{"id":95124,"date":"2018-04-04T12:37:38","date_gmt":"2018-04-04T15:37:38","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/04\/04\/morte-de-martin-luther-king-completa-50-anos-e-ex-assessor-relembra-lutas\/"},"modified":"2018-04-04T12:37:38","modified_gmt":"2018-04-04T15:37:38","slug":"morte-de-martin-luther-king-completa-50-anos-e-ex-assessor-relembra-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=95124","title":{"rendered":"Morte de Martin Luther King completa 50 anos e ex-assessor relembra lutas"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A \u00faltima campanha de Martin Luther King Jr foi a Campanha dos Pobres. Isso \u00e9 muito importante, eliminar a pobreza. Isso ainda n\u00e3o foi alcan\u00e7ado&#8221;. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 Tom Houck, ativista que trabalhou na juventude como assistente pessoal de Martin Luther King Jr. e motorista da fam\u00edlia dele. Cinquenta anos ap\u00f3s a morte de Martin Luther King Jr, completados nessa quarta-feira, 4, Houck conversou com nossa reportagem sobre como conheceu um dos principais l\u00edderes dos direitos civis nos Estados Unidos e detalhes sobre a vida dele.<\/p>\n<p>Filho e neto de pastores protestantes batistas, Martin Luther King Jr. formou-se em teologia e foi como pastor em Montgomery, capital do Alabama, que iniciou sua luta pela igualdade de direitos para negros e brancos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Liderou, em 1955, o boicote aos servi\u00e7os de transportes na cidade ap\u00f3s a costureira negra Rosa Parks ter se recusado a ceder o lugar no \u00f4nibus para um branco e foi presa. O boicote durou quase um ano e King foi preso.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 60, durante os boicotes aos transporte p\u00fablicos, Tom Houck, ainda estudante do ensino m\u00e9dio, decidiu seguir o reverendo Martin Luther King em Montgomery, e, desde ent\u00e3o, nunca mais abandonou a luta pela igualdade racial.<\/p>\n<p>Houck conta que conheceu o l\u00edder norte-americano quando aguardava uma carona, sentado na entrada do Southern Christian Leadership Conference (SCLC), confer\u00eancia de lideran\u00e7a crist\u00e3, que foi presidida por Martin Luther King Jr., organiza\u00e7\u00e3o que defende os direitos civis dos afro-americanos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu era um rapaz branco, de cabelos longos e castanhos, sentado na cal\u00e7ada esperando uma carona. Foi quando Dr. King me viu e perguntou se eu queria almo\u00e7ar na casa dele&#8221;. Houck diz que ainda hoje recorda o card\u00e1pio: frango frito, p\u00e3o de milho, couve, ch\u00e1 doce e pudim de creme de banana.<\/p>\n<p>Mais tarde naquele dia, Coretta, esposa de King, comentou sobre a necessidade da fam\u00edlia de ter um motorista. E nos nove meses seguintes, Houck levou as crian\u00e7as de King para a escola e algumas vezes o casal.<\/p>\n<p>Nascido em Massachusetts, Tom Houck relembra as hist\u00f3ricas marchas de Selma a Montgomery, em 1965. No 7 de mar\u00e7o, 600 manifestantes sa\u00edram \u00e0s ruas para cobrar o direito a voto para os negros no estado. O dia, 7 de mar\u00e7o, ficou conhecido como Domingo Sangrento, pois os manifestantes foram violentamente reprimidos pela pol\u00edcia. A transmiss\u00e3o ao vivo pela TV das imagens de viol\u00eancia chamou a aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s duas semanas, King liderou uma nova marcha a partir de Selma. Foram tr\u00eas manifesta\u00e7\u00f5es, que enfrentaram a resist\u00eancia branca. Os protestos eram organizados por estudantes negros, com apoio de Martin Luther King Jr. Meses depois, o presidente Lyndon Johnson assinou a lei que permitia o direito de voto para negros.<\/p>\n<p>Houck conta que a participa\u00e7\u00e3o nas marchas de Selma lhe renderam a expuls\u00e3o da escola de ensino m\u00e9dio que frequentava. &#8220;Fui considerado um subversivo. Um rapaz branco marchando em defesa do movimento negro&#8221;, diz, lembrando que desde crian\u00e7a ficava inquieto com a segrega\u00e7\u00e3o racial. &#8220;Quando eu tinha seis anos de idade, eu ia pra escola e ficava perguntando por que motivo os banheiros de negros e brancos eram separados&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a marcha de Selma, Houck participou de v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es de desobedi\u00eancia civil n\u00e3o violenta na luta por direitos civis e voto para todos os norte-americanos. Em 1966, chegou a Atlanta para participar do registro de eleitores e passou a trabalhar como assistente e motorista de Martin Luther King.<\/p>\n<h4>PASSEIO<\/h4>\n<p>Hoje, aos 70 anos, Houck criou um passeio tur\u00edstico especializado em direitos civis em Atlanta, na Ge\u00f3rgia, onde conta hist\u00f3rias e experi\u00eancias vividas com &#8220;Dr. King&#8221;, cidade em que o l\u00edder nasceu e viveu.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Brasil acompanhou o passeio de \u00f4nibus no \u00faltimo s\u00e1bado, dia 31. De p\u00e9, na parte da frente do \u00f4nibus, Tom Houck conta detalhes da hist\u00f3ria, alguns pouco conhecidos, de Martin Luther King Jr., como que era bastante galanteador e fumava muitos cigarros por dia &#8211; h\u00e1bito que irritava a mulher.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas vezes Dr. King me dava os cigarros e eu escondia, porque Dona Coretta saia procurando nos bolsos dele&#8221;.<\/p>\n<p>Uma das paradas do passeio, por exemplo, \u00e9 a casa onde o ativista viveu com a fam\u00edlia os \u00faltimos anos de vida, no sudoeste de Atlanta, um dos bairros mais pobres e violentos da cidade, com maioria dos residentes negros.<\/p>\n<p>No tour, Houck tenta mostrar que Martin Luther King Jr. era uma pessoa real. &#8220;Ele n\u00e3o era perfeito. Mas tinha o sonho e teve a vis\u00e3o que conhecemos e que seguimos&#8221;.<\/p>\n<p>Durante o passeio, de tr\u00eas horas, ele mostra contrastes da cidade de Atlanta, como por exemplo uma est\u00e1tua do General Gordon pr\u00f3xima a um monumento de Martin Luther King.<\/p>\n<p>Ao ver a est\u00e1tua, diz ao grupo: &#8220;Esta est\u00e1tua ainda est\u00e1 aqui?&#8221;. A reportagem pergunta: &#8220;Mas \u00e9 parte da hist\u00f3ria, n\u00e3o?&#8221;. Ele responde: &#8220;Sim, mas este general era muito racista&#8221;.<\/p>\n<p>Outra parada \u00e9 o cemit\u00e9rio onde inicialmente foi levado o corpo de Martin Luther King Jr.<\/p>\n<p>Em 1984, o corpo foi transferido para o parque nacional, que fica no centro de Atlanta. Segundo Houck, o motivo foram as tentativas sucessivas de saque ao jazigo da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Sobre a li\u00e7\u00e3o mais importante aprendida com o \u00edcone da luta contra o racismo, Houck afirma que sem d\u00favida foi a resist\u00eancia, a n\u00e3o viol\u00eancia e o amor.<\/p>\n<h4>&#8220;EU TENHO UM SONHO&#8221;<\/h4>\n<p>Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King Jr. fez seu discurso mais emblem\u00e1tico para mais de 200 mil que marcharam, em Washington, pelo fim da segrega\u00e7\u00e3o racial. &#8220;Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados pelo car\u00e1ter, e n\u00e3o pela cor da pele. No ano seguinte, recebeu o Pr\u00eamio Nobel da Paz. Em 4 abril de 1968, foi assassinado a tiros em um hotel na cidade de Memphis.<\/p>\n<p>A luta de King levou a implanta\u00e7\u00e3o da lei dos Direitos Civis e dos Direitos de Voto, em 1964 e 1965, que colocaram fim \u00e0s normas estaduais de segrega\u00e7\u00e3o racial nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>King era casado com Coretta e teve quatro filhos.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A \u00faltima campanha de Martin Luther King Jr foi a Campanha dos Pobres. Isso \u00e9 muito importante, eliminar a pobreza. Isso ainda n\u00e3o foi alcan\u00e7ado&#8221;. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 Tom Houck, ativista que trabalhou na juventude como assistente pessoal de Martin Luther King Jr. e motorista da fam\u00edlia dele. 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