{"id":93642,"date":"2018-03-12T11:56:58","date_gmt":"2018-03-12T14:56:58","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/03\/12\/refugiados-ganham-bolsas-para-cursar-universidade-no-brasil\/"},"modified":"2018-03-12T11:56:58","modified_gmt":"2018-03-12T14:56:58","slug":"refugiados-ganham-bolsas-para-cursar-universidade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=93642","title":{"rendered":"Refugiados ganham bolsas para cursar universidade no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A C\u00e1ritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro (C\u00e1ritas Rio), que atua h\u00e1 40 anos na busca pela prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o social dos direitos de refugiados e solicitantes de ref\u00fagio, assinou conv\u00eanio com a Universidade Veiga de Almeida (UVA) para concess\u00e3o de cinco bolsas integrais a refugiados que poder\u00e3o cursar gradua\u00e7\u00e3o naquela institui\u00e7\u00e3o de ensino. A iniciativa permite que esses refugiados possam reconstruir suas vidas profissionais.<\/p>\n<p>Os primeiros alunos que ingressar\u00e3o na universidade, que fica no bairro do Maracan\u00e3, por meio da parceria s\u00e3o da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, G\u00e2mbia e Venezuela, e est\u00e3o na faixa et\u00e1ria de 23 a 50 anos.V\u00e3o cursar Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Fisioterapia e Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo seletivo \u00e9 feito pela C\u00e1ritas e inclui verifica\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o exigida pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) para matr\u00edcula no ensino superior, que \u00e9 a conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio, com documento comprobat\u00f3rio, traduzido ou n\u00e3o, declara\u00e7\u00e3o sobre a escolha da gradua\u00e7\u00e3o e entrevista pessoal com a equipe acad\u00eamica da UVA.<\/p>\n<p>No caso das primeiras bolsas concedidas, foi feito contato com os refugiados que foram pr\u00e9-selecionados e que corresponderiam ao perfil estabelecido.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s fizemos uma sele\u00e7\u00e3o entre eles para ver quem estava mais apto a entrar\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a coordenadora do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Ref\u00fagio (Pare) da C\u00e1ritas Rio, Aline Thuller.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Import\u00e2ncia do interc\u00e2mbio<\/span><\/p>\n<p>O pr\u00f3-reitor de gradua\u00e7\u00e3o da UVA, Carlos Eduardo Nunes-Ferreira, afirmou que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da universidade se manter aberta a demandas da sociedade e do mundo. \u201cO ingresso dos cinco novos alunos n\u00e3o \u00e9 somente motivo de orgulho para a UVA; \u00e9 tamb\u00e9m a possibilidade de um rico interc\u00e2mbio de culturas para nossos alunos e professores\u201d, disse. A ideia \u00e9 realizar a cada ano, em todo o primeiro semestre, novas sele\u00e7\u00f5es para bolsas integrais.<\/p>\n<p>\u201cA gente fica muito animado com isso, porque a not\u00edcia j\u00e1 se espalhou e outras pessoas que a gente n\u00e3o tinha selecionado est\u00e3o demonstrando interesse. A gente fica feliz porque entende que essa possibilidade que a Veiga de Almeida abre \u00e9, na verdade, um passo muito importante na vida dessas pessoas. A gente fala em integra\u00e7\u00e3o local e pensa na inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Mas o que a universidade est\u00e1 fazendo \u00e9 abrindo a possibilidade para que eles se integrem com ainda mais dignidade no pa\u00eds; que eles possam realizar sonhos, mas tamb\u00e9m possibilitar que eles se insiram na sociedade brasileira com qualifica\u00e7\u00e3o\u201d, destacou Aline Thuller.<\/p>\n<p>Por isso, a C\u00e1ritas Rio v\u00ea com grande alegria a parceria com a UVA e seu futuro desdobramento. \u201c\u00c9 uma parceria muito importante para a gente\u201d, completou a coordenadora. Ela acredita que essa primeira pr\u00e1tica com a universidade poder\u00e1 ser replicada por outras institui\u00e7\u00f5es privadas e p\u00fablicas, para que abram oportunidades para que refugiados estudem.<\/p>\n<p>Segundo Aline, j\u00e1 h\u00e1 conversas avan\u00e7adas com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e com a Universidade Federal Fluminense (UFF) visando a elabora\u00e7\u00e3o de vestibulares diferenciados para refugiados.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">O perfil dos bolsistas<\/span><\/p>\n<p>Mariama Bah veio de um pa\u00eds (G\u00e2mbia) onde o destino das mulheres \u00e9 bem definido na sociedade: casar, ter filhos e cuidar da casa. Ela casou cedo, aos 13 anos, e teve uma filha, aos 14 anos, mas conseguiu fugir e chegou em 2013 ao Brasil, onde cursou o ensino m\u00e9dio, conclu\u00eddo no ano passado, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Rio.<\/p>\n<p>Mariama disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que escolheu cursar rela\u00e7\u00f5es internacionais no campus Tijuca \u201cporque tem muito a ver comigo, com os sonhos, com o que eu quero fazer na minha vida\u201d.<\/p>\n<p>Lembrou que teve a filha, hoje com 15 anos, muito jovem ainda, ao sair da escola. Sonhava, por\u00e9m, em ter educa\u00e7\u00e3o superior. \u201cDentro da minha fam\u00edlia, nenhuma mulher tem educa\u00e7\u00e3o superior. N\u00e3o tem ensino m\u00e9dio, muito menos faculdade. Era um sonho fazer isso [estudar]\u201d, confessou.<\/p>\n<p>Desde crian\u00e7a, Mariama fez trabalhos volunt\u00e1rios junto a entidades como a Cruz Vermelha, mas nunca imaginou que um dia seria refugiada e que precisaria que outras pessoas fizessem algo por ela.<\/p>\n<p>Atualmente com 29 anos, ela acredita que a bolsa concedida pela universidade vai proporcionar lutar para levar educa\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e jovens.<\/p>\n<p>\u201cA gente pode passar muitas coisas na vida, mas pode vencer com educa\u00e7\u00e3o. Eu me sinto bem fazendo isso, falando para as meninas que nosso lugar n\u00e3o \u00e9 na cozinha ou s\u00f3 cuidando dos filhos. Eu n\u00e3o sou contra isso, mas acho que voc\u00ea n\u00e3o precisa deixar de ser o que quer ser para se dedicar s\u00f3 ao casamento\u201d, salientou.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quinta-feira, 8, ela teve sua primeira aula na universidade e est\u00e1 confiante que vai ser a primeira mulher universit\u00e1ria de seu pa\u00eds. Mariama mora em Cabu\u00e7u, bairro do munic\u00edpio de Nova Igua\u00e7u, na Baixada Fluminense.<\/p>\n<p>Os quatro demais primeiros bolsistas do conv\u00eanio com a UVA s\u00e3o Kabagambe Magbo Sammy, da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, que vai estudar Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o no campu&#8217; Tijuca; Oscar Orlando Santander Rodriguez, da Venezuela, advogado e ex-funcion\u00e1rio de uma empresa estatal venezuelana, vai fazer Rela\u00e7\u00f5es Internacionais no campus Barra; Isamar Andre\u00edna Su\u00e1rez Su\u00e1rez, da Venezuela, ex-atleta de alto rendimento de Rugby, vai cursar Fisioterapia, no campus Tijuca; e Ana Maria Guerra Herrera, tamb\u00e9m da Venezuela, escolheu a gradua\u00e7\u00e3o em Fisioterapia.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C\u00e1ritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro (C\u00e1ritas Rio), que atua h\u00e1 40 anos na busca pela prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o social dos direitos de refugiados e solicitantes de ref\u00fagio, assinou conv\u00eanio com a Universidade Veiga de Almeida (UVA) para concess\u00e3o de cinco bolsas integrais a refugiados que poder\u00e3o cursar gradua\u00e7\u00e3o naquela institui\u00e7\u00e3o de ensino. 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