{"id":87675,"date":"2017-12-16T14:59:20","date_gmt":"2017-12-16T16:59:20","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/12\/16\/aumento-de-despesas-e-queda-de-receitas-ameacam-sustentabilidade-dos-correios\/"},"modified":"2017-12-16T14:59:20","modified_gmt":"2017-12-16T16:59:20","slug":"aumento-de-despesas-e-queda-de-receitas-ameacam-sustentabilidade-dos-correios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=87675","title":{"rendered":"Aumento de despesas e queda de receitas amea\u00e7am sustentabilidade dos Correios"},"content":{"rendered":"<p>Em apenas cinco anos, o patrim\u00f4nio l\u00edquido dos Correios, ou seja, a diferen\u00e7a entre os ativos e o passivo, encolheu 92,63%. A conclus\u00e3o \u00e9 da Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU), que analisou os dados econ\u00f4micos e financeiros da estatal relativos ao per\u00edodo de 2011 a 2016.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da perda patrimonial, os resultados dos \u00faltimos seis exerc\u00edcios fiscais j\u00e1 fechados apontam a deteriora\u00e7\u00e3o da capacidade dos Correios saldarem d\u00edvidas no longo prazo; aumento do endividamento da empresa e sua maior depend\u00eancia de capitais de terceiros. O resultado da avalia\u00e7\u00e3o da CGU enfatiza que, com preju\u00edzos crescentes a partir de 2013, a empresa vem se revelando menos rent\u00e1vel. E que, al\u00e9m do &#8220;aumento exponencial&#8221; das despesas diretas, a sustentabilidade da empresa foi impactada pela &#8220;transfer\u00eancia elevada de recursos para a Uni\u00e3o, o que ocasionou&#8221; redu\u00e7\u00e3o significativa na capacidade de investimentos na empresa no curto prazo&#8221;.<\/p>\n<p>Entre as principais causas elencadas pelos analistas da CGU est\u00e3o a queda no volume de correspond\u00eancias transportadas e o que os analistas classificam como uma \u201cdefasagem\u201d dos valores das tarifas cobradas pelos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio de an\u00e1lise de gest\u00e3o, a queda no volume anual de encomendas e objetos transportados \u00e9 de, em m\u00e9dia, 16,28%, enquanto a \u201cdefasagem\u201d tarif\u00e1ria acarretou preju\u00edzos na receita l\u00edquida de vendas e dos servi\u00e7os, principalmente nos tr\u00eas \u00faltimos exerc\u00edcios. Isso apesar de os valores das tarifas terem sido reajustados em 9% em dezembro de 2015, para recompor as perdas ocorridas entre junho de 2012 e junho de 2014, quando o aumento tarif\u00e1rio n\u00e3o foi aprovado.<\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos da CGU tamb\u00e9m apontam entre as causas do mau desempenho financeiro da empresa o aumento dos custos total com pessoal que, entre 2011 e 2016, aumentou de R$ 7,59 bilh\u00f5es para R$ 12,35 bilh\u00f5es. Um crescimento de 62,6%, ainda que, no per\u00edodo, o n\u00famero de funcion\u00e1rios tenha subido apenas 0,43%, passando, segundo a CGU, de 114.972 para 115.469.<\/p>\n<p>Aos olhos dos t\u00e9cnicos da CGU, um custo que aumentou \u201cvertiginosamente\u201d foi o empenhado com indeniza\u00e7\u00f5es e benef\u00edcios p\u00f3s-emprego. S\u00f3 em 2016, essas despesas consumiram cerca de R$ 201,7 milh\u00f5es e R$ 410,36 milh\u00f5es, respectivamente.<\/p>\n<p>Outros problemas encontrados a partir da an\u00e1lise das contas dos Correios foram o aumento de insumos necess\u00e1rios \u00e0s opera\u00e7\u00f5es da empresa e a redu\u00e7\u00e3o em aplica\u00e7\u00f5es financeiras entre 2011 e 2016. Mas, principalmente, a \u201celevada transfer\u00eancia de recursos para a Uni\u00e3o\u201d nos exerc\u00edcios de 2011, 2012 e 2013, per\u00edodo durante o qual a empresa repassou, a t\u00edtulo de dividendos e juros sobre capital pr\u00f3prio, um total de R$ 2,97 bilh\u00f5es. S\u00f3 em 2013, quando a empresa contabilizou um preju\u00edzo de R$ 312,51 milh\u00f5es, foram transferidos dos caixas dos Correios para a Uni\u00e3o cerca de R$ 401 milh\u00f5es em dividendos. Para os t\u00e9cnicos da CGU, isso levou \u201ca uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da capacidade de investimento da empresa e da sua viabilidade econ\u00f4mica e financeira\u201d.<\/p>\n<p>Considerada a distribui\u00e7\u00e3o do valor adicionado, que indica entre quem e como s\u00e3o compartilhados os resultados financeiros, percebe-se que o governo \u00e9 o segundo setor que mais absorveu recursos distribu\u00eddos no per\u00edodo analisado, ficando atr\u00e1s apenas da remunera\u00e7\u00e3o ao trabalho, que engloba gastos com sal\u00e1rios, honor\u00e1rios, benef\u00edcios e encargos sociais.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Recomenda\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m do diagn\u00f3stico da presente situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e financeira dos Correios, o trabalho da CGU tamb\u00e9m apresenta sugest\u00f5es de a\u00e7\u00f5es que a empresa p\u00fablica deve desenvolver para evitar futuros preju\u00edzos e reequilibrar suas contas. As sugest\u00f5es s\u00e3o de melhorar a qualidade dos servi\u00e7os para, assim, tentar reverter a queda no volume de objetos transportados e as indeniza\u00e7\u00f5es pagas em virtude de atrasos nas entregas ou de objetos extraviados, roubados ou avariados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos custos com insumos operacionais, excluindo os referentes a despesa com pessoal, entre v\u00e1rias outras.<\/p>\n<p>O documento tornado p\u00fablico pela CGU traz dois alertas. Um \u00e9 que diversas recomenda\u00e7\u00f5es dependem da atua\u00e7\u00e3o de agentes externos aos Correios, como o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, ao qual a empresa est\u00e1 subordinado. Desta forma, diz o documento, \u201calgumas medidas est\u00e3o baseadas em premissas que podem n\u00e3o ser cumpridas em raz\u00e3o de decis\u00f5es pol\u00edticas, colocando em risco a execu\u00e7\u00e3o e o prazo de implementa\u00e7\u00e3o de determinadas a\u00e7\u00f5es\u201d, mesmo que, segundo os t\u00e9cnicos da CGU, seja \u201cde suma import\u00e2ncia que as medidas de reestrutura\u00e7\u00e3o interna se mantenham em andamento a fim de que a empresa apresente continuidade operacional e de investimentos no setor\u201d.<\/p>\n<p>O segundo alerta \u00e9 de que se medidas n\u00e3o forem adotadas, a empresa tende a se tornar dependente de recursos de custeio transferidos pela Uni\u00e3o &#8211; os t\u00e9cnicos apontam inclusive que, seguindo a tend\u00eancia dos \u00faltimos anos, j\u00e1 este ano a empresa pode apresentar um passivo a descoberto, ou seja, quando o valor das obriga\u00e7\u00f5es para com terceiros \u00e9 superior ao dos ativos, caso a Uni\u00e3o n\u00e3o injete recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Correios<\/span><\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, o presidente dos Correios, Guilherme Campos J\u00fanior, admitiu que a estatal precisa se reinventar, o que, segundo ele, j\u00e1 vem sendo feito. \u201cA atividade postal est\u00e1 em franco decl\u00ednio no mundo todo. Assim como todas as grandes empresas do setor, os Correios precisam se reposicionar, precisam buscar identificar outras atividades que possam substituir a postal\u201d, declarou Campos ap\u00f3s reconhecer os principais dados do relat\u00f3rio da CGU. \u201cS\u00e3o todos n\u00fameros p\u00fablicos e j\u00e1 divulgados pela empresa\u201d.<\/p>\n<p>O presidente dos Correios tamb\u00e9m admitiu que os recursos repassados pela empresa \u00e0 Uni\u00e3o fazem falta. \u201cSe h\u00e1 preju\u00edzo, \u00e9 preciso tirar dinheiro de algum lugar. No caso, do patrim\u00f4nio. E entre 2007 e 2013, a Uni\u00e3o, que \u00e9 nosso patr\u00e3o e \u00fanico acionista, retirou do caixa da empresa mais de R$ 6 bilh\u00f5es a t\u00edtulo de dividendos e antecipa\u00e7\u00e3o de dividendos. Uma quantia que est\u00e1 nos fazendo muita falta e que, desde o ano passado, estamos pedindo [ao governo que seja reinvestida]. A resposta \u00e9 que o governo n\u00e3o tem dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em apenas cinco anos, o patrim\u00f4nio l\u00edquido dos Correios, ou seja, a diferen\u00e7a entre os ativos e o passivo, encolheu 92,63%. A conclus\u00e3o \u00e9 da Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU), que analisou os dados econ\u00f4micos e financeiros da estatal relativos ao per\u00edodo de 2011 a 2016. 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