A Cultura de Anita Novinsy

A professora Anita Novinsky, que acaba de falecer, foi uma figura notável da Universidade de São Paulo, onde se dedicou aos estudos sobre cristãos-novos. Até quase 100 anos jamais abandonou esse tema, que foi o objeto principal dos seus escritos, entre os quais muitos livros.

Foi autora do livro “Cristãos-novos  na Bahia” e orientou 25 mestres e 18 doutores. Convenhamos que não é pouco. Tive com ela um convívio extremamente agradável, a partir de um encontro, no Rio de Janeiro, para a discussão das relações interreligiosas, em que ela defendeu ardorosamente as suas convicções sobre a importância do judaísmo.

Tive o prazer de fazer o prefácio do livro “Machado e os judeus”, por ela escrito, e que teve boa repercussão quando do seu lançamento. Mas Anita foi uma especialista em relação ao padre Antônio Vieira e o seu relevante trabalho em nosso país. Embora tenha depois dedicado o seu talento a estudos sobre o ceticismo, ela jamais abandonou a memória do padre Vieira e as suas boas relações com os judeus.

Anita chegou ao Brasil no vapor Zeelândia, em 1925, vinda da cidade polonesa de Stachow. Seu pai era um militante sionista e fora comerciante de peles na Polônia. Veio para o Brasil a fim de recomeçar a vida e fundou a loja “Casa de Viena”. Assim conseguiu o seu intento. E  Anita encontrou na Universidade de São Paulo a sua grande oportunidade de, estudando história, dedicar-se ao passado do seu povo. Foi uma grande especialista em cristãos-novos, escrevendo a esse respeito.

O curioso é que, leitora compulsiva, descobriu em Machado de Assis nosso maior escritor, diversos veios de Judaísmo. Colocou seus achados no livro “O olhar judaico em Machado de Assis”, em 1990(Editora Expressão e Cultura), que lançamos no Rio de Janeiro. A pedido de Anita, tive  a honra de escrever o seu prefácio.

Anita revelou que Machado de Assis tratou de judaísmo em vários trabalhos de Machado de Assis. Em prosa e verso. Exemplos: Viver, O Dilúvio, Antônio José e no poema A Cristã Nova. Em seu livro, analisou cada um desses momentos preciosos. Concluiu que Machado sentia a questão judaica e olhava com profunda simpatia o seu percurso através da história.




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