{"id":93215,"date":"2018-03-06T01:07:55","date_gmt":"2018-03-06T04:07:55","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/03\/06\/moda-como-ferramenta-de-luta-e-resitencia-das-mulheres\/"},"modified":"2018-03-06T01:07:55","modified_gmt":"2018-03-06T04:07:55","slug":"moda-como-ferramenta-de-luta-e-resitencia-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=93215","title":{"rendered":"MODA COMO FERRAMENTA DE LUTA E RESIT\u00caNCIA DAS MULHERES"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Abrimos essa reportagem com as frases de Chanel, pois ela \u00e9 uma das mulheres que marcaram a ind\u00fastria da moda em uma \u00e9poca em que n\u00e3o se falava sobre a liberdade feminina. \u201cCoco veio com uma estrutura que mudou a forma de ver o corpo da mulher. Ela mesma diz que a moda \u00e9 como arquitetura, \u00e9 uma quest\u00e3o de propor\u00e7\u00e3o\u201d, destacou Ana Paula Calixto, coach de imagem e comportamento.<\/p>\n<p>Conhecida por criar e popularizar a minissaia na d\u00e9cada de 1960, a estilista inglesa Mary Quant foi uma das primeiras mulheres a desfilar por a\u00ed com os joelhos \u00e0 mostra. A autoria da pe\u00e7a gera impasse na ind\u00fastria. Al\u00e9m da inglesa, o franc\u00eas Andr\u00e9 Courr\u00e8ges, inventor do vestido trap\u00e9zio, tamb\u00e9m \u00e9 considerado um pioneiro da minissaia.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px; font-weight: bold;\">&nbsp;MODA NA ATUALIDADE<\/span><\/p>\n<p>A coach ressaltou, que hoje, a maior conquista na moda \u00e9 a escolha. \u201cA roupa permite voc\u00ea ser o que quiser. Atrav\u00e9s dela, posso expressar as minhas inseguran\u00e7as ou conquistas, por ser uma express\u00e3o n\u00e3o verbal, e isso \u00e9 a grande for\u00e7a da moda\u201d, disse Ana Paula. \u201cFala-se muito da morte das tend\u00eancias porque as pessoas podem escolher o seu pr\u00f3prio estilo, por\u00e9m a tend\u00eancia \u00e9 uma oferta, um direcionamento e, por isso, nunca vai morrer. O estilo n\u00e3o a anula, e nem vice e versa, pois s\u00e3o complementares. O estilo nada mais \u00e9 que escolha\u201d, completou.<\/p>\n<p>Ela relembrou que as restri\u00e7\u00f5es ao vestu\u00e1rio da mulher \u00e9 muito menor atualmente. \u201cAntes, as mulheres n\u00e3o podiam mostrar partes do corpo e hoje t\u00eam mais liberdade para se vestirem\u201d, pontuou. \u201cA moda \u00e9 um movimento e se voc\u00eas quiser acompanhar, \u00f3timo. Mas o seu estilo tamb\u00e9m \u00e9 um movimento\u201d, salientou Ana Paula.<\/p>\n<p>Hoje em dia, tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00e1rias quebras de padr\u00f5es, afirmou a coach. \u201cN\u00e3o tem certo ou errado e esses padr\u00f5es est\u00e3o caindo por terra. Quando voc\u00ea se sente inclu\u00eddo, se sente bem consigo mesmo e consegue transmitir isso visualmente, te d\u00e1 um empoderamento. A roupa \u00e9 uma embalagem que voc\u00ea coloca em vota de voc\u00ea, como voc\u00ea se apresenta ao mundo, por isso tem que investir, e n\u00e3o \u00e9 financeiramente, mas sim, desenvolvendo t\u00e9cnicas para aprimorar o seu estilo e mostrar a melhor vers\u00e3o de voc\u00ea\u201d, concluiu.<\/p>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4>SOBREPESO N\u00c3O \u00c9 SIN\u00d4NIMO DE FEIURA<\/h4>\n<p>A blogueira de moda Helena Gomes de S\u00e1 passou por esse momento de aceita\u00e7\u00e3o. Hoje, compartilha sua experi\u00eancia no meio fashion para quase 30 mil pessoas no Facebook e 13 mil no Instagram, mas para chegar a esse ponto, precisou enfrentar o preconceito e a baixa-estima. \u201cA moda era, e ainda \u00e9, muito opressora para as mulheres. E para mim, uma mulher acima do peso, ainda \u00e9 mais dif\u00edcil\u201d, salientou Helena. \u201cEntrar nesse meio da moda, falar sobre isso no blog foi um ato de tentar resolver essa quest\u00e3o que sempre foi dif\u00edcil para mim. Mesmo na adolesc\u00eancia era \u00e1rduo encontrar uma pe\u00e7a que tinha a ver com o meu estilo e tivesse o meu tamanho\u201d, relembrou.<\/p>\n<p>O blog Garotas Rosa Choque completa oito anos em maio, por\u00e9m apenas em 2014 a autora teve coragem de se mostrar para as suas leitoras. \u201cO blog veio para mostrar que a pessoa acima do manequim padr\u00e3o, que a sociedade e a moda imp\u00f5em, pode ter estilo, se vestir bem e pode usar o que quiser. Consegui chegar a um n\u00edvel de autoestima de entender que tenho o direito \u00e0 moda, que tenho estilo e bom gosto igual a qualquer outra mulher. Ent\u00e3o, foi a partir da\u00ed que comecei a me expressar atrav\u00e9s da moda, atrair empresas que viram potencial e despertar a curiosidade nas mulheres que acompanham o meu trabalho\u201d, afirmou Helena.<\/p>\n<p>A blogueira disse que diversos fatores a fizeram demorar a se libertar e o principal era que ela estava em um relacionamento abusivo at\u00e9 o final de 2013. \u201cEssa pessoa me impedia de fazer e crescer. Estava sempre criticando e me colocando para baixo. Em uma ocasi\u00e3o, ele me questionou o porqu\u00ea de eu ter um blog de beleza se eu era \u2018gorda\u2019. Para ele, a beleza n\u00e3o estava relacionada a uma pessoa acima do peso e tudo isso me colocava para baixo, eu acreditava nessas coisas, que eu n\u00e3o tinha esse direito\u201d, contou.<\/p>\n<p>Mas esse n\u00e3o foi o \u00fanico obst\u00e1culo enfrentado por Helena. \u201cNa \u00e9poca, eu tamb\u00e9m maquiava em alguns trabalhos para alguns fot\u00f3grafos. Eles me diziam \u2018o seu blog est\u00e1 crescendo, vamos fazer um trabalho\u2019, mas eles n\u00e3o queriam me produzir e me fotografar para o meu pr\u00f3prio blog, eles queriam uma modelo magra\u201d, revelou a blogueira. \u201cDemorei a me tocar que eu podia sim e que o resultado ia ficar \u00f3timo. Em 2014, conheci o Mateus Aguiar, que foi meu fot\u00f3grafo por algum tempo. Ele me fotografou e quando o vi as primeiras fotos eu at\u00e9 chorei, porque ficaram maravilhosas e eu nunca tinha me enxergado bonita e com estilo\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Helena advertiu que muitas pessoas pensam que a moda \u00e9 s\u00f3 futilidade, por\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com o direito de ir e vir das pessoas. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o tem uma roupa do seu tamanho, voc\u00ea est\u00e1 limitada e voc\u00ea, por exemplo, n\u00e3o pode ir a uma entrevista de emprego bem vestida. Muitas mulheres n\u00e3o tem acesso e eu mostro [no blog] que tem sa\u00edda. Antes, a gente via os blogs e looks do dia de meninas magras e n\u00e3o consegu\u00edamos encaixar na nossa realidade. Por isso meu trabalho \u00e9 importante, porque essas mulheres tem acesso a um conte\u00fado que n\u00e3o tinham\u201d, ponderou a blogueira. \u201cSe aceitar n\u00e3o \u00e9 se conformar, \u00e9 come\u00e7ar um processo de autoconhecimento e perceber os seus limites, sua beleza e deixar o que a sociedade imp\u00f5e de lado para se enxergar e se conhecer melhor\u201d, orientou.<\/p>\n<p>De uns tempos para c\u00e1, disse Helena, algumas marcas tem atendido a necessidade das mulheres acima do manequim 48. \u201cO mercado plus size, mesmo nessa \u00e9poca de crise, \u00e9 um dos poucos que est\u00e1 crescendo. As pessoas acima do peso est\u00e3o procurando, querem consumir roupa de qualidade, n\u00e3o querem mais o tipo de roupa que estavam empurrando para a gente. Queremos o mesmo que todo mundo usa\u201d, assegurou.<\/p>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4>CABELO CRESPO E A AFIRMA\u00c7\u00c3O DA IDENTIDADE NEGRA<\/h4>\n<p>A falta de produtos no mercado para o p\u00fablico negro e a imposi\u00e7\u00e3o da sociedade tamb\u00e9m tiveram reflexo na vida da Denise do Nascimento, uma das organizadoras do Encrespa Geral em Juiz de Fora. O Encrespa \u00e9 um evento que celebra a inspira\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do cabelo sem qu\u00edmica. \u201c\u00c9 um evento aberto para todas as pessoas e tamb\u00e9m tem como objetivo levar alguns elementos da cultura negra para os participantes. Em Juiz de Fora, existe desde 2014 e no ano passado realizamos a 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Reunimos um p\u00fablico diverso, de v\u00e1rias idades\u201d, disse Denise.<\/p>\n<p>Aos oito anos, ela come\u00e7ou a usar produtos para alisar o cabelo e os deixou de usar h\u00e1 quatro, quando j\u00e1 tinha 27 anos. \u201cDentro da minha fam\u00edlia n\u00e3o havia essa percep\u00e7\u00e3o que os nossos cabelos poderiam existir sem alguma qu\u00edmica. Na \u00e9poca da minha m\u00e3e, por exemplo, n\u00e3o havia nenhum tipo de ferramenta para manter o cabelo crespo, tanto nos cuidados como na informa\u00e7\u00e3o sobre o cabelo\u201d, relembrou.<\/p>\n<p>Denise destacou que n\u00e3o foi apenas a falta de suporte para a manuten\u00e7\u00e3o dos fios, mas tamb\u00e9m a imposi\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o de beleza. \u201cMinha fam\u00edlia, e outras tantas fam\u00edlias negras, foram influenciadas por esse padr\u00e3o do que \u00e9 um cabelo bom e bonito, geralmente associado ao cabelo liso, e o que \u00e9 um cabelo feio e ruim, associado ao crespo. Existe todo um imagin\u00e1rio constru\u00eddo em torno do cabelo e do corpo negro que faz tamb\u00e9m, diante dessa imposi\u00e7\u00e3o de padr\u00e3o, que as informa\u00e7\u00f5es e o acesso a elas seja dif\u00edcil\u201d, alegou.<\/p>\n<p>Um elemento que ainda instiga a colabora\u00e7\u00e3o nessa imposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00eddia. \u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o colaboram invisibilizando a diversidade, esses corpos que s\u00e3o diferentes. Eles determinam e constroem um padr\u00e3o do que \u00e9 bonito, invisibilizando outras est\u00e9ticas que existem\u201d, frisou Denise. \u201cHoje, ainda vemos poucas mulheres negras na m\u00eddia com os seus cabelos naturais\u201d.<\/p>\n<p>Para ela, o processo de aceita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio cabelo impacta a autoestima da mulher negra, pois assim ela consegue ver o seu cabelo natural como algo belo. \u201cA import\u00e2ncia \u00e9 que a gente tem o corpo e o cabelo como suporte de uma identidade negra. Acho que para mulher negra assumir o seu cabelo natural \u00e9 ter a possibilidade de utilizar um desses suportes. \u00c9 poder se ver de outra forma em uma sociedade que na maior parte das vezes desconsidera a est\u00e9tica negra e a tem como marginal diante de um padr\u00e3o de beleza que \u00e9 branco\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Denise tamb\u00e9m refletiu sobre as mulheres que ainda alisam os seus fios. \u201cElas n\u00e3o deixam de ser negras e o racismo n\u00e3o deixa de impactar a vida delas porque optaram pelo cabelo liso e relaxado. A grande quest\u00e3o \u00e9 o quanto o padr\u00e3o de beleza impacta nessa decis\u00e3o\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>DICA<\/h4>\n<p>O Centro Universit\u00e1rio Est\u00e1cio Juiz de Fora realiza nessa quarta-feira, 7, no Audit\u00f3rio Rachel de Queiroz, uma mesa de debate com o tema \u201cProtagonismo feminino: avan\u00e7os e desafios\u201d. O evento ser\u00e1 mediado pela coordenadora dos cursos de Comunica\u00e7\u00e3o da Est\u00e1cio, Aline Maia, e contar\u00e1 com as participa\u00e7\u00f5es da professora do curso de Moda e Designer , Selma Flutt, da m\u00e9dica Alessandra Brun, e das empres\u00e1rias Simone Fernandes e Andrea Rocha.<\/p>\n<p>\u201cElas v\u00e3o discutir o papel feminino na sociedade, o protagonismo feminino, e os avan\u00e7os e os desafios das mulheres tanto no mercado de trabalho como na sociedade de maneira geral\u201d, explicou Ana Paula Calixto, organizadora do evento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Abrimos essa reportagem com as frases de Chanel, pois ela \u00e9 uma das mulheres que marcaram a ind\u00fastria da moda em uma \u00e9poca em que n\u00e3o se falava sobre a liberdade feminina. \u201cCoco veio com uma estrutura que mudou a forma de ver o corpo da mulher. 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