{"id":93295,"date":"2018-03-06T23:56:30","date_gmt":"2018-03-07T02:56:30","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/03\/06\/o-palco-e-para-todas-que-sonham-com-uma-realidade-diferente\/"},"modified":"2018-03-06T23:56:30","modified_gmt":"2018-03-07T02:56:30","slug":"o-palco-e-para-todas-que-sonham-com-uma-realidade-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=93295","title":{"rendered":"O PALCO \u00c9 PARA TODAS QUE SONHAM COM UMA REALIDADE DIFERENTE"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Sou dona de mim<br \/>N\u00e3o perten\u00e7o a ningu\u00e9m<br \/>Tenho valor e n\u00e3o pre\u00e7o<br \/>Dispenso grandes vaidades<br \/>Mulheres n\u00e3o s\u00e3o propriedades&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 com esse trecho do texto \u201cSobre mim. O nome\u201d da poeta de 21 anos Laura Concei\u00e7\u00e3o que abrimos a terceira mat\u00e9ria de nossa s\u00e9rie de reportagens em celebra\u00e7\u00e3o ao Dia Internacional da Mulher. No final do m\u00eas, Laura completa mais um ano de vida e a atriz Marcinha Falabella 32 anos dedicados ao grupo teatral Divulga\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). As duas encontraram nos palcos uma forma de se expressar e buscar igualdade entre os g\u00eaneros.<\/p>\n<p>\u201cNem como professora e nem como atriz sofri algum tipo de preconceito. Fico feliz em trabalhar em espa\u00e7os em que a mulher sempre foi respeitada. A arte oferece esses espa\u00e7os\u201d, refletiu Marcinha. Mas a poeta n\u00e3o teve a mesma \u201csorte\u201d. \u201cEu j\u00e1 sofri preconceito por ser mulher, n\u00e3o s\u00f3 dentro do movimento hip hop, mas em todos os setores da sociedade. \u00c0s vezes, a gente recebe menos, n\u00e3o tem oportunidade ou n\u00e3o tem o nome escrito no cartaz do evento. Isso tudo por ser mulher. \u00c9 uma luta di\u00e1ria mesmo\u201d, afirmou Laura.<\/p>\n<p>Marcinha relembrou que ao longo de um per\u00edodo na hist\u00f3ria as mulheres tinham certo poder na sociedade. \u201cAntes da submiss\u00e3o das mulheres ao longo da hist\u00f3ria da sociedade patriarcal, elas tinham poder dentro de algumas tribos porque davam a vida a outro ser e as pessoas achavam isso uma coisa extraordin\u00e1ria. Isso ocorreu at\u00e9 o momento em que os homens entenderam que fazem parte do processo de cria\u00e7\u00e3o e, como eram mais fortes, reverteram\u201d, contou Marcinha. \u201cCom essa mudan\u00e7a, ao longo dos anos, sempre tivemos mulheres que acharam uma brecha para poder lutar e conquistar espa\u00e7o e na arte foi muito significativo como, por exemplo, a carreira de atriz. Durante muito tempo, as atrizes eram consideradas prostitutas, mas mesmo assim elas batalharam, encontraram os seus espa\u00e7os, at\u00e9 a profiss\u00e3o ser regulamentada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>COMO TUDO COME\u00c7OU<\/h4>\n<p>Marcinha iniciou o seu envolvimento com o Grupo Divulga\u00e7\u00e3o durante a faculdade, quando conheceu o professor Jos\u00e9 Luiz Ribeiro. \u201cEu estou envolvida com o teatro desde sempre, na verdade. Eu fazia participa\u00e7\u00f5es em eventos e pe\u00e7as teatrais da escola. Queria cursar teatro, mas na \u00e9poca do vestibular desisti porque eu n\u00e3o iria me mudar para o Rio de Janeiro, porque eu era muito nova e muito ligada \u00e0 minha fam\u00edlia. Al\u00e9m disso, n\u00e3o tinha experi\u00eancia\u201d, contou a atriz. \u201cEscolhi Comunica\u00e7\u00e3o porque era o que mais se aproximava do teatro. E n\u00e3o era que a minha intui\u00e7\u00e3o estava certa! No terceiro per\u00edodo da faculdade, fazia uma disciplina com o professor Z\u00e9 Luiz e ele falou do curso que tinha. Eu j\u00e1 tinha assistido alguns trabalhos do Divulga\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, eu resolvi fazer\u201d.<\/p>\n<p>Ela decidiu que iria permanecer no teatro at\u00e9 se formar e resolver que caminho seguir. Depois de graduada, Marcinha foi conhecer o mercado teatral em S\u00e3o Paulo, mas logo retornou \u00e0 Juiz de Fora. \u201cEnt\u00e3o, a Malu, esposa do Z\u00e9 Luiz e que tamb\u00e9m foi minha professora na faculdade, me sugeriu que eu fizesse mestrado em Teoria da Literatura, no qual eu estudaria dramaturgia. Assim, estudaria e continuaria no teatro. Nesse momento, j\u00e1 tinha quatro anos que fazia teatro e tamb\u00e9m j\u00e1 estava tendo reconhecimento como atriz. Ent\u00e3o continuei no Divulga\u00e7\u00e3o e no final deste m\u00eas completa 32 anos que comecei a fazer teatro no grupo\u201d, completou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alguns anos nos palcos, Marcinha levou o seu lado atriz para as salas de aula. \u201cDepois que j\u00e1 tinha feito o mestrado, abriu concurso de professor substituto na Universidade e eu passei. Seis meses depois, teve para professor efetivo e eu tamb\u00e9m passei. E estar dentro da sala de aula \u00e9 tamb\u00e9m fazer um pouco de teatro. A gente tem um p\u00fablico, que a gente precisa criar uma conex\u00e3o, e est\u00e1 ali interpretando um papel. Eu tamb\u00e9m amo e est\u00e1 muito conectado com eu fa\u00e7o no teatro\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Para ela, as suas conquistas na vida se devem ao teatro. \u201cEu nunca pensei em seguir outra profiss\u00e3o. Tamb\u00e9m tenho escrito sobre o teatro, tanto na \u00e1rea acad\u00eamica quanto liter\u00e1ria. Tudo na minha vida gira em torno do teatro. Por exemplo, se olho uma vitrine penso em como ela seria uma cenografia legal, que as pe\u00e7as poderiam formar uma figurino\u201d, afirmou Marcinha. \u201cO meu olhar para o mundo sempre perpassa pelo teatro. Sem contar que, em contrapartida, fazer teatro desenvolveu uma s\u00e9ria de coisas de improviso diante da vida. Eu aprendi a costurar, pregar bot\u00e3o e fazer bainha confeccionando figurino. Aprendi a fazer uma liga\u00e7\u00e3o el\u00e9trica aqui tamb\u00e9m\u201d, salientou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>RAP: A VOZ DAQUELES QUE PRECISAM SER OUVIDOS<\/h4>\n<p>Laura Concei\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a se dedicar ao rap aos trezes anos, ap\u00f3s ouvir um e decidir que queria transformar os seus poemas em m\u00fasica tamb\u00e9m. \u201cPor\u00e9m, tem dois anos que eu estou na cena de Juiz de Fora, me apresentando e batalhando freestyle nos encontros de Mc\u2019s\u201d, contou a poeta, que vem de uma fam\u00edlia de m\u00fasicos.<\/p>\n<p>\u201cMuito das minhas letras, das minhas rimas, falam da luta di\u00e1ria de uma mulher na sociedade. As situa\u00e7\u00f5es que vivencio me inspiram muito e influenciam as minhas letras\u201d, disse Laura.<\/p>\n<p>Para ela, o rap \u00e9 uma ferramenta de resist\u00eancia. \u201cO rap \u00e9 luta, for\u00e7a, resist\u00eancia e voz de quem precisa ter voz, precisa passar uma mensagem na sociedade\u201d, concluiu.<\/p>\n<hr \/>\n<h4>CONFIRA O POEMA DA LAURA NA \u00cdNTEGRA<\/h4>\n<p><strong>Sobre mim. O nome<\/strong><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 Laura Concei\u00e7\u00e3o<br \/>Mega mente hoje mega contente<br \/>Filha de dois professores<br \/>Orgulhosamente<\/p>\n<p>Minha inf\u00e2ncia foi vivida<br \/>Era uma pouco deprimida<br \/>Fui feliz muito embora<br \/>Sofria bullying na minha escola<br \/>Meus amigos me chamavam de masculina e gorda<br \/>Hoje eu calo eles n\u00e3o calando a minha boca<br \/>Mas quem diria<br \/>Hoje eu sou feliz com a poesia<br \/>Convivi com pessoas t\u00e3o vazias e t\u00e3o lindas<br \/>Mas sempre com baixo astral<br \/>Donas de um imp\u00e9rio enorme<br \/>Imp\u00e9rio material<\/p>\n<p>Quem muito tem nada tem<br \/>Hoje em dia ter \u00e9 poder<br \/>mas a grande quest\u00e3o \u00e9 que<br \/>Ter nem sempre \u00e9 viver<\/p>\n<p>Trago calos nas m\u00e3os<br \/>Por escrever demais<br \/>Desafiando algumas leis<br \/>N\u00e3o considero Xuxa rainha nem<br \/>Roberto Carlos rei<br \/>Contudo A real realeza de mim n\u00e3o escapa<br \/>Convivo com um rei e uma rainha<br \/>Dentro da minha pr\u00f3pria casa<\/p>\n<p>Ando cercada de gente<br \/>Cultivo alguns amores<br \/>Tenho poucos amigos<br \/>Grande parte s\u00f3 quer favores<\/p>\n<p>N\u00e3o julgo as pessoas<br \/>Pois n\u00e3o conhe\u00e7o suas hist\u00f3rias<br \/>Como muitos que me julgam<br \/>S\u00f3 conhecem as minhas gl\u00f3rias<br \/>Acredito muito no amor<br \/>Que uns alegam estar extinto<br \/>N\u00e3o falo pelas costas, pois n\u00e3o vim aqui pra isso<\/p>\n<p>Sou Sonhadora na pr\u00e1tica<br \/>Pra trazer de forma &#8216;infatica&#8217;<br \/>Na &#8216;inrregular&#8217; gram\u00e1tica<br \/>Da minha Marginal literatura<br \/>O sonho de pequenas outras<br \/>tantas criaturas<br \/>Que j\u00e1 me ouviram em suas escolas<br \/>Ou no meio de suas ruas<br \/>Dentre todos os rem\u00e9dios<br \/>poesia trouxe minha cura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou dona de mim<br \/>N\u00e3o perten\u00e7o a ningu\u00e9m<br \/>Tenho valor e n\u00e3o pre\u00e7o<br \/>Dispenso grandes vaidades<br \/>Mulheres n\u00e3o s\u00e3o propriedades<br \/><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Laura Concei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Sou dona de mimN\u00e3o perten\u00e7o a ningu\u00e9mTenho valor e n\u00e3o pre\u00e7oDispenso grandes vaidadesMulheres n\u00e3o s\u00e3o propriedades&#8221;. \u00c9 com esse trecho do texto \u201cSobre mim. 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