{"id":96245,"date":"2018-04-12T23:10:05","date_gmt":"2018-04-13T02:10:05","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/04\/12\/caminhos-em-santiago-de-compostela-contam-historia-de-tradicao-e-cultura-a-turistas\/"},"modified":"2018-04-12T23:10:05","modified_gmt":"2018-04-13T02:10:05","slug":"caminhos-em-santiago-de-compostela-contam-historia-de-tradicao-e-cultura-a-turistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=96245","title":{"rendered":"Caminhos em Santiago de Compostela contam hist\u00f3ria de tradi\u00e7\u00e3o e cultura \u00e0 turistas"},"content":{"rendered":"<p>Essa semana vamos falar sobre Santiago de Compostela, na Espanha, destino tur\u00edstico e religioso, onde os dois conceitos se confundem e tiramos disso belas experi\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Os Caminhos de Santiago \u2013<\/strong> a descoberta do sepulcro do ap\u00f3stolo Santiago o Maior, em princ\u00edpios do s\u00e9culo IX, gerou de imediato uma populosa corrente de peregrina\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a este lugar, no qual hoje est\u00e1 a cidade galega de Santiago de Compostela. Esta aflu\u00eancia acabou por formar, desde os mais diversos pontos de Europa, uma densa rede de itiner\u00e1rios conhecida, no seu conjunto, como o Caminho de Santiago, ou a Rota Jacobeia.<\/p>\n<p>Os momentos de maior apogeu da peregrina\u00e7\u00e3o produziram-se nos s\u00e9culos XI, XII e XIII com a concess\u00e3o de determinadas indulg\u00eancias espirituais. No entanto, esta corrente manteve-se, com maior ou menos intensidade, ao longo dos restantes s\u00e9culos. Desde a segunda metade do s\u00e9culo XX, o Caminho de Santiago vive um novo renascer internacional que combina o seu tradicional acervo espiritual e sociocultural com o seu poder de atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e como renovado lugar de encontro aberto a todo o tipo de gente e culturas.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, os per\u00edodos de maior aflu\u00eancia de peregrinos e visitantes no Caminho coincidem com os Anos Santos Compostelanos, que se celebram cada 6, 5, 6 e 11 anos, mas qualquer ano e momento \u00e9 id\u00f4neo para realizar algum itiner\u00e1rio desta rota ou visitar a cidade que tem como meta: Compostela.<\/p>\n<p>O Caminho de Santiago gerou ao longo dos seus doze s\u00e9culos de exist\u00eancia uma extraordin\u00e1ria vitalidade espiritual, cultural e social. Devido \u00e0 sua exist\u00eancia nasceu a primeira grande rede assistencial da Europa e foram criados mosteiros, catedrais e novos n\u00facleos urbanos.<\/p>\n<p>Pelo encontro entre pessoas de t\u00e3o diversa proced\u00eancia que esta rota propiciou, surgiu uma cultura baseada no interc\u00e2mbio aberto de ideias e correntes art\u00edsticas e sociais, assim como um dinamismo socioecon\u00f4micos que favoreceu, sobretudo durante a Idade M\u00e9dia, o desenvolvimento de diversas zonas da Europa.<\/p>\n<p>A marca do Caminho e dos peregrinos a Compostela \u00e9 reconhec\u00edvel numa infinidade de testemunhos p\u00fablicos e privados, em distintas manifesta\u00e7\u00f5es de arte ou, por exemplo, nos mais de mil livros que nas \u00faltimas d\u00e9cadas se ocuparam em todo o mundo, desta senda, obra e patrim\u00f4nio de todos os europeus.<\/p>\n<p>As vias principais do Caminho de Santiago foram declaradas Primeiro Itiner\u00e1rio Cultural Europeu (1987) pelo Conselho de Europa, Bem Patrim\u00f4nio da Humanidade pela UNESCO nos seus tra\u00e7ados ao longo da Espanha e Fran\u00e7a (1993 e 1998), respectivamente) e Pr\u00eamio Pr\u00edncipe de Ast\u00farias da Conc\u00f3rdia 2004, outorgado pela Funda\u00e7\u00e3o Pr\u00edncipe de Ast\u00farias.<\/p>\n<p>A Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica formaria parte, segundo determinados textos antigos, das terras nas quais o ap\u00f3stolo Santiago predicou o cristianismo. Ap\u00f3s morrer decapitado na Palestina, por volta do ano 44 d.C., os seus disc\u00edpulos, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, trasladaram o seu corpo numa nave at\u00e9 a Galiza, uma das terras hisp\u00e2nicas inclu\u00eddas na sua predica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Convertida na atrativa meta de uma peregrina\u00e7\u00e3o que levava ao supulcro do \u00fanico ap\u00f3stolo de Cristo enterrado em solo europeu, juntamente com S\u00e3o Pedro, em Roma, \u00e0 Santiago chegar\u00e3o, ao longo dos s\u00e9culos, peregrinos de todas as proced\u00eancias e pelos mais diversos itiner\u00e1rios.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 grande diversidade de proced\u00eancias dos peregrinos, ir\u00e3o definindo-se sobre o solo galego seis itiner\u00e1rios principais de chegada de toda a Europa.<\/p>\n<p>O itiner\u00e1rio que alcan\u00e7a uma maior concorr\u00eancia e relev\u00e2ncia, tanto socioecon\u00f4mica, como art\u00edstica e cultural, \u00e9 o denominado Caminho Franc\u00eas, que entra em Espanha, a partir da Fran\u00e7a, pelos montes Pirineus e na Gal\u00edcia pelo m\u00edtico alto de O Cebreiro.<\/p>\n<p>No entanto, outros cinco itiner\u00e1rios conseguiram adquirir, mesmo assim, o seu lugar na hist\u00f3ria das peregrina\u00e7\u00f5es Jacobeias.<\/p>\n<p>S\u00e3o os Caminhos Primitivo e do Norte, que alcan\u00e7aram relev\u00e2ncia nos primeiros tempos de peregrina\u00e7\u00e3o, com dois tra\u00e7ados principais que entram na Galiza pelas Ast\u00farias, procedentes do Pa\u00eds Basco e Cant\u00e1bria; o Caminho Ingl\u00eas, seguido sobretudo pelos peregrinos que, partindo do norte da Europa e as Ilhas Brit\u00e2nicas chegavam a portos como os de La Coru\u00f1a e Ferrol; o Caminho Portugu\u00eas, que desde o sudoeste da Galiza utilizavam os peregrinos procedentes de Portugal; e o Caminho do Sudeste, pelo qual se dirigiam a Santiago os peregrinos que, desde o sul e centro da Pen\u00ednsula, seguiam a popular Via da Prata, entre M\u00e9rida e Astorga, para continuar, por terras de Ourense, em dire\u00e7\u00e3o a Compostela.<\/p>\n<p>O Caminho Franc\u00eas como j\u00e1 dissemos antes, \u00e9 o itiner\u00e1rio jacobeu com maior tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e o mais reconhecido internacionalmente. O seu tra\u00e7ado atrav\u00e9s do norte da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica acabou definitivamente fixado em finais do s\u00e9culo XI. As principais vias deste Caminho em Fran\u00e7a e Espanha foram descritas com precis\u00e3o em 1135 no CodexCalixtinus, livro fundamental do acervo jacobeu.<\/p>\n<p>O Livro V deste c\u00f3dice constitui um aut\u00eantico guia medieval da peregrina\u00e7\u00e3o a Santiago. Nele se especificam as etapas do Caminho Franc\u00eas desde as terras gaulesas e se informa detalhadamente sobre os santu\u00e1rios do trajeto, a hospitalidade, as comidas, as fontes, os costumes locais, etc. Tudo est\u00e1 escrito com a s\u00edntese e clareza necess\u00e1rias a uma resposta pr\u00e1tica a um desejo concreto: a peregrina\u00e7\u00e3o a Santiago. Este guia evidencia o desejo pol\u00edtico, tur\u00edstico e religioso em promover o santu\u00e1rio compostelano e facilitar o acesso at\u00e9 ele.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter estado na catedral, o peregrino, se disp\u00f5e j\u00e1 das credencias que justificam a sua peregrina\u00e7\u00e3o a p\u00e9, a cavalo ou de bicicleta, pode solicitar no porto do Peregrino a \u201ccompostela\u201d, o documento que credita a sua peregrina\u00e7\u00e3o, concedido pelo Cabido da catedral. A partir desse momento, abre-se diante de si, em plenitude, a cidade de Santiago de Compostela.<\/p>\n<p>Depois de visitar a catedral compostelana, ponto de chegada e encontro dos peregrinos ou simplesmente a visita do turista, a cidade de Santiago oferece-se em todo o seu explendor hist\u00f3rico, em toda a sua diversidade e dinamismo presentes.<\/p>\n<p>A atual cidade de Santiago de Compostela nasce como um pequeno n\u00facleo de monges cust\u00f3dios em torno do sepulcro do Ap\u00f3stolo no momento da sua descoberta, por volta do ano de 820. O desenvolvimento da cidade na Idade M\u00e9dia \u00e9 espetacular, gra\u00e7as ao auge europeu das peregrina\u00e7\u00f5es, que a converte, com Jerusal\u00e9m e Roma, num dos tr\u00eas grandes centros da Cristandade.<\/p>\n<p>Desde os s\u00e9culos XV ao XIX a cidade alterna momentos de dinamismo e de certa decad\u00eancia, ao compasso dos vaivens da hist\u00f3ria galega, espanhola e europeia. As peregrina\u00e7\u00f5es perdem peso, mas Santiago consolida-se como centro cultural, com a cria\u00e7\u00e3o da Universidade, e mant\u00e9m a sua influ\u00eancia religiosa, o que se reflete na sua renova\u00e7\u00e3o urbana renascentista e barroca, t\u00e3o presente e palpitante nos mais relevantes edif\u00edcios hist\u00f3ricos da cidade.<\/p>\n<p>Santiago vive desde a segunda metade do s\u00e9culo XX, um cont\u00ednuo per\u00edodo de expans\u00e3o. Ao progressivo renascimento das peregrina\u00e7\u00f5es, que mant\u00eam o seu significado espiritual tradicional, acrescenta-se o singular e incompar\u00e1vel atrativo tur\u00edstico e cultural do Caminho de Santiago.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a cidade galega, dotou-se de grande infraestrutura cultural e tur\u00edstica e consolidou a sua proje\u00e7\u00e3o internacional como centro hist\u00f3rico-cultural e europeia, algo que confirmam diariamente os milhares de peregrinos e turistas que em qualquer \u00e9poca do ano, a visitam.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais referidas do Caminho e da cidade \u00e9 a hospitalidade. Desde o in\u00edcio das peregrina\u00e7\u00f5es jacobeias, institui\u00e7\u00f5es e entidade religiosas, pol\u00edticas e sociais, e muit\u00edssimas pessoas an\u00f4nimas, fizeram da aten\u00e7\u00e3o ao peregrino e ao visitante, o principal objetivo.<\/p>\n<p>Para os peregrinos existe uma rede p\u00fablica de albergues, repartida por todos os itiner\u00e1rios e em v\u00e1rios casos em edif\u00edcios de grande valor hist\u00f3rico. A utiliza\u00e7\u00e3o dessa rede \u00e9 gratuita e est\u00e1 regulada por uma normativa que os destina aos peregrinos que realizam o Caminho a p\u00e9, e secundariamente aos que o fazem a cavalo e em bicicleta. N\u00e3o se realiza nenhum tipo de reserva, as vagas s\u00e3o cobertas estritamente pela ordem de chegada e \u00e9 por uma noite apenas.<\/p>\n<p>Mas a cidade possui tamb\u00e9m uma rede hoteleira para atender aos turistas, bons restaurantes e bares. Nos \u00faltimos anos tamb\u00e9m tem aparecido, na cidade e ao longo das distintas rotas, uma moderna e variada rede de hot\u00e9is e casas de turismo rural que diversificam os servi\u00e7os e atrativos do Caminho.<\/p>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">DICAS DE VIAGEM<\/h4>\n<p><strong>&#8211; \u00c9 mais barato voar durante a semana?<\/strong><br \/>O que vale \u00e9 a lei da oferta e da procura. Segundo a Latam, os voos com maior disponibilidade e, portanto, mais baratos s\u00e3o os das ter\u00e7as e das quartas-feiras. A mesma l\u00f3gica vale para os hor\u00e1rios: os que saem no meio do dia ou de madrugada s\u00e3o mais em conta. J\u00e1 os trechos a destinos fortes em neg\u00f3cios, como S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia, s\u00e3o mais acess\u00edveis no fim de semana, assim como as hospedagens.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Tenho como saber se meu voo est\u00e1 confirmado?<\/strong><br \/>Existem aplicativos que monitora status de voos no planeta todo, trazendo informa\u00e7\u00f5es como a dura\u00e7\u00e3o da viagem e o mapa com a rota. Para acompanhar os trechos dom\u00e9sticos brasileiros, o app Infraero Voos Online, funciona bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa semana vamos falar sobre Santiago de Compostela, na Espanha, destino tur\u00edstico e religioso, onde os dois conceitos se confundem e tiramos disso belas experi\u00eancias. 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