{"id":94087,"date":"2018-03-17T12:28:10","date_gmt":"2018-03-17T15:28:10","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/03\/17\/forum-mundial-da-agua-comeca-neste-domingo-em-brasilia\/"},"modified":"2018-03-17T12:28:10","modified_gmt":"2018-03-17T15:28:10","slug":"forum-mundial-da-agua-comeca-neste-domingo-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=94087","title":{"rendered":"F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua come\u00e7a neste domingo em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>O 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, que come\u00e7a neste domingo, 18, em Bras\u00edlia, deve reunir cerca de 45 mil pessoas interessadas no tema da \u00e1gua. Desse total, 10 mil s\u00e3o especialistas vindos de mais de 100 pa\u00edses que estar\u00e3o debatendo diferentes teses sobre a quest\u00e3o da \u00e1gua, em v\u00e1rios pain\u00e9is ao longo da semana. O f\u00f3rum \u00e9 o maior evento relacionado ao tema e tem a chancela do Conselho Mundial da \u00c1gua (CMA), organismo internacional respons\u00e1vel pelo acompanhamento da quest\u00e3o em todo o mundo h\u00e1 mais de 30 anos. Esta \u00e9 a primeira vez que o f\u00f3rum ocorre em um pa\u00eds do Hemisf\u00e9rio Sul, desde sua estreia em 1997, na cidade de Marrakesh, no Marrocos.<\/p>\n<p>Atualmente, o presidente do CMA \u00e9 o brasileiro Benedito Braga, professor titular de engenharia civil e ambiental na Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e tamb\u00e9m secret\u00e1rio de Saneamento e Recursos H\u00eddricos do estado de S\u00e3o Paulo. Para ele, o grande objetivo do f\u00f3rum \u00e9 &#8220;aproximar a comunidade cient\u00edfica e t\u00e9cnica da comunidade tomadora de decis\u00e3o&#8221;, ou seja, a classe pol\u00edtica. Por essa raz\u00e3o, os governos de diferentes pa\u00edses foram convidados e estar\u00e3o representados por chefes de Estado e ministros. Segundo Braga, \u00e9 preciso &#8220;motivar os governantes para a import\u00e2ncia da \u00e1gua para destinar recursos para as obras h\u00eddricas necess\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<h4>CRISE H\u00cdDRICA<\/h4>\n<p>Quando foi escolhida para sediar o F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, Bras\u00edlia ainda vivia tempos de abund\u00e2ncia em suas torneiras, situa\u00e7\u00e3o que mudou drasticamente a partir da crise h\u00eddrica provocada pela escassez de chuvas no ver\u00e3o de 2016\/2017. Para evitar um colapso no abastecimento da cidade, medidas de restri\u00e7\u00e3o tiveram que ser tomadas e hoje, mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o parcial dos reservat\u00f3rios do Distrito Federal, a cidade ainda enfrenta racionamentos. Para o bi\u00f3logo Paulo Salles, diretor-presidente da Ag\u00eancia Reguladora de \u00c1guas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), receber o evento neste contexto est\u00e1 longe de ser constrangedor.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, isso \u00e9 muito bom porque n\u00f3s estamos num momento muito significativo, um momento de muito aprendizado que significa duas coisas: primeiro, compreender que estamos vivendo um per\u00edodo dif\u00edcil para o planeta inteiro. E, segundo, que estamos aprendendo com a crise h\u00eddrica&#8221;.<\/p>\n<p>O professor, que tem doutorado em Ecologia pela University of Edimburgo, na Esc\u00f3cia, lembra que \u201ca \u00e1gua \u00e9 parte da economia, \u00e9 parte da pol\u00edtica, da organiza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es, e n\u00f3s n\u00e3o perceb\u00edamos isso porque ela n\u00e3o faltava\u201d. Salles faz quest\u00e3o de frisar que crises h\u00eddricas v\u00eam ocorrendo em v\u00e1rias partes do mundo atualmente. Por isso, o f\u00f3rum \u00e9 um momento para favorecer as trocas de experi\u00eancias, compartilhar projetos, ideias e solu\u00e7\u00f5es para permitir o enfrentamento de dificuldades do futuro.<\/p>\n<h4>VILA CIDAD\u00c3<\/h4>\n<p>O evento tamb\u00e9m quer mobilizar o cidad\u00e3o comum, ou \u201ctodo mundo que bebe \u00e1gua\u201d, como diz Lup\u00e9rcio Ziroldo, um dos governadores brasileiros do Conselho Mundial da \u00c1gua e presidente da Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Para isso, o f\u00f3rum decidiu abrir espa\u00e7o para a popula\u00e7\u00e3o participar. Foi assim que nasceu, durante a sexta edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum, em 2012, em Marselha, na Fran\u00e7a, a ideia do F\u00f3rum Cidad\u00e3o, que seria a ponte dos especialistas e governantes com a comunidade dos que \u201cbebem \u00e1gua\u201d. A ideia \u00e9 educar as pessoas de modo a evitar que se chegue ao ponto de precisar entender de \u00e1gua somente quando ela falta. Quando assumiu a coordena\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Cidad\u00e3o, no \u00e2mbito do 8\u00ba FMA, Ziroldo e sua equipe pensaram em criar um espa\u00e7o f\u00edsico que fosse como um ponto de encontro. Surgiu assim a Vila Cidad\u00e3, com acesso gratuito de visitantes.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o o F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, que sempre foi um grande encontro de ideias e solu\u00e7\u00f5es, mas dentro da \u00e1rea t\u00e9cnica, introduziu esse processo para induzir o cidad\u00e3o comum a participar do debate, dar sua opini\u00e3o, ouvir outras opini\u00f5es e, desse modo, se capacitar, aprender com o processo&#8221;, explica Lup\u00e9rcio Ziroldo.<\/p>\n<p>Erguida em um espa\u00e7o de 10 mil m\u00b2, a Vila Cidad\u00e3 vai oferecer atra\u00e7\u00f5es para todos os tipos de p\u00fablico. Gra\u00e7as \u00e0 realidade virtual, crian\u00e7as v\u00e3o poder descer ao fundo do mar num submarino ou voar sobre a floresta e os rios numa asa delta. E todos poder\u00e3o conhecer por dentro a Esta\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica Comandante Ferraz e andar na neve do Polo Sul.<\/p>\n<p>Para os adultos, a Arena das \u00c1guas, com capacidade para 300 pessoas, ser\u00e1 o palco de confer\u00eancias, apresenta\u00e7\u00f5es e talk shows com convidados nacionais e internacionais. Ser\u00e1 como um ponto de encontro para os visitantes dos v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 ainda o Cinema Cidad\u00e3o, com a exibi\u00e7\u00e3o de filmes que t\u00eam como tema a \u00e1gua, e o Mercado de Solu\u00e7\u00f5es, com a apresenta\u00e7\u00e3o de 60 experi\u00eancias individuais ou comunit\u00e1rias de diversas partes do mundo, todas relacionadas a boas pr\u00e1ticas e gest\u00e3o no uso da \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea recebe uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1gua, voc\u00ea passa a lidar com a \u00e1gua dentro de casa de outro modo. E a comunidade tamb\u00e9m passa a lidar melhor com a \u00e1gua\u201d<\/p>\n<h4>COMPARTILHANDO A \u00c1GUA<\/h4>\n<p>O Brasil foi escolhido para sediar o evento n\u00e3o por acaso. Segundo Ricardo Andrade, que \u00e9 diretor de Gest\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) e um dos 50 profissionais respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do f\u00f3rum, sua realiza\u00e7\u00e3o no Brasil se tornou \u201cquase que uma obriga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;As diversas institui\u00e7\u00f5es brasileiras ligadas \u00e0 \u00e1gua se reuniram e entenderam que estava na hora de realizar o f\u00f3rum na Am\u00e9rica do Sul. E isso se justificava com o argumento de que o Brasil tinha o que mostrar: a maior oferta h\u00eddrica individual do mundo\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se consegue oferecer \u00e1gua de boa qualidade no tempo certo e no lugar correto se n\u00e3o tiver financiamento, se n\u00e3o tiver uma boa governan\u00e7a\u201d. Na opini\u00e3o dele, n\u00e3o adianta oferecer \u00e1gua se n\u00e3o tratar o esgoto, porque o manancial perde a qualidade. Mas Andrade \u00e9 otimista e diz que os investimentos do governo avan\u00e7aram e a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ele avalia que a crise h\u00eddrica aumentou o interesse pelo tema. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que o fato de se correr o risco de n\u00e3o ter \u00e1gua em casa, leve as pessoas a refletir sobre a \u00e1gua dispon\u00edvel, a necessidade de economiz\u00e1-la, de usar essa \u00e1gua racionalmente, de proteg\u00ea-la de certa forma, de cobrar dos governantes, e n\u00e3o apenas dos governantes, mas do cidad\u00e3o, seu pr\u00f3prio vizinho\u201d.<\/p>\n<h4>VENDENDO IDEIAS E SOLU\u00c7\u00d5ES<\/h4>\n<p>Um dos pontos altos do 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua \u00e9 a Expo, com 18 pavilh\u00f5es de pa\u00edses que, segundo o diretor de Opera\u00e7\u00f5es, Rodrigo Cordeiro, atendeu todas as expectativas: \u201cA vinda desses pa\u00edses se consolida atrav\u00e9s da vinda de um grupo de empresas de cada um desses pa\u00edses e essas empresas procuram oportunidades no mercado brasileiro, assim como identificar solu\u00e7\u00f5es no mercado brasileiro que possam levar para os seus pa\u00edses\u201d.<\/p>\n<p>A \u00e1rea da Expo \u00e9 destinada exclusivamente aos 10 mil participantes inscritos no f\u00f3rum. \u00c9 la que eles v\u00e3o encontrar o que grandes corpora\u00e7\u00f5es multinacionais est\u00e3o desenvolvendo para tornar correto e sustent\u00e1vel o uso da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Para os mais de 30 mil visitantes esperados na Vila Cidad\u00e3 foi criada uma feira, onde estar\u00e3o institui\u00e7\u00f5es interessadas em apresentar seus produtos, servi\u00e7os e solu\u00e7\u00f5es relacionadas ao uso sustent\u00e1vel da \u00e1gua para empresas, consumidores, governos, sociedade e universidade.<\/p>\n<p>O 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua come\u00e7a no domingo, 18, e vai at\u00e9 o dia 23, no Centro de Conven\u00e7\u00f5es Ulysses Guimar\u00e3es. J\u00e1 a Vila Cidad\u00e3, a feira e a Expo ser\u00e3o abertas ao p\u00fablico neste s\u00e1bado, 17, \u00e0s 9h e v\u00e3o funcionar at\u00e9 o dia 23, diariamente das 9h \u00e0s 21h.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, que come\u00e7a neste domingo, 18, em Bras\u00edlia, deve reunir cerca de 45 mil pessoas interessadas no tema da \u00e1gua. Desse total, 10 mil s\u00e3o especialistas vindos de mais de 100 pa\u00edses que estar\u00e3o debatendo diferentes teses sobre a quest\u00e3o da \u00e1gua, em v\u00e1rios pain\u00e9is ao longo da semana. 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