ou bonde

TREM DA VALE – OURO PRETO/MARIANA

A ferrovia por esses lados de Minas Gerais só chegou dois séculos depois da fundação de Ouro Preto, em 1914. Os vagões, hoje, são puxados por uma locomotiva a diesel de 1956. As viagens saem tanto de Ouro Preto quanto de Mariana. Pelo caminho, o cenário é de pura natureza. A maioria dos 18 quilômetros da ferrovia rasga uma encosta, passando por quatro túneis e antigas estações.

Há duas categorias de vagão: O Convencional é todo de madeira; já o Panorâmico é composto de amplos janelões envidraçados. O ar-condicionado é levado a sério – tenha um agasalho à mão.

Saindo de Ouro Preto, quem se senta nos bancos da direita vê melhor os abismos, as montanhas e duas cachoeiras; no vagão Panorâmico, qualquer assento é bom. Para chegar às estações, basta uma pernada de uns dez minutos a partir dos centros históricos. Vale visita os vagões museográficos e temáticos nas estações de ambas as cidades.

 

TREM DA SERRA DA MANTIQUEIRA – PASSA QUATRO

Na tranquila Passa Quatro, a Minas and Rio Railway Company reserva um circuito bacana sobre trilhos pela chamada Terras Altas da Mantiqueira. Uma locomotiva 332, fabricada nos Estados Unidos, conduz dois vagões por um tour de 10 quilômetros só de ida. A primeira parte do percurso é plana, ladeando vales, fazendas de gado e as elevações da Mantiqueira ao fundo.

Petiscos são serviços aos passageiros e um violeiro embala hits sertanejos. Há uma parada na Estação Manacá para comprar artesanatos e doces e, na sequência, a locomotiva sobe a serra lentamente até chegar à Estação Coronel Fulgêncio. Enquanto o trem faz a volta, há tempo suficiente para ver o pequeno museu, com fotos da Revolução Constitucionalista de 1932, que teve uma batalha travada lá, e das gravações das minisséries globais Mad Maria e JK, filmadas na ferrovia. Também há tempo para caminhar até o Grande Túnel, de 997 metros de extensão, que divide os estados de Minas Gerais e São Paulo.

 

TREM DAS ÁGUAS – SÃO LOURENÇO

É daqueles destinos superfamília, que agrada crianças da faixa etária da Galinha Pintadinha a do Pokémon Go e, claro, os avós. Muito do apelo é em virtude do Parque das Águas, com várias fontes medicinais, pistas de caminhada pelo bosque, laguinho com pedalinho e um balneários municipal. Depois de se esbaldar no parque, um passeio de Maria-fumaça é mais que bem vindo.

Um trecho plano de 10 quilômetros da Minas and Rio Railway Company margeando o Rio Verde compõe o passeio entre São Lourenço e Soledade de Minas. Duas locomotivas da década de 1920 se encarregam de puxar os oito vagões, divididos em duas classes: a Especial, com assento estofado e degustação de queijos, doces e cachaça; e a Turística, com bando de madeira, mas você vai de bico seco. Sorte que as ferromoças passam vendendo bebidas e suvenires. É comum que os trabalhos gastronômicos comecem no Bar da Estação de São Lourenço, com muitos doces e queijos mineiros.

A viagem é dividia em três partes iguais: 40 minutos de ida, 40 minutos em Soledade e 40 minutos para o retorno. Para quebrar a monotonia de alguns trechos, um grupo de violeiros não deixa apeteça cair. Soledade de Minas é um tico de cidade, sem qualquer apelo. Resta aos passageiros explorar a feirinha de artesanato dentro da estação, com algumas iguarias bem calóricas à venda.

 

TIRADENTES – SÃO JOÃO DEL REI

Se havia uma coisa que D.Pedro II gostava de fazer era inaugurar ferrovias. Com a Estrada de Ferro Oeste, não foi diferente. Saindo de Barbacena, os trilhos rasgavam as entranhas de Minas Gerais por 602 quilômetros. Um trecho plano de 12 quilômetros é usado no passeio de Maria-fumaça entre Tiradentes e São João Del Rei.

Puxado por uma locomotiva inglesa do início do século 20, o trem margeia o Rio das Velhas e tem como pano de fundo a imponente Serra de São José. Para ter as melhores panorâmicas, quem fizer a rota Tiradentes-São João Del Rei deve sentar-se à direita – no sentido inverso, à esquerda.

Faz falta a bordo um guia para contar histórias sobre a ferrovia e a composição, fato em parte amenizado pelo Museu Ferroviário de São João Del Rei. Uma atração à parte é a rotunda giratória na Estação Tiradentes. Nem precisa fazer o passeio para assistir ao mecanismo da locomotiva inglesa sendo girado no muque por funcionários da ferrovia. As duas cidades merecem algumas horas para explorar seus centros históricos, principalmente Tiradentes – por isso, considere retornar de táxi.

 

TREM DO CORCOVADO

Inaugurado por D.Pedro II, em 1894, o Trem do Corcovado é anterior à construção do Cristo Redentor, que só foi terminado em 1931. Foi através dos trilhos, aliás, que subiu grande parte do material usado na obra. Se, por muito tempo, as filas quilométricas para embarcar começavam muito cedo na estação do Cosme Velho, desde julho de 2016 a coisa melhorou: só embarca quem tiver em mãos o tíquete com hora marcada _ à venda na internet, em casas lotéricas ou nos quiosques da Riotur. A ferrovia corta 3,8 quilômetros da Floresta da Tijuca em trechos de mata fechada, mas, por vezes é possível entrever a singular vista do Rio de Janeiro, funcionando como uma espécie de avant-première do Cristo Redentor.

No final de semana passado levei um grupo que se deslumbrou com o passeio, porque realmente é muito lindo e bucólico.

 

BELO HORIZONTE-VITÓRIA

A malha ferroviária brasileira é tão ínfima que uma das únicas viagens regulares de passageiros acaba ganhando um certo cunho rústico. Com 664 quilômetros de extensão, a Estrada de Ferro Vitória a Minas foi concebida para o escoamento do café proveniente do Vale do Rio Doce e, posteriormente, usada para transportar minério de ferro da região de Itabira. O transporte de passageiros, ainda que secundário, sempre foi recorrente.

Com saídas diárias de Belo Horizonte e Cariacica, região metropolitana de Vitória, montanhas marcam a paisagem de quase todo o percurso, cidades históricas mineiras vão ficando para trás e os rios Piracicaba e Doce acompanham a via férrea em vários momentos. Devido ao terreno acidentado, há uma profusão de túneis e viadutos. Quem faz a viagem completa nota que os rostos vão mudando ao longo do caminho, devido ao sobe e desce de passageiros em suas 27 estações.

Na frente da composição fica a Classe Econômica, com ar-condicionado, wi-fi e tomadas. A executiva tem luz de leitura, canais de áudio, tomadas individuais e está mais próxima dos vagões restaurante e lanchonete.

O serviço de bordo pago passa durante toda a viagem, além disso, quem não quiser se deslocar até o vagão restaurante pode encomendar a marmita.

 

BONDES – SANTA TEREZA

No Rio de Janeiro, é quase impensável não associar Santa Teresa a seu bondinho, de longe o mais famoso do Brasil, que acaba remetendo a cidade a um cenário meio lisboeta. Em 2011, um trágico acidente, que causou a morte de seis pessoas, interrompeu a linha, que começou a operar em 1896. Em agosto de 2015, os bondinhos voltaram mais modernos, seguros e com o limite de 32 passageiros por viagem e todos vão sentados.

O trajeto em operação tem 1,5 quilômetro desde o Centro, atravessando os Arcos da Lapa, subindo as ruas Joaquim Murtinho e Almirante Alexandrino até chegar ao Largo dos Guimarães, coração do bairro. Nos arredores do largo, há algumas lojas de artesanato e bares, como o do Mineiro, que serve uma famosa feijoada aos sábados. Do outro lado da rua, quase em frente, o bar Cultivar tira do forno, a cada hora, porções de pão de queijo viciantes. O Parque das Ruínas também merece uma visita, muito por causa do seu mirante. Na sequência, um bom programa é andar até a Lapa, pegando a Ladeira de Santa Teresa e, na sequência descendo a coloridíssima Escadaria Selarón.

 

CAMPOS DO JORDÃO

Os bondinhos vermelhos e amarelos são trademarks de Campos do Jordão. O trilho por onde eles correm corta o canteiro central de avenidas ao longo de 8 quilômetros desde o pórtico de entrada até Capivari,o bairro mais agitado. Esbarrar em um deles é questão de tempo. A paisagem é a mesma para quem está de carro, mas, com caminho livre pela frente, o visitante poderá relaxar e curtir o passeio. Adicionar um guia á rota talvez tornasse o percurso mais interessante, principalmente para situar historicamente algumas construções. Para quem estiver com crianças a diversão é garantida. As saídas ocorrem da Estação Emílio Ribas, que passam pela bela Estação Abernéssia e vão até o Portal de Campos do Jordão.

Outra possibilidade de passeio é pegar o trem que sai de Campos do Jordão e vai até Santo Antonio do Pinhal, em uma hora, vencendo as curvas da Mantiqueira.

 

DICAS DE VIAGEM

Mais uma vez volto a falar sobre o Certificado Internacional da Febre Amarela. A Anvisa informa que o Certificado para viagem só será emitido com dose padrão de vacina da febre amarela – No ato da vacinação, viajantes devem apresentar comprovante de viagem para receber dose de 0,5 ml.

Pessoas que vão viajar para áreas que exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) devem tomar a dose inteira da Vacina da Febre Amarela (0,5 ml) e não a dose fracionada, de 0,1 ml que será aplicada em algumas regiões.

A consulta dos países que exigem a vacina da Febre Amarela, poderá ser realizada no endereço, (www.anvisa.gov.br/viajante).

Clique no link “Verifique as orientações para o país de destino”, e serão apresentadas recomendações para sua viagem e a indicação da existência ou não de exigências sanitárias. Se houver exigência sanitária, será necessária a apresentação do certificado CIVP.

Fique ligado e confira sempre a documentação necessária para sua viagem.




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