{"id":88018,"date":"2017-12-21T18:07:58","date_gmt":"2017-12-21T20:07:58","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/12\/21\/se-voce-controla-a-sua-ansiedade-entao-bom-natal\/"},"modified":"2017-12-21T18:07:58","modified_gmt":"2017-12-21T20:07:58","slug":"se-voce-controla-a-sua-ansiedade-entao-bom-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=88018","title":{"rendered":"Se voc\u00ea controla a sua ansiedade, ent\u00e3o bom Natal!"},"content":{"rendered":"<p>Expectativa &#8211; ex\u2022pec\u2022ta\u2022ti\u2022va &#8211; sf<br \/>1. Situa\u00e7\u00e3o de quem espera um acontecimento em tempo anunciado ou conhecido.<br \/>2. Esperan\u00e7a baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.<br \/>3. Estado de quem espera um bem que se deseja e cuja realiza\u00e7\u00e3o se julga prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>A ideia foi come\u00e7ar com uma defini\u00e7\u00e3o de dicion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Todos sabemos que criar algum tipo de expectativa \u00e9 normal. O discurso de que isso \u00e9 ruim, que nos prejudica, s\u00f3 nos deixa mais ansiosos, nos sentindo ainda mais culpados por cultivar um sentimento que, no senso comum, n\u00e3o \u00e9 nada saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Segundo o jornalista Lucas Rodrigues, a narrativa de nega\u00e7\u00e3o dos nossos anseios acaba criando um ex\u00e9rcito de pessoas que fingem que n\u00e3o se importam, mas que, no fundo, s\u00f3 querem exercer o seu direito b\u00e1sico de idealizar. \u00c9 evidente que existem \u201cn\u00edveis\u201d de expectativa. At\u00e9 porque, n\u00e3o me parece razo\u00e1vel depositar todas as nossas fichas em uma vontade que pode ou n\u00e3o se realizar. Por\u00e9m, achar que merecemos puni\u00e7\u00e3o pelo mais leve friozinho na barriga \u00e9 a maior das besteiras. O verdadeiro problema n\u00e3o \u00e9 a ansiedade de \u201cesperar por algo\u201d. Todos n\u00f3s sempre esperamos algo. O complicado \u00e9 que n\u00e3o nos preparamos para lidar com frustra\u00e7\u00f5es. Quando o nosso desejo n\u00e3o \u00e9 cumprido &#8211; extremamente natural, poss\u00edvel e palp\u00e1vel &#8211; n\u00f3s sofremos como se estiv\u00e9ssemos a um passo de um final tr\u00e1gico.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, vamos acostumando com essas situa\u00e7\u00f5es, e em algum momento das nossas vidas percebemos que nunca vamos viver como nos filmes. N\u00e3o existe uma \u2018trama\u2019 pronta, n\u00e3o h\u00e1 paix\u00f5es ardentes, assassinatos, super poderes, nem nada do tipo. Somos simplesmente pessoas que acordam cedo para ir trabalhar e estudar, pessoas que voltam para nossas casas, pessoas que criam programas nos fins de semana. Simples assim&#8230;<\/p>\n<p>Por mais infantil que pare\u00e7a, l\u00e1 no nosso \u00edntimo, esperamos uma vida de emo\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, almejamos corpos perfeitos, \u2018bel\u00edssimos\u2019 e \u2018estonteantes\u2019 companheiros&#8230; Desejamos \u201cgrandes causas\u201d. Queremos ser lutadores imbat\u00edveis. Em nossa consci\u00eancia sabemos que n\u00e3o somos assim, mas inconscientemente desejamos conquistar tudo e a todos&#8230; Mesmo sabendo que n\u00e3o \u00e9 verdadeiro e nem real.<\/p>\n<p>Os \u201csorrisos brancos nas propagandas\u201d, conquistar aquela bela mulher s\u00f3 com um olhar, explos\u00f5es, fugas e aquela trilha sonora &#8211; a bendita trilha sonora que aparece nas horas certas dos filmes e propagandas, simplesmente n\u00e3o existe. Nossas expectativas nos levam a acreditar que mesmo que n\u00e3o vivamos em um filme, que no fim do arco \u00edris, l\u00e1 no finalzinho vai chegar a felicidade e a REALIZA\u00c7\u00c3O de ser humano.<\/p>\n<p>O caminho do arco-iris \u00e9 simples, &#8220;eles&#8221; nos lembram a vida inteira. Estude, trabalhe, compre ou n\u00e3o um carro, compre \u2013 alugue \u2013 financie um espa\u00e7o e o transforme em um lar, tenha ou n\u00e3o um filho, se case ou n\u00e3o, esses devem ser seus objetivos de vida. E n\u00f3s simplesmente levamos essa m\u00e1xima, dia ap\u00f3s dia e, aos poucos, at\u00e9 conquistamos algumas delas. O diploma, o carro, o(a) companheiro(a)&#8230; Mas, mesmo assim, a cada n\u00edvel que passamos ainda nos perguntamos &#8220;cad\u00ea aquele sentimento de realiza\u00e7\u00e3o?&#8221;. \u201cRecebo\u201d relativamente bem, mas ainda n\u00e3o posso comprar tudo que quero&#8230; Tenho um carro mas n\u00e3o posso ir a todos lugares que desejo e nem os companheiros se jogam em cima de mim por causa disso tudo&#8230;<\/p>\n<p>Vivemos reclamando das trivialidades e isso \u00e9 entediante. &#8220;Afinal cad\u00ea?&#8221;. E o desenrolar dessa hist\u00f3ria segue provavelmente at\u00e9 o fim de nossos dias. Com a velhice chegam as doen\u00e7as, chegam os desgastes e ent\u00e3o perceberemos que iremos morrer e tudo que fizemos a vida inteira foi alimentar expectativas que nunca nos completaram da maneira que ach\u00e1vamos que iam nos completar.<\/p>\n<p>Percebemos, tamb\u00e9m, que n\u00e3o h\u00e1 nada de especial nas pessoas. Somos, na verdade, pobres humanos com expectativas incompletas. Somos seres deslocados escondidos atr\u00e1s de sorrisos e muita conversa fiada mas que, no fim da noite, vamos para nossos lares dormir e trabalhar para continuar a girar a engrenagem de nossa sociedade.<\/p>\n<p>Segundo Viviane Battistella &#8211; Psic\u00f3loga, psicoterapeuta, especialista em comportamento humano- nosso problema \u00e9 muito cultural porque vivemos em uma cultura t\u00f3xica, que nos dita consciente e inconscientemente valores e padr\u00f5es artificiais que n\u00e3o ir\u00e3o nos satisfazer, que s\u00f3 satisfazem a ind\u00fastria, a engrenagem social, mas que n\u00e3o levam a lugar algum. Estamos todos dentro de um estado recursivo. Nossos ideais de felicidades s\u00e3o engenharias que nada tem a ver com o que realmente queremos ou nos faz bem, s\u00f3 serve para manter a m\u00e1quina ligada. A falta de valores e a falta de religi\u00e3o s\u00e3o provavelmente os causadores desse deslocamento social. Os falsos valores, o hedonismo de alguns e o ego\u00edsmo s\u00e3o produtos de uma sociedade sem Deus. Quando uma sociedade abandona o pilar religioso, os homens vivem perdidos. Tentamos achar sentido nos nossos servi\u00e7os, na sagrada cerveja, na compulsividade por prazeres, em qualquer lugar, menos onde encontrar\u00edamos mais paz de esp\u00edrito. E Isso \u00e9 na religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a filosofia budista, ficar agarrado ao passado ou se preocupar com o futuro e ter medo do que possa acontecer pode arruinar o nosso presente. Vivemos em um mundo no qual \u00e9 muito dif\u00edcil permanecer no tempo presente, tudo nos puxa para fora, as m\u00e1goas, os erros, as frustra\u00e7\u00f5es (do passado), al\u00e9m dos medos, a ansiedade (do futuro).<\/p>\n<p>Se permanecermos fora do presente, estaremos distantes da felicidade, pois \u00e9 ali que ela mora. Estar em contato com o momento presente \u00e9 perceber nosso corpo, utilizar nossos cinco sentidos e entrar em contato com nosso interior. Quando vivemos o presente, um milagre acontece na nossa vida, o de poder vivenciar momentos felizes &#8211; o que todos n\u00f3s buscamos.<\/p>\n<p>Uma boa raz\u00e3o para abandonar as expectativas \u00e9 entender que elas distorcem a nossa avalia\u00e7\u00e3o da realidade. Quem vive fora do presente \u00e9 incapaz de perceber at\u00e9 um gorila pulando na sua frente.<\/p>\n<p>Viviane Battistella cita no seu artigo publicado que essa afirma\u00e7\u00e3o vem do experimento realizado por dois cientistas americanos, que provaram que a mente humana, quando ordenada a observar um futuro pr\u00f3ximo, deixa de enxergar o presente, ainda mais quando \u00e9 inesperado, ou seja, deixamos passar o que mais queremos &#8211; ser surpreendidos. No experimento, pessoas foram convidadas a contar quantos passes os jogadores de basquete faziam em apenas um minuto. Todos prestaram bastante aten\u00e7\u00e3o nos quase 35 passes e, ao serem questionados se haviam percebido algo estranho na cena, mais da metade afirmou que n\u00e3o &#8211; isso porque, durante o v\u00eddeo, um aluna vestida de gorila pulou por nove segundos no meio dos jogadores!<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que somos seres muito pouco confi\u00e1veis para avaliar uma situa\u00e7\u00e3o, primeiro porque somos impregnados pelo nosso passado e pelo medo do futuro e segundo porque n\u00e3o contamos com o imprevis\u00edvel. O problema n\u00e3o est\u00e1 em ter expectativas, mas em acreditar cegamente nelas. Se n\u00e3o somos capazes de enxergar nem mesmo \u201co gorila que pula em nossa frente\u201d, por que acreditar que podemos avaliar o que pode acontecer no futuro?<\/p>\n<p>Se observarmos a defini\u00e7\u00e3o de &#8220;esperan\u00e7a&#8221;, em Spinoza, ele dir\u00e1 que &#8220;\u00e9 uma alegria inst\u00e1vel, surgida da ideia de uma coisa futura ou passada, de cuja realiza\u00e7\u00e3o temos alguma d\u00favida&#8221;. Ocorre que, raramente, a esperan\u00e7a n\u00e3o vem acompanhada do seu afeto oposto, que \u00e9 o &#8220;medo&#8221;. Al\u00e9m disso, ambos os afetos tendem a ser proporcionais: quanto maior a esperan\u00e7a a respeito de algo, maior o medo daquilo n\u00e3o se concretizar.<\/p>\n<p>De certa forma, vale compreender que diante de tantas possibilidades de vida, muitos ser\u00e3o os encontros e as surpresas que o mundo nos reserva a cada esquina. A esperan\u00e7a deve servir como um modo para projetar o futuro, mas sem fundamento, se torna um mero del\u00edrio.<br \/>Viver \u00e9 entrar no campo do desconhecido, \u00e9 deixar-se surpreender. A esperan\u00e7a n\u00e3o pode ser derivada da expectativa, mas sim da aceita\u00e7\u00e3o, com alegria, das surpresas do caminho criado por um \u201coutro poder\u201d, que podemos chamar de natureza, ou de Deus! \u00c9 a esse outro poder que alinhamos o nosso poder pr\u00f3prio e assim devemos nos lan\u00e7ar na vida &#8211; sabendo que o leme \u00e9 nosso, mas n\u00e3o \u00e9 somente nosso.<\/p>\n<p>Bom Natal caso consiga equilibrar suas expectativas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Professor Leonardo Barreto Vargas &#8211; Psic\u00f3logo, P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Psicopedagogia institucional<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-88017\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/diario-int-22419-1.jpeg\" alt=\"Leonardo Barreto - C\u00f3pia.jpeg\" width=\"249\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/diario-int-22419-1.jpeg 292w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/diario-int-22419-1-195x300.jpeg 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Expectativa &#8211; ex\u2022pec\u2022ta\u2022ti\u2022va &#8211; sf1. 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