{"id":94245,"date":"2018-03-20T21:27:08","date_gmt":"2018-03-21T00:27:08","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/03\/20\/vereadores-pressionam-pjf-devido-a-falta-de-professores-bidocentes\/"},"modified":"2018-03-20T21:27:08","modified_gmt":"2018-03-21T00:27:08","slug":"vereadores-pressionam-pjf-devido-a-falta-de-professores-bidocentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=94245","title":{"rendered":"Vereadores pressionam PJF devido \u00e0 falta de professores bidocentes"},"content":{"rendered":"<p>A falta de professores bidocentes, profissionais que atuam em salas de aulas onde estudam alunos com defici\u00eancia ou transtornos globais, na rede municipal de ensino motivou as comiss\u00f5es de Defesa dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia e de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal a enviar um of\u00edcio para a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o (SE) cobrando solu\u00e7\u00f5es. A decis\u00e3o ocorre ap\u00f3s den\u00fancias do Grupo de Apoio a Pais e Profissionais de Pessoas com Autismo (Gappa), que relataram o d\u00e9ficit de professores e o quanto isto estaria afetando o ensino das crian\u00e7as, que precisam de cuidados especiais para ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a presidente do Gappa, Ariene Menezes, mais de dez reclama\u00e7\u00f5es de pais foram levadas ao grupo. Ela conta que a situa\u00e7\u00e3o acontece todo o in\u00edcio do per\u00edodo letivo e pode estar relacionada \u00e0 evas\u00e3o de alunos das redes estadual e particular. \u201cTodo ano \u00e9 a mesma coisa. Cada vez mais casos de autismo e outros transtornos est\u00e3o sendo diagnosticados, proporcionando mais demandas na Educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Ariene, algumas escolas particulares n\u00e3o cumprem a lei e n\u00e3o oferecem a bidoc\u00eancia. \u201cSendo assim, os pais retiram seus filhos e os insiram na rede do munic\u00edpio. Al\u00e9m disso, um grande problema tem se estabelecido na rede estadual. Tem turmas com mais de duas crian\u00e7as especiais na mesma sala, com um \u00fanico professor. O profissional n\u00e3o d\u00e1 conta, j\u00e1 que esses alunos precisam de mais aten\u00e7\u00e3o, por conta disso, os respons\u00e1veis tamb\u00e9m optam pelo ensino municipal\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A presidente do Gappa refor\u00e7ou que a falta de qualifica\u00e7\u00e3o para os profissionais tamb\u00e9m contribui para agravar o d\u00e9ficit. \u201cProporciona uma rotatividade muito grande, pois, na maioria das vezes, um professor se candidata \u00e0 bidoc\u00eancia porque vai ter aumento de 20% no sal\u00e1rio, mas, quando chegam \u00e0 sala de aula e se deparam com a situa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lidar com a educa\u00e7\u00e3o de uma pessoa especial, e n\u00e3o estando preparado, acaba abandonando a vaga. O que falta \u00e9 a capacita\u00e7\u00e3o desses profissionais para que eles entrem no ambiente escolar e conhe\u00e7a os desafios\u201d, disse.<\/p>\n<p>Conforme Ariene, entre os anos de 2016 e 2017, mais de 100 alunos da rede municipal de ensino ficaram sem professores. \u201cTivemos crian\u00e7as que ficaram em casa o dia todo. Sabemos tamb\u00e9m que o n\u00famero \u00e9 ainda maior\u201d, ressaltou ela, acrescentando que, para tentar minimizar a falta de professores, a SE tem adotado estrat\u00e9gias, que, em curto prazo, podem ser prejudiciais. \u201cA secretaria est\u00e1 fazendo uma \u2018varredura\u2019 nas escolas, retirando o professor daqueles alunos que ela interpreta como independentes e direcionando para quem tem mais necessidade. Por\u00e9m, isso est\u00e1 gerando um grande problema, pois o fato da crian\u00e7a compreender o que est\u00e1 sendo falado n\u00e3o quer dizer que ela esteja apta a ficar sozinha\u201d, explicou. \u201cTemos um caso no Gappa de uma m\u00e3e que tem um filho autista, que teve o aux\u00edlio retirado. No entanto, ela conta que todos os dias que chega \u00e0 escola, percebe que o filho tem defecado em sua roupa. Os pr\u00f3prios colegas de classe contam a ela que o menino fica deitado o dia todo durante as aulas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A advogada Alessandra Moraes \u00e9 m\u00e3e de Ana Beatriz, de cinco anos. A menina foi diagnosticada com s\u00edndrome de Down e autismo. Desde que come\u00e7ou a estudar, ela recebe aux\u00edlio de um profissional bidocente, mas a m\u00e3e sabe que o caso da crian\u00e7a \u00e9 espec\u00edfico. \u201cEla teve essa ajuda no ano passado e est\u00e1 tendo neste ano. Por\u00e9m, na escola dela e na de muitas outras crian\u00e7as, isso n\u00e3o tem sido visto. Tem muitas que n\u00e3o recebem essa ajuda que \u00e9 fundamental para o seu desenvolvimento\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Alessandra destacou a import\u00e2ncia desse trabalho. \u201cAs crian\u00e7as especiais necessitam de um apoio at\u00e9 mesmo para se socializar. O professor bidocente faz esse trabalho de socializa\u00e7\u00e3o, apesar de esse n\u00e3o ser o mais importante. A crian\u00e7a vai para a escola para aprender, adquirir conhecimentos e a bidoc\u00eancia possibilita um trabalho de adapta\u00e7\u00e3o das atividades desenvolvidas em \u00e2mbito escolar, em virtude das limita\u00e7\u00f5es que esses alunos possuem\u201d, reiterou.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m defendeu a necessidade de mais qualifica\u00e7\u00f5es para o profissional. \u201cUma pessoa que nunca teve contato direto n\u00e3o consegue desenvolver um Plano de Desenvolvimento Individual, exigido pela lei. As crian\u00e7as com essas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de aprender, mas necessitam de um professor que explique com mais paci\u00eancia, de forma detalhada e que esteja preparado, pois sen\u00e3o, ela n\u00e3o aprende. Enquanto uma crian\u00e7a neurot\u00edpica aprende determinado conceito com apenas uma explica\u00e7\u00e3o, as especiais precisam de mais vezes para aprender. \u00c9 um ritmo diferente, que deve ser considerado, e somente o profissional preparado possibilita essa inclus\u00e3o\u201d, ressaltou Alessandra.<\/p>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4>NOTA DA PREFEITURA<\/h4>\n<p>Em nota, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o (SE) informa que segue a orienta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), atrav\u00e9s da Nota T\u00e9cnica n\u00ba 19 de 2010. A secretaria tamb\u00e9m afirma que quando h\u00e1 um aluno na turma com alguma necessidade \u00e9 disponibilizado o profissional de apoio, com forma\u00e7\u00e3o docente, para que possa compartilhar as fun\u00e7\u00f5es com os professores regentes de turma. Ambos s\u00e3o respons\u00e1veis n\u00e3o s\u00f3 pelo cuidar, mas tamb\u00e9m pelo educar de todos os alunos da turma.<\/p>\n<p>\u201cNa perspectiva de uma escola inclusiva, seria um equ\u00edvoco um profissional numa turma para acompanhar e auxiliar apenas o aluno com necessidades especiais. Tal pr\u00e1tica caracterizaria uma exclus\u00e3o dentro da sala de aula. Portanto, n\u00e3o \u00e9 a defici\u00eancia diagnosticada que determina a presen\u00e7a de um segundo professor na turma e sim as caracter\u00edsticas de funcionalidade do aluno em quest\u00e3o. Desta forma, nem todos os alunos que apresentam autismo ou s\u00edndrome de down, por exemplo, dar\u00e3o direito \u00e0 turma a um profissional de apoio\u201d, diz trecho da nota.<\/p>\n<p>A SE tamb\u00e9m afirma que em 2018, das aproximadamente 550 turmas das escolas municipais da cidade que necessitam de um segundo professor, 450 j\u00e1 est\u00e3o contempladas com a Doc\u00eancia Compartilhada. \u201cO processo de contrata\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em andamento devido ao significativo n\u00famero de professores que desistem da vaga depois de assumi-las, sendo necess\u00e1rias novas contrata\u00e7\u00f5es. Acreditamos que at\u00e9 o meio de abril, toda a demanda j\u00e1 tenha sido atendida&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A falta de professores bidocentes, profissionais que atuam em salas de aulas onde estudam alunos com defici\u00eancia ou transtornos globais, na rede municipal de ensino motivou as comiss\u00f5es de Defesa dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia e de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal a enviar um of\u00edcio para a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o (SE) cobrando solu\u00e7\u00f5es. 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