{"id":95971,"date":"2018-04-10T12:59:25","date_gmt":"2018-04-10T15:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/04\/10\/governo-de-minas-lanca-o-memorial-dos-direitos-humanos-casa-da-liberdade\/"},"modified":"2018-04-10T12:59:25","modified_gmt":"2018-04-10T15:59:25","slug":"governo-de-minas-lanca-o-memorial-dos-direitos-humanos-casa-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=95971","title":{"rendered":"Governo de Minas lan\u00e7a o Memorial dos Direitos Humanos Casa da Liberdade"},"content":{"rendered":"<p>\u201cUm espa\u00e7o de mem\u00f3ria e resist\u00eancia\u201d. Assim o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, definiu a transforma\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio do antigo Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), em Belo Horizonte, no Memorial dos Direitos Humanos Casa da Liberdade. O projeto para a implementa\u00e7\u00e3o do novo espa\u00e7o foi apresentado nessa segunda-feira, 9, durante cerim\u00f4nia no Pal\u00e1cio da Liberdade.<\/p>\n<p>\u201cEu achava, com sinceridade, que aquele seria um espa\u00e7o de mem\u00f3ria de reconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, do compartilhamento daquilo que foi feito, de informa\u00e7\u00e3o, um espa\u00e7o at\u00e9 pedag\u00f3gico. Mas agora eu tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que tamb\u00e9m ser\u00e1 um espa\u00e7o de resist\u00eancia. L\u00e1, n\u00f3s vamos resistir, n\u00f3s vamos debater, vamos refletir, vamos organizar manifesta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, para que esta escalada antidemocr\u00e1tica que o Brasil est\u00e1 vivendo tenha paradeiro\u201d, defendeu o governador em seu discurso.<\/p>\n<p>A escolha do pr\u00e9dio do antigo Dops, localizado na Avenida Afonso Pena, 2.351, no bairro Funcion\u00e1rios, para abrigar o memorial, tem uma grande representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Durante o regime militar, o local foi palco de pr\u00e1ticas de repress\u00e3o e tortura a perseguidos pela ditadura.<\/p>\n<p>Fernando Pimentel lembrou que, h\u00e1 mais de 40 anos, cumpriu pena no local e que, hoje, como governador, tinha como objetivo transformar o espa\u00e7o em um equipamento p\u00fablico de resgate da hist\u00f3ria mineira.<\/p>\n<p>\u201cPassando pelo Dops, fui testemunha dos abusos que eram praticados desde 1973, nos anos de chumbo da ditadura militar. Muitos anos se passaram, muitos governos se sucederam, mas foi preciso que o povo mineiro tivesse eleito um ex-preso pol\u00edtico para que finalmente a gente se apropriasse de forma adequada daquele local. Eu gostaria de falar que tenho orgulho, mas n\u00e3o tenho. Se esse orgulho existir, ele \u00e9 coletivo, \u00e9 compartilhado por n\u00f3s todos, pela nossa gera\u00e7\u00e3o, por aqueles que resistiram e pelas gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o chegando e sabem reconhecer a luta dos que resistem\u201d, relembrou.<\/p>\n<p>Para finalizar, o governador ainda destacou que o espa\u00e7o ser\u00e1 importante para a luta e defesa da democracia brasileira.<\/p>\n<p>\u201cA essa altura, est\u00e1 mais do que claro que que n\u00f3s estamos num roteiro de constru\u00e7\u00e3o do fascismo no pais. Os eventos s\u00e3o abundantes, culminando com essa pris\u00e3o do ex-presidente Lula de forma arbitr\u00e1ria, absurdamente ilegal, fruto de uma senten\u00e7a jur\u00eddica fr\u00e1gil e equivocada, de um processo cheio de irregularidades e, o mais absurdo, um mandado de pris\u00e3o totalmente ilegal. Porque ele n\u00e3o cumpre e n\u00e3o preserva os prazos de recursos que a lei assegura a qualquer cidad\u00e3o. Quando algu\u00e9m diz assim, \u2018mas a lei \u00e9 para todos\u2019, eu concordo. Sim, a lei \u00e9 para todos, menos para o ex-presidente Lula, que est\u00e1 preso de forma ilegal nesse momento em Curitiba\u201d, afirmou. Pimentel tamb\u00e9m lembrou os casos do assassinato da ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e as pris\u00f5es de membros de universidades federais do pa\u00eds.<\/p>\n<h4>O PROJETO<\/h4>\n<p>O memorial, que ser\u00e1 aberto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ir\u00e1 oferecer \u00e0 sociedade um equipamento coletivo com espa\u00e7os museogr\u00e1ficos, centro de pesquisa sobre a hist\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds \u2013 com rico acervo documental produzido pelas ag\u00eancias de repress\u00e3o, espa\u00e7os para reuni\u00f5es de grupos, associa\u00e7\u00f5es e coletivos para a realiza\u00e7\u00e3o de eventos culturais, semin\u00e1rios, debates e apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. A implanta\u00e7\u00e3o do memorial ainda tem como objetivo conscientizar os cidad\u00e3os sobre os acontecimentos do passado para evitar que eles caiam no esquecimento e n\u00e3o se repitam no futuro.<\/p>\n<p>A professora da UFMG e coordenadora do projeto Rep\u00fablica, e que ajudou na elabora\u00e7\u00e3o da Casa da Liberdade, Helo\u00edsa Starling, explicou como o espa\u00e7o ser\u00e1 importante para a preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da democracia mineira.<\/p>\n<p>\u201cTeremos um centro de pesquisa onde v\u00e3o ser abrigados arquivos da repress\u00e3o em Minas, tanto da ditadura quanto no per\u00edodo do Estado Novo. Outro espa\u00e7o vai abrigar as oficinas de criatividade, onde a ideia \u00e9 que a universidade consiga trocar conhecimento com as comunidades e os coletivos de Minas Gerais. E ainda temos a proposta de uma exposi\u00e7\u00e3o permanente, com o conceito de que em Minas Gerais s\u00e3o muitos os nomes da liberdade. Queremos conservar a hist\u00f3ria do Dops e dos fatos que ocorreram ali\u201d, explicou.<\/p>\n<p>J\u00e1 o arquiteto que tamb\u00e9m trabalhou na elabora\u00e7\u00e3o do projeto do museu, Gringo Cardia, destacou que o principal desafio \u00e9 adequar a comunica\u00e7\u00e3o \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, levando conhecimento a elas. \u201cVamos usar a interatividade para as pessoas pensarem e se posicionarem sobre os valores de justi\u00e7a e cidadania. Vamos incentivar as ideias para o p\u00fablico a partir de oficinas de rap, poesia, e fazer da Casa da Liberdade um espa\u00e7o p\u00fablico, um espa\u00e7o para a fam\u00edlia\u201d, disse.<\/p>\n<h4>HIST\u00d3RIA<\/h4>\n<p>Ex-presa pol\u00edtica, a psic\u00f3loga Emely Vieira Salazar relembrou com tristeza os momentos de tortura vividos por ela no local. \u201cEles achavam que os estudantes n\u00e3o poderiam ter opini\u00e3o, que eram contra o pa\u00eds. Fui presa por denunciar torturas. E l\u00e1 fui conhecer o que realmente era tortura. Pau de arara, choque el\u00e9trico, palmat\u00f3ria, tudo quanto \u00e9 tipo de tortura eu passei. Muita gente n\u00e3o sabe o que foi a ditadura e dizem que ela pode voltar. Dizem isso porque n\u00e3o sabem o que \u00e9 uma ditadura. E o povo precisa saber disso, principalmente a juventude\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Para Nilc\u00e9a Moraleida Bernardes, tamb\u00e9m ex-presa pol\u00edtica, o extinto Dops rememora os gritos da tortura e da repress\u00e3o da \u00e9poca. \u201cQuando voltei a ser presa, em 1974, uma coisa que me chamou aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que existia um revestimento ac\u00fastico que em 1971 n\u00e3o tinha. Nessa \u00e9poca, eu ouvi, enquanto estava presa no subsolo onde ficam as celas, pessoas gritando horrores. Gente chegando para as celas em estado de morte iminente\u201d, relembrou.<\/p>\n<h4>O ESPA\u00c7O<\/h4>\n<p>Tombado pelos patrim\u00f4nios municipal e estadual (foi tombado pelo Iepha-MG em dezembro de 2015), todas as propostas de interven\u00e7\u00e3o f\u00edsica no edif\u00edcio ser\u00e3o desenvolvidas segundo as diretrizes estabelecidas pelos \u00f3rg\u00e3os municipal e estadual de prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio. Do mesmo modo, a defini\u00e7\u00e3o dos temas e modos de abordar os diferentes assuntos ser\u00e1 desenvolvida a partir de um minucioso levantamento hist\u00f3rico, baseado em pesquisas documentais, em depoimentos das v\u00edtimas e em debates com representantes de pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>O local passar\u00e1 por reforma emergencial, sob a responsabilidade do Instituto Estadual do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico de Minas Gerais (Iepha-MG) e ficar\u00e1 administrativamente submetido \u00e0 Secretaria de Direitos Humanos, Participa\u00e7\u00e3o Social e Cidadania (Sedpac).<\/p>\n<h4>PRESEN\u00c7AS<\/h4>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do lan\u00e7amento os secret\u00e1rios de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo; de Planejamento e Gest\u00e3o, Helv\u00e9cio Magalh\u00e3es; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Germano Vieira; de Desenvolvimento Agr\u00e1rio, Alexandre Chumbinho (interino); o presidente da Codemig, Marco Ant\u00f4nio Castello Branco; a presidente do Iepha, Michele Arroyo; o controlador geral do Estado, Eduardo Lima; o presidente da MGS, Carlos Vanderley; o presidente do Ipsemg, Hugo Vocurca; o presidente da Empresa Mineira de Comunica\u00e7\u00e3o, Elias Santos; e o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Cl\u00f3vis Salgado, Augusto Nunes.<\/p>\n<p>Ainda compareceram a reitora da UFMG, Sandra Goulart, a defensora p\u00fablica do Estado, Christiane Neves Proc\u00f3pio Malard, os deputados federais Odair Cunha e J\u00f4 Morais, os deputados estaduais Mar\u00edlia Campos e Rog\u00e9rio Correia, o coordenador da Comiss\u00e3o da Verdade, Robson S\u00e1vio, o cineasta Helv\u00e9cio Ratton, al\u00e9m de representantes da Prefeitura de Belo Horizonte, da C\u00e2mara Municipal e lideran\u00e7as ligadas aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUm espa\u00e7o de mem\u00f3ria e resist\u00eancia\u201d. 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