A Copa do Mundo está chegando e o Brasil estreia contra Suiça no dia 17 de junho; pensando naqueles que viajarão para assistir os jogos, vamos conhecer as três cidades dos primeiros jogos do Brasil e algumas dicas pra ninguém passar sufoco e a situação ficar russa.

ROSTOV-ON-DON – O vagaroso curso do Rio Don compete em lentidão com os passos de um jovem casal dividindo um sorvete à sua margem, no coração da cidade. A cena preguiçosa é fiel ao passeio público em Rostov, mas não revela sua forte personalidade e identidade cultural.

Terra dos cossacos, “Rostov-sobre-o-Don” goza de um status elevado entre as principais cidades da Rússia europeia graças à posição geográfica privilegiada, a apenas 32 km do Mar de Azov, contíguo ao Mar Negro. Porto e rio protagonizam os romances de Mikhail Sholokhov, biógrafo da saga desse grupo étnico semiautônomo, por vezes orgulhoso aliado, em outras volátil inimigo de Moscou, ao longo da Revolução Russa. Essa é uma cidade para se explorar a pé. À beira-rio, o grande Bulevar promove o lazer comunitário diariamente, em um ritual de convívio lindo de se ver.

O espaço faz jus às boas intenções iniciais do socialismo, vide as quadras esportivas, mas ficaram ainda melhor com sorveterias, cafés, lojas de souvenires e outras distrações do capitalismo. Dos muitos festivais culturais que acontecem quase todos os finais de semana no verão, um dos mais divertidos é a Festa do Rio Don, celebrada na segunda semana de julho com muita balalaika ao vivo, comida típica, embarcações enfeitadas, venda de artesanato e, claro, vodca a valer.

Em outro corredor arborizado – o calçadão da Pushkinskaya -, a caminhada pela sombra encontra esculturas, instalações e murais antigos. Violinistas adolescentes, casais sobre patins e crianças jogando bola ocupam o espaço público adjacente ao Parque Central da cidade, onde uma área para Arvorismo e uma Roda-Gigante fazem a alegria de jovens casais e crianças.

Do outro lado do parque, a Praça Teatralnaya reúne três estilos arquitetônicos – clássico, construtivista e soviético socialista – nos prédios públicos ao redor do grande largo do Memorial de Guerra Stella. No fim de tarde, o espaço é frequentado por uma moçada a pé ou de skate, ambulantes e músicos, que dividem aquelas larguras com crianças aprendendo a andar de bicicleta e famílias.

Na esquina das ruas Buddonovsky e Stanislavskogo, o movimentado Mercado Central é gostoso de visitar e almoçar. Fora de lá, delicie-se com o georgiano Café Guria ou uma refeição elaborada nos restaurante Staraya Melnitza. Entre os hotéis mais bem localizados estão o Mercure e o Don Plaza.

São Petersburgo é a segunda maior cidade da Rússia e também receberá os jogos da Copa do Mundo. Foto: Divulgação

São Petersburgo – a antiga capital do Império Russo é hoje um dos destinos da vez na Europa, em parte por ainda não ter sido descoberta pelos turistas de Roma, Paris ou Veneza. A uma horinha de voo de Moscou, St.Pete faz páreo com essas “Capitais Culturais” na categoria museu a céu aberto e até entre quatro paredes, além de sediar uma cena artística em ebulição.

Um passeio pela Avenida Nevsky explica o apelido “Veneza do Norte”: a arquitetura neoclássica decora fachadas em série, interrompidas apenas pelas pontes peatonais sobre o sistema de canais do Rio Neva. No dia 23 de junho, em plena Copa, o Festival das Velas Escarlates reunirá 1,5 milhões de pessoas nas margens do rio para ver uma imensa queima de fogos e a navegação triunfal de um veleiro iluminado, símbolo da liberdade, do amor e da esperança.

Seja a pé, seja a bordo das balsas (como em Veneza), o ‘rolê’ pelo centro histórico não pode deixar de incluir as catedrais Kazan e Isaac; a Igreja do Sangue Derramado, uma das mais belas do país, com domos coloridos em alto-relevo; e os imperdíveis Museu Russo e Hermitage, este um palácio de ambientes suntuosos com uma coleção de arte excepcional. Na cidade se aprende o real sentido da expressão “noites em claro”. Graças a latitude elevada, no verão a trama urbana sem edifícios altos recebe luz solar quase 24 horas por dia, iluminando por toda a madrugada as ruas onde Pushkin, Dostoiesvsky e Gogol viveram e ambientaram suas obras. Uma das experiências mais autênticas dos visitantes é adentrar a madrugada sob o cultuado Sol da Meia-Noite.

No circuito minstream, a balada ferve nos bares da Rua Rubinstein, que, durante o dia, recebe mercados de pulga. Não distante dalí, na Rua Kuznechny, encontra-se a casa onde Dostoievsky viveu, transformada em museu.

No lado B da cidade, o Parque Museu da Arte de Rua, a 30 minutos de táxi do Centro, mistura jovens locais com estrangeiros em um ambiente ao ar livre com skate, bike, dança, concertos, grafite… Do outro lado do Neva, o Museu Erarta, é o espaço oficial da arte moderna.

Bons restaurantes não faltam em St.Pete. Para provar a cozinha local, vá ao Severyanin. Já no Mamalyga, a refeição farta reproduz pratos de regiões do Cáucaso, enquanto o Duo Asia é para fãs da cozinha asiática contemporânea. Para um expresso, o Café Singer tem mesinhas de cara para a Catedral Kazan. Dos hotéis, o Park Inn, perto da estação de trem principal, vale pela localização e pelo café da manhã.

 

MOSCOU – cosmopolita, mas segura como poucas capitais da geopolítica atual, Moscou vive uma fase acesa e pulsante com a Copa e tantos eventos de verão. Desembarcar em qualquer dos três aeroportos internacionais e chegar ao Centro pelo moderno trem Aeroexpress, em uma hora, traz um sentimento de civilidade e comunhão entre locais e visitantes. Moscou adentro, em que cidade do mundo há um metrô Dmitri Mendeleev, com luminárias que remetem a gigantescas moléculas, homenagem ao criador da tabela periódica? Ou um foguete estacionado como monumento em pleno passeio público?

Os domos coloridos das igrejas ortodoxas, a arquitetura socialista e os marcos do comunismo passam pela janela enquanto o silencioso poezda(trem) cruza o plano urbano generoso e elegante. A urbe que inspirou peças de Tchaikovski, a literatura de Tchekov, pintores e dramaturgos, hoje ambienta um movimento de arte moderna internacional sem perder o status de Meca do balé clássico, da ginástica olímpica e de outras artes performáticas.

Coração histórico, geográfico e espiritual da cultura russa, o complexo arquitetônico do Kremlin e a Praça Vermelha merecem a atenção de quem tem apenas um dia na cidade. Palco de execuções e coroações desde o século 15, o grande largo é aberto para pedestres, protestos e eventos de todos os portes. Sob a sombra das icônicas cúpulas da Catedral de São Basílio, o tráfego de turistas é intenso o dia todo – chegue cedo para ver o Mausoléu de Lenin, caminhar pela praça e visitar o Museu do Kremlin.

Estádio em Moscou terá abertura e final da Copa do Mundo de 2018. Foto: Divulgação

Para quem tem dois dias ou mais, sair dos arredores da Praça Vermelha é fundamental para vivenciar o espírito moscovita. Dois dos melhores lugares para sentir essa vibe são os passeios nos parques Gorki, e Vdnh, Disneylândias da cultura e do povo soviéticos, com excelentes museus, instalações esportivas, palcos e muito lazer ao ar livre, no mais puro espírito socialista.

À noite, espetáculos de música clássica, balé e ópera acontecem em diversos espaços e são mais frequentados por locais que por visitantes. Entre os palcos mais tradicionais estão o Teatro Bolshoi e, em uma categoria mais econômica e menos turística, o excelente Teatro Helikon, com legendas em inglês. Performances de música também invadem o Museu Pushkin de Belas Artes, cuja coleção de pintura russa e europeia dos séculos 19 e 20 merece atenção. Outros imperdíveis das artes são a Galeria Tretyakov, dentro de um castelo boyar recheado de obras de Kandinsky, Chagall e Klint, e o subestimado Museu Roerich, dedicado a Nikolai Roerch, que retratou paisagens e culturas da Ásia Central no início do século 20. As tendências da arte contemporânea estão no Museu Garage, muito frequentado pela juventude moscovita e pouco pelos estrangeiros, embora multilíngue.

Ao lado do metrô Arbatskaya, o calçadão Arbat é repleto de lojas, cafés e restaurantes, que disputam ativamente a atenção dos transeuntes. Comer na rua não é problema mesmo tarde da noite – vide as tantas opções abertas. Um dos melhores georgianos é ao Genatsvale Vip e, em um nível superior, o Sahli. No Uzbekistan estão os sabores da Ásia Central e, para provar a cozinha tradicional russa, confira o Café Pushkin ou o Dr.Zhivago, no Hotel Nacional, perto do Kremlin.

Para se hospedar, o Cosmos, hotel construído no auge da URSS para os Jogos de Moscou de 1980, é uma experiência à parte.


DICAS PARA CURTIR BEM A COPA NA RUSSIA

– Dinheiro – O rublo russo (R$1=RUB 17; US$ 1 = RUB 57; E 1= RUB 70). Leve consigo dólares ou euros – notas novas, não amassadas nem riscadas – e adquira o rublo nas casas de câmbio das avenidas principais. Nos bancos dos aeroportos, que praticam as piores taxas, troque apenas o suficiente para o transporte até o Centro. Há caixas eletrônicos em qualquer cidade, e cartões de crédito são largamente aceitos. Evite os pré-pagos: como não há carga em rublo, “paga-se” uma conversão ao colocar saldo e outra ao usar o cartão.

– Língua – É cada vez mais fácil encontrar quem fale inglês nas ruas, mas se há algo que os russos apreciam é o esforço dos estrangeiros para falar seu idioma. Grave em sua memória frases educadas e ganhe sorrisos.

Fuso +6 h em Moscou e outras sete cidades sede.

– Visto – Os brasileiros são isentos de viso russo – basta um passaporte com validade mínima de seis meses para permanecer até 90 dias.

Saúde – A Rússia não exige o Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela dos brasileiros.

Cuidado – O viajante se sente seguro no país, mas em São Petersburgo e Moscou é preciso ficar atento aos batedores de carteira no metrô.




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