{"id":87882,"date":"2017-12-19T22:23:42","date_gmt":"2017-12-20T00:23:42","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/12\/19\/o-crepusculo-e-a-tempestade\/"},"modified":"2017-12-19T22:23:42","modified_gmt":"2017-12-20T00:23:42","slug":"o-crepusculo-e-a-tempestade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=87882","title":{"rendered":"O crep\u00fasculo e a tempestade"},"content":{"rendered":"<p>Numa tarde ensolarada de ver\u00e3o, resolvi ir ao parque das \u00c1guas Minerais Salutaris em Para\u00edba do Sul, minha terra natal, da qual guardo \u00f3timas recorda\u00e7\u00f5es. Sentado num banco pr\u00f3ximo ao fontan\u00e1rio, \u00e0 sombra do bambuzal que servira de registros de nomes e frases amorosas de adolescentes de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es &#8211; inclusive a minha &#8211; pude sentir o fasc\u00ednio daquele momento.<\/p>\n<p>Era tudo muito real as coisas que se descortinavam na tela da mente. Podia ver com clareza de detalhes as pessoas que conheci e tanto admirei passeando alegremente naquele pitoresco recanto. Foram horas curtindo as belas lembran\u00e7as. Cheguei a adormecer, despertando com um crep\u00fasculo que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o assistia: o sol cumpria mais uma jornada de trabalho, deitando sobre \u00e1s \u00e1guas mansas de um riacho o seu reflexo deslumbrante, criando um clima de despedida e de saudade para aquele expectador solit\u00e1rio que ali estava.<\/p>\n<p>Depois de alguns minutos, aquele cen\u00e1rio lindo do crep\u00fasculo cedeu lugar a um c\u00e9u escuro. Notei que estava para desabar um forte temporal. Os rel\u00e2mpagos e as trovoadas me deixavam apavorado. A temperatura caiu vertiginosamente. Passei a viver uma situa\u00e7\u00e3o feia e perigosa. Desde crian\u00e7a ouvia falar que n\u00e3o se deve buscar abrigo embaixo de \u00e1rvores, em caso de chuva. Elas atraem os raios, que as destroem e aqueles que se exp\u00f5em ao seu redor. Lutava contra o vento forte e a chuva. Parecia um pesadelo. A chuva n\u00e3o s\u00f3 molhava como chicoteava todo o meu corpo, tendo no comando dessa viol\u00eancia o vento forte que passava em grande velocidade.<\/p>\n<p>O clar\u00e3o de um rel\u00e2mpago mostrou-me uma \u00e1rvore cortada pelo raio e tombada no meio do caminho. O vento soprava em sentido contr\u00e1rio e quase me sufocava. A \u00e1gua fria da chuva aumentava minha respira\u00e7\u00e3o e, a baixa caloria do corpo, a cada instante, diminu\u00eda a resist\u00eancia para enfrentar a tempestade. J\u00e1 n\u00e3o tinha tanta certeza do meu retorno. A tempestade parecia n\u00e3o ter fim.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha a menor condi\u00e7\u00e3o de gritar. Gemer era o m\u00e1ximo que podia fazer. Mas, gemido ao longe ningu\u00e9m escuta, a n\u00e3o ser Deus, em quem eu pensava a todo o momento. Mais \u00e0 frente, quando eu mal podia me arrastar, deparei-me com outra \u00e1rvore derrubada por um dos raios que constantemente desciam do c\u00e9u. Abriguei-me sob um amontoado de galhos, ali permanecendo por algum tempo at\u00e9 que o vento e a chuva se acalmassem.<\/p>\n<p>Depois de alguns minutos, olhando para o alto, pude observar que as nuvens negras ao poucos iam cedendo lugar a algumas acanhadas estrelas que anunciavam o fim do pesadelo. Retomei o caminho de volta, j\u00e1 com parte da roupa estra\u00e7alhada pelos constantes tombos que levei resvalado em galhos de \u00e1rvores. Parecia ter sa\u00eddo de dentro de uma arena de animais ferozes. Estava exausto, sentindo-me o mais estressado do mundo. Felizmente consegui, ainda que meio tr\u00f4pego, chegar em casa, tomar um bom banho e agradecer a Deus pela prote\u00e7\u00e3o, sem a qual n\u00e3o estaria aqui para contar essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto de Carlos Letra &#8211; Jornalista, escritor e colunista; Ex-Assessor de Imprensa do SUS-RJ e Ex-Assessor de imprensa e Assessor Parlamentar na C\u00e2mara Municipal de Juiz de Fora.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa tarde ensolarada de ver\u00e3o, resolvi ir ao parque das \u00c1guas Minerais Salutaris em Para\u00edba do Sul, minha terra natal, da qual guardo \u00f3timas recorda\u00e7\u00f5es. 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