{"id":98517,"date":"2018-04-29T06:00:51","date_gmt":"2018-04-29T09:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/?p=98517"},"modified":"2018-04-27T18:56:59","modified_gmt":"2018-04-27T21:56:59","slug":"luzes-no-mosteiro-de-santa-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=98517","title":{"rendered":"Luzes no Mosteiro de Santa Cruz"},"content":{"rendered":"<p>Havia apenas iniciado o dia, quando fechou os olhos para sempre, naquela Segunda-feira da quarta semana do tempo pascal. O calend\u00e1rio registrava 23 de abril de 2018. Findava a veneranda e sempre amada Madre Paula Igl\u00e9sias, Abadessa do Mosteiro Beneditino de Juiz de Fora, depois de 29 anos de miss\u00e3o como m\u00e3e espiritual de suas queridas monjas. Havia se internado em hospital, na Quinta-feira Santa, com agravamento de implac\u00e1vel enfermidade contra a qual lutava havia oito anos. Seu quarto ficou iluminado com aqueles primeiros raios de sol, como a luz benfazeja da manh\u00e3 da ressurei\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p>Vivenciou pela \u00faltima vez os mist\u00e9rios pascais nesta terra, cheia de un\u00e7\u00e3o e m\u00edstica alegria que, mesmo em meio \u00e0s dores, se percebia em seu rosto sempre sorridente e humilde. Depois de se inebriar pela institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, do Mandamento Novo e da li\u00e7\u00e3o sagrada do lava-p\u00e9s, p\u00f4de compartilhar as dores de Nosso Senhor, naquela Sexta-feira Santa, completando em seu corpo o que faltara \u00e0 Paix\u00e3o de Cristo, conforme anunciou S\u00e3o Paulo Ap\u00f3stolo (cf. Col 1, 25). Passou pelo sil\u00eancio da expectativa do S\u00e1bado para celebrar a grande festa do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o, vit\u00f3ria de Jesus sobre a escurid\u00e3o da morte. Nos segredos do amor de Deus, esperou o Domingo do Bom Pastor, para seguir para sempre os acenos do Pai que a introduzia nos prados eternos que sempre esperou e para os quais sempre viveu.<\/p>\n<p>Natural de Cataguases, nasceu no dia 22 de setembro de 1944, como pen\u00faltima filha de uma fam\u00edlia de seis irm\u00e3os. No Rio, para onde a fam\u00edlia se transferiu, trabalhou como secret\u00e1ria comercial, sendo louvada como ex\u00edmia datil\u00f3grafa. Tendo o seu cora\u00e7\u00e3o jovem sempre marcado pelo amor inconfund\u00edvel a Deus e \u00e0 Igreja, encontrou em Dom Paulo Rocha, monge beneditino que se tornou mais tarde Abade do Mosteiro da Bahia, o seu orientador espiritual seguro e santo. Ele a conduziu para o Mosteiro de Santa Cruz de Juiz de Fora que havia sido fundado a 13 de junho de 1960, sob os cuidados de Madre Benita Enout, a primeira Abadessa.<\/p>\n<p>Tendo a alma sempre ansiosa pelos conhecimentos das coisas de Deus, no Mosteiro dedicou-se intensamente \u00e0 vida de ora\u00e7\u00e3o e aos estudos b\u00edblicos e lit\u00fargicos o que a levou a investir extraordinariamente na revista teol\u00f3gica publicada pela Editora Subiaco, do mesmo Mosteiro. Em 1989, ap\u00f3s o falecimento de Madre Benita, foi escolhida pelas suas irm\u00e3s monjas para ser a segunda Abadessa.\u00a0\u00a0Tornou-se m\u00e3e espiritual n\u00e3o s\u00f3 de suas filhas no claustro, mas de muit\u00edssimas outras pessoas que, de cont\u00ednuo a procuravam para falar das coisas de Deus e dela receber orienta\u00e7\u00f5es na viv\u00eancia da f\u00e9 e supera\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n<p>Fundou, em 1993, o Mosteiro de Santa Maria da Esperan\u00e7a, em Rio Branco-AC, a pedido do ent\u00e3o Arcebispo local, Dom Moacyr Grechi.<\/p>\n<p>Aos 21 de mar\u00e7o \u00faltimo,\u00a0<em>dies natalis<\/em>\u00a0de S\u00e3o Bento, ela, percebendo j\u00e1 os sinais de Deus que a chamava desta vida, renunciou humildemente a seu nobre cargo abacial. Ficou marcada para o dia 25 de abril a elei\u00e7\u00e3o da nova Abadessa. Veio a falecer justamente nas v\u00e9speras desta data. Mist\u00e9rios de Deus! Ap\u00f3s a solene liturgia das ex\u00e9quias, cantadas em gregoriano genu\u00edno, de beleza m\u00edstica sem par, com a presen\u00e7a de tr\u00eas bispos, dois Abades, quatro Abadessas, monjas de outros mosteiros, v\u00e1rios sacerdotes e um grande n\u00famero de pessoas da cidade, foi seu corpo sepultado nos jardins do Mosteiro, enquanto sua alma j\u00e1 havia penetrado nas claridades dos prados eternais.<\/p>\n<p>No dia seguinte, como previsto, a comunidade celebrava a Missa do Esp\u00edrito Santo, presidida pelo Abade Presidente, Dom Filipe da Silva, do Mosteiro do Rio, e pedia as luzes de Deus para a escolha da sucessora. No primeiro escrut\u00ednio das elei\u00e7\u00f5es, a b\u00ean\u00e7\u00e3o caiu sobre Irm\u00e3 Maria de F\u00e1tima Justiniano da Silva, filha muito querida de Madre Paula que a formou desde o seu ingresso na vida beneditina.<\/p>\n<p>Madre Maria de F\u00e1tima, nascida em Juiz de Fora, a 17 de abril de 1953, era, quando jovem, ass\u00eddua frequentadora da Par\u00f3quia Santa Rita de C\u00e1ssia, do bairro Bomfim, \u00e0 \u00e9poca dirigida pelos padres Cr\u00fazios.\u00a0\u00a0Em 1977, formou-se em medicina pela UFJF, e contra a vontade dos pais, mas muito convicta de sua voca\u00e7\u00e3o e de seu amor incondicional a Deus, entrou para o Mosteiro de Santa Cruz onde fez profiss\u00e3o solene aos 25 de mar\u00e7o de 1984.<\/p>\n<p>As luzes do tempo pascal, provenientes da cruz salvadora do Senhor Jesus Cristo, nunca se apagam, pois, a for\u00e7a da f\u00e9, a harmonia do amor e a\u00e7\u00e3o perene da gra\u00e7a permanecem iluminado a vida e a morte, qual c\u00edrio pascal que queima e ilumina, enchendo de beleza o altar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia apenas iniciado o dia, quando fechou os olhos para sempre, naquela Segunda-feira da quarta semana do tempo pascal. 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