{"id":91982,"date":"2018-02-16T22:09:42","date_gmt":"2018-02-17T00:09:42","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2018\/02\/16\/semana-nacional-de-combate-ao-alcoolismo-chama-atencao-para-consequencia-do-uso-abusivo-da-bebida\/"},"modified":"2018-02-16T22:09:42","modified_gmt":"2018-02-17T00:09:42","slug":"semana-nacional-de-combate-ao-alcoolismo-chama-atencao-para-consequencia-do-uso-abusivo-da-bebida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=91982","title":{"rendered":"Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo chama aten\u00e7\u00e3o para consequ\u00eancia do uso abusivo da bebida"},"content":{"rendered":"<p>Droga l\u00edcita, socialmente aceita e de f\u00e1cil acesso: o \u00e1lcool \u00e9 respons\u00e1vel por acabar com muitas vidas e traz tristeza para v\u00e1rias fam\u00edlias. Al\u00e9m dos danos f\u00edsicos, existem tamb\u00e9m os ps\u00edquicos e sociais que ele causa. Nas proximidades do in\u00edcio da \u201cSemana Nacional de Combate ao Alcoolismo\u201d, que come\u00e7a a partir deste pr\u00f3ximo domingo, 18, o tema volta \u00e0 tona e faz uma reflex\u00e3o sobre um malef\u00edcio que tem atingido cada vez mais pessoas, principalmente os jovens.<\/p>\n<p>\u201cOs especialistas mostram que a adolesc\u00eancia \u00e9 um per\u00edodo caracterizado pelo uso do \u00e1lcool e de outras drogas. A exposi\u00e7\u00e3o e o consumo nessa faixa et\u00e1ria s\u00e3o fatores de riscos para que na idade adulta, esses jovens venham se tornar dependentes dessas subst\u00e2ncias. Quanto mais cedo experimentam, est\u00e3o propensos a ter problemas \u00e0 frente\u201d, afirma o m\u00e9dico psiquiatra e coordenador do Ambulat\u00f3rio de \u00c1lcool e Drogas do Hospital Universit\u00e1rio da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), Alexandre de Rezende.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico, o alcoolismo \u00e9 um problema cr\u00f4nico, grave e complexo, assim como deve ser o tratamento. \u201c\u00c9 classificado como um transtorno psiqui\u00e1trico, que tem algumas dimens\u00f5es biol\u00f3gicas. O uso prolongado e cont\u00ednuo ocasiona adapta\u00e7\u00f5es em circuitos cerebrais que fazem com que o indiv\u00edduo busque essa substancia at\u00e9 depois de um dado momento de uso para evitar abstin\u00eancia. \u00c9 uma doen\u00e7a complexa, com v\u00e1rias nuances, mas alguns elementos podem descrev\u00ea-la: primeiro, a perda do controle. O indiv\u00edduo, depois de um tempo de depend\u00eancia, n\u00e3o consegue ter controle sobre a quantidade que vai ingerir, o momento que vai usar, come\u00e7a a ter um estreitamento no repertorio de atividades e tudo vai se limitando ao uso do \u00e1lcool. Ele vai abandonando a rotina, a fam\u00edlia e come\u00e7a a ter preju\u00edzos no trabalho\u201d, explica ele, refor\u00e7ando a necessidade de intensificar o tratamento para as pessoas que t\u00eam tend\u00eancias a se tornarem dependentes. \u201cVivemos uma certa contradi\u00e7\u00e3o, pois, pela legisla\u00e7\u00e3o, os estabelecimentos s\u00e3o proibidos de venderem \u00e1lcool para menores de 18, mas acaba que temos uma cultura permissiva em rela\u00e7\u00e3o a isso. N\u00e3o s\u00f3 a cultura, como um momento oportuno. No carnaval, por exemplo, cria-se essa ideia coletiva de que todos bebem e que o consumo tem que ser alto. O adolescente acaba sendo alvo disso. Existe todo um contexto social que \u00e9 permissivo\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>TRATAMENTO<\/strong><\/p>\n<p>Em Juiz de Fora, algumas institui\u00e7\u00f5es oferecem acompanhamentos para os dependentes. No bairro Dom Bosco, o Ambulat\u00f3rio de \u00c1lcool e Drogas funciona semanalmente e, desde a sua cria\u00e7\u00e3o em 2009, j\u00e1 atendeu a cerca de 550 pacientes. Atualmente, 100 pessoas s\u00e3o atendidas. Elas recebem atendimento multidisciplinar, com acompanhamento de m\u00e9dico psiqui\u00e1trico, atendimento do servi\u00e7o social e enfermagem, atividades da psicologia em grupos e individuais.<\/p>\n<p>Segundo a assistente social do ambulat\u00f3rio, Lesli\u00ea Freitas, discutir esse assunto \u00e9 a chance de sensibilizar e alertar a popula\u00e7\u00e3o sobre a depend\u00eancia do alcoolismo. \u201cPor ser uma droga l\u00edcita, as pessoas v\u00eaem o uso abusivo com naturalidade. As campanhas ajudam a reconhecer a doen\u00e7a e mostrar para as pessoas que ela tem tratamento. Hoje, \u00e9 muito f\u00e1cil o acesso ao \u00e1lcool, especialmente para os mais jovens. Apesar da exist\u00eancia de leis de prote\u00e7\u00e3o, os estabelecimentos n\u00e3o cumprem. Fazendo esse alerta, podemos ter um ganho futuro e reprimir essa depend\u00eancia\u201d, cometa.<\/p>\n<p>Os grupos dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos (AA) s\u00e3o outros espa\u00e7os onde as pessoas conseguem tratamento. De acordo com o diretor administrativo do AA na cidade, Luiz de Brito, a organiza\u00e7\u00e3o tem realizado diversos trabalhos. Atrav\u00e9s do Comit\u00ea Trabalhando com Outros (CTO), \u00e9 desenvolvido um trabalho direto com o alco\u00f3latra, chamado de 12 passos. \u201cEsse \u00e9 o programa de recupera\u00e7\u00e3o, onde as pessoas experimentam um despertar espiritual, no qual procuramos transmitir a mensagem a esse alco\u00f3latra que ainda sofre. Muitas vezes, tamb\u00e9m vamos \u00e0 casa das pessoas que pedem ajuda e oferecemos um convite para entrar no grupo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na cidade, a equipe possui 30 salas de reuni\u00f5es, atendendo a mais de 450 pessoas. Os grupos se re\u00fanem semanalmente para trocar experi\u00eancias. Brito lembra que \u00e9 preciso a for\u00e7a de vontade do alco\u00f3latra para procurar ajuda. \u201cAcredito que o alco\u00f3latra, muita das vezes, precisa chegar at\u00e9 o \u2018fundo do po\u00e7o\u2019 para pedir ajuda. As pessoas est\u00e3o procurando nossos servi\u00e7os, seja ela jovem, idosa, mulher ou homem. O \u00fanico requisito que solicitamos \u00e9 querer parar de beber\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>E L\u00c1 SE VAI 32 ANOS SEM BEBER<\/strong><\/p>\n<p>E foi o fundo do po\u00e7o que fez Ant\u00f4nio (nome fict\u00edcio por conta do anonimato) procurar ajuda. Ele conta que primeiro contato com \u00e1lcool foi aos 13 anos de idade por um motivo simples: Ele estava em um lugar que tinha bebida e provou. \u201cEra vinho. Bebi bastante. Fui reprimido pelo \u2018porre\u2019. Mas, no outro dia, quando me reuni com meus amigos, as maiorias dos meninos sequer podiam sentir cheiro de uva. Eu tentava entrar no galp\u00e3o onde havia bebido na noite anterior para ver se tinha mais vinho\u201d, diz o alco\u00f3latra em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele revela que conhecer o \u00e1lcool foi um \u201cdespertar para vida\u201d. \u201cA vida s\u00f3 fazia sentido com o copo na m\u00e3o. Nunca mais perdi a oportunidade para beber. Sempre criava uma. Hora fazia festa em minha casa, na dos amigos, tudo para beber. No in\u00edcio, trazia vantagens, que eram ilus\u00f3rias. Tornava-me mais bonito, dan\u00e7ante, falante, inteligente, e isso me atraia. A principal caracter\u00edstica do alco\u00f3latra \u00e9 a resist\u00eancia. Ningu\u00e9m se preocupava com minha forma de beber. Sempre levava \u2018tapinhas\u2019 nas costas dos colegas e das m\u00e3es, ainda mais quando os levava para suas casas, e elas me diziam: \u2018N\u00e3o deixa meu filho beber com voc\u00ea, pois ele n\u00e3o sabe e voc\u00ea tem resist\u00eancia. Bebe e continua inteiro, enquanto que meu garoto est\u00e1 passando mal\u2019. Aquilo me trazia sentimento de grandeza. Era forte para ingerir \u00e1lcool. S\u00f3 que com o passar dos tempos os problemas surgiram\u201d, lembra Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>O ex-alco\u00f3latra conta que como um \u201cnadador distra\u00eddo\u201d foi puxado pela correnteza, e quando percebeu estava no fundo do mar. \u201cS\u00f3 percebi depois de perder um casamento por conta do \u00e1lcool, e depois de estar internado no hospital por problemas de sa\u00fade. Quando fui receber alta, o m\u00e9dico me chamou do lado de fora e disse: \u2018Sei que voc\u00ea pode beber, tem dinheiro nos bolsos, os botecos est\u00e3o abertos e a vida e sua. Voc\u00ea pode fazer o que bem entender. Agora, se eu fosse voc\u00ea, parava\u2019. Eu disse para ele que n\u00e3o ia beber e dei minha palavra. Por\u00e9m, ele me falou que as coisas n\u00e3o eram t\u00e3o f\u00e1ceis e que precisaria de ajuda. Respondi, em tom de ironia, que ele n\u00e3o me conhecia e que n\u00e3o precisa disso. Nem percebi que havia sa\u00eddo andando e que no final do corredor ele tinha dito que o AA poderia me ajudar. sai dali para provar que ele estava errado. Sabia que estava com problemas card\u00edaco, g\u00e1strico, e que se bebesse era quase suic\u00eddio, pois poderia morrer aos 28 anos de idade\u201d, revela. No entanto, 21 dias depois, Ant\u00f4nio se convenceu de que se tomasse tr\u00eas doses de pingas por dia n\u00e3o iria fazer mal. \u201cAt\u00e9 que veio o primeiro descontrole, o segundo e a cada porre que tomava lembrava da fala do m\u00e9dico. Em um determinado dia, pedi para algu\u00e9m me apresentar ao AA, pois estava ficando louco e n\u00e3o conseguia parar de beber\u201d, relata.<\/p>\n<p>Nos grupos dos AA, o ex-alco\u00f3latra descobriu que o alcoolismo era uma doen\u00e7a: progressiva, incur\u00e1vel e de termina\u00e7\u00e3o fatal. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, a ideia que tinha de alcoolismo era que era falta de vergonha, ju\u00edzo e car\u00e1ter. N\u00e3o conseguia aceitar, pois tinha tudo isso, e tamb\u00e9m n\u00e3o compreendia o fato de que depois de \u2018tomar uma\u2019, todas essas virtudes sumiam. Mas, o AA tinha a resposta para isso. O dono do boteco j\u00e1 n\u00e3o me suportava, ele falava: Careca, -como me chamava-, n\u00e3o te aguento mais. Voc\u00ea est\u00e1 deitado no balc\u00e3o e pedindo para colocar mais\u2019. No AA, descobrir uma dica simples: tinha que evitar o primeiro gole, pois ele que provoca o transtorno. Um dia, de cada vez, fui me adaptando. O in\u00edcio foi dif\u00edcil, mas hoje, faz 32 anos que n\u00e3o coloco uma gota de \u00e1lcool na boca\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Para conhecer ou visitar o AA, os interessados podem ligar para os telefones (32) 3215-8503 ou (32) 98897-4103.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Droga l\u00edcita, socialmente aceita e de f\u00e1cil acesso: o \u00e1lcool \u00e9 respons\u00e1vel por acabar com muitas vidas e traz tristeza para v\u00e1rias fam\u00edlias. Al\u00e9m dos danos f\u00edsicos, existem tamb\u00e9m os ps\u00edquicos e sociais que ele causa. Nas proximidades do in\u00edcio da \u201cSemana Nacional de Combate ao Alcoolismo\u201d, que come\u00e7a a partir deste pr\u00f3ximo domingo, 18, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[253],"tags":[],"class_list":["post-91982","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/91982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=91982"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/91982\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=91982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=91982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=91982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}