{"id":87080,"date":"2017-12-08T19:56:37","date_gmt":"2017-12-08T21:56:37","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/12\/08\/anomia-como-forca-motriz-de-uma-sociedade-caotica\/"},"modified":"2017-12-08T19:56:37","modified_gmt":"2017-12-08T21:56:37","slug":"anomia-como-forca-motriz-de-uma-sociedade-caotica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=87080","title":{"rendered":"Anomia como for\u00e7a motriz de uma sociedade ca\u00f3tica"},"content":{"rendered":"<p>\u201cPorque n\u00e3o admitimos nossa necessidade de conhecer e aplicar conceitos sociol\u00f3gicos?!\u201d<\/p>\n<p>Anomia \u00e9 uma palavra de origem grega que significa: a + nomos, donde \u2018a\u2019 significa aus\u00eancia, falta, priva\u00e7\u00e3o, inexist\u00eancia; e \u2018nomos\u2019 quer dizer lei, norma. Anomia significa, portanto falta de lei ou aus\u00eancia de normas de conduta. Quem usou a palavra pela primeira vez foi Durkheim em seu estudo sobre a divis\u00e3o do trabalho social.<\/p>\n<p>Em resumo, podemos dizer que o estado an\u00f4mico est\u00e1 presente na id\u00e9ia de falta ou do abandono das normas sociais de comportamento, indicando desvio de comportamento, que pode ocorrer por aus\u00eancia de lei, conflito de normas, ou ainda desorganiza\u00e7\u00e3o pessoal.<br \/>A grande ambig\u00fcidade e a imprecis\u00e3o do conceito de anomia contribu\u00edram para o seu menor uso em estudos, por certo medo por parte dos autores de enfrentar os problemas de sua exata conceitua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diversos autores escreveram sobre o tema, mas vamos utilizar a vis\u00e3o de \u00c9mile Durkheim, que nasceu na cidade de \u00c9pinal (regi\u00e3o de Lorena, Fran\u00e7a), no dia 15 de abril de 1858. Faleceu em Paris, capital francesa, em 15 de novembro de 1917. \u00c9 considerado, junto com Max Weber, um dos fundadores da sociologia moderna.<\/p>\n<p>Durkheim conceituou anomia voltado para seu trabalho sobre a \u201cDivis\u00e3o do trabalho social\u201d como um fato social e patol\u00f3gico que merece an\u00e1lise. Quanto mais a sociedade avan\u00e7ava e os indiv\u00edduos que nela viviam se especializavam em suas profiss\u00f5es, esqueciam, assim, do trabalho como um todo, perdendo a no\u00e7\u00e3o de conjunto, voltando-se cada vez mais para sua especializa\u00e7\u00e3o, que pode ser considerada \u201ca arte de saber cada vez mais de cada vez menos\u201d. Em virtude desse isolamento, as normas sociais podem deixar de existir, pois as pessoas perderiam a no\u00e7\u00e3o de conjunto de sociedade, voltando-se cada vez mais para si pr\u00f3prias, esquecendo-se da solidariedade que a sociedade necessita. \u201c(&#8230;)em suma, o conjunto de normas comuns que constitui o principal mecanismo para regula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre os componentes de um sistema social se desmorona. Durkheim qualificou tal situa\u00e7\u00e3o de anomia, no sentido de aus\u00eancia de normas\u201d.<\/p>\n<p>Em seu estudo sobre o suic\u00eddio e ao indicar diversos tipos, Durkheim d\u00e1 a um deles o nome de \u201csuic\u00eddio an\u00f4mico\u201d, apresentando dois quadros diferentes e aparentemente contradit\u00f3rios. O estudo indicou um aumento no n\u00famero de suic\u00eddios nas \u00e9pocas de depress\u00e3o econ\u00f4mica e nos per\u00edodos de prosperidade, em crescimento da economia. O primeiro quadro de aumento do n\u00famero de suic\u00eddios nos per\u00edodos de depress\u00e3o econ\u00f4mica, ocorre por que os indiv\u00edduos n\u00e3o conseguem atingir os n\u00edveis de vida considerados pela sociedade. Tal fracasso, para muitos, significa vergonha, desespero, futilidade do sentido da vida, que parece n\u00e3o valer a pena ser vivida. J\u00e1 no segundo quadro, podemos notar que Durkheim quis mostrar que os homens t\u00eam desejos ilimitados, n\u00e3o existindo um limite \u00e0s pretens\u00f5es humanas, de modo que quando atinjam todos seus objetivos ou percebam que podem conseguir o que quiserem, todas as pretens\u00f5es passam a valer pouco, criando assim uma esp\u00e9cie de desencanto, conduzindo a um comportamento de autodestrui\u00e7\u00e3o, ao notarem que podem tudo, considerando as normas de comportamento social in\u00fateis e conseq\u00fcentemente abandonam as normas de comportamentos socialmente prescritas, figurando o suic\u00eddio em casos extremos.<\/p>\n<p>Em conseq\u00fc\u00eancia para seguran\u00e7a da sociedade al\u00e9m de ter que manter um progresso na busca dos objetivos, de como ser\u00e3o alcan\u00e7ados, ainda assim ela tem que manter bem claro quais s\u00e3o esses objetivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>CAUSAS DO COMPORTAMENTO AN\u00d4MICO (OU DE DESVIO)<\/h4>\n<p>Em qualquer sociedade do mundo, por mais eficientes que sejam as suas normas de conduta e bem estruturadas e aparelhadas as suas institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, vamos encontrar comportamento de desvio, como um verdadeiro fen\u00f4meno universal. Pode variar de intensidade &#8211; em uma sociedade vamos encontrar maior incid\u00eancia de comportamento an\u00f4mico que em outra; vamos encontrar em algumas, maior incid\u00eancia de um tipo de desvio &#8211; mas o fen\u00f4meno sempre existir\u00e1.<\/p>\n<p>Nenhuma teoria, em nosso entender, esgota o tema da anomia, porque ela tem causas m\u00faltiplas. O desequil\u00edbrio entre metas e meios sociais promove uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia, verdadeira bola de neve social, que acaba provocando comportamentos an\u00f4micos de diferentes gravidades.<\/p>\n<p>Podemos exemplificar usando alguns exemplos: \u201cNa viol\u00eancia urbana no Brasil, o Estado n\u00e3o se fez suficientemente presente nas \u00e1reas favelizadas, permitindo o surgimento do crime organizado, forma mais grave de comportamento an\u00f4mico. O poder paralelo que assim se instaurou passou a impor suas pr\u00f3prias regras, gerando d\u00favidas na popula\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s normas a serem observadas (conflito de normas); os l\u00edderes comunit\u00e1rios foram obrigados a obedecer ao poder paralelo para n\u00e3o serem mortos ou terem que se mudar; aos poucos se inverteram os valores, perderam-se as refer\u00eancias, mudaram-se os paradigmas. Os jovens, seduzidos pelo tr\u00e1fico, vivem a ilus\u00e3o de poder. S\u00e3o viciados, armados, agressivos e vivem aterrorizando a popula\u00e7\u00e3o e se confrontando com a pol\u00edcia. Os \u00edcones desses adolescentes s\u00e3o as marcas famosas, siglas de fac\u00e7\u00f5es e armas\u201d.<\/p>\n<p>Se essa \u00e9 a realidade social, o que fazer para modific\u00e1-la? A toda evid\u00eancia, n\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o \u00fanica e milagrosa. A quest\u00e3o tem que ser enfrentada com medidas a curto, m\u00e9dio e longo prazo. Atua\u00e7\u00e3o mais firme e organizada da pol\u00edcia, a reconquista dos espa\u00e7os perdidos pelo Estado, determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das autoridades s\u00e3o, dentre outras, medidas imediatas a serem tomadas. Mas n\u00e3o resolver\u00e3o o problema. Com o tempo revelar-se-\u00e3o paliativas. \u00c9 preciso cortar o mal pela raiz e n\u00e3o apenas arrancar as suas folhas. \u00c9 preciso promover as mudan\u00e7as sociais necess\u00e1rias nas institui\u00e7\u00f5es, nas leis, na ordem econ\u00f4mica para melhorar a distribui\u00e7\u00e3o de rendas, reduzir as desigualdades, eliminar a exclus\u00e3o social, aprimorar a educa\u00e7\u00e3o, orientar o planejamento familiar, promover a\u00e7\u00f5es afirmativas, enfim, diminuir o desequil\u00edbrio entre as metas e os meios sociais.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o deve ser, por isso, uma das principais qualidades dos homens p\u00fablicos, que tem nas m\u00e3os o destino da sociedade. Devem eles possuir um esp\u00edrito inovador-criador (e n\u00e3o ritualista) para realizar as reformas sociais necess\u00e1rias nas leis, nas institui\u00e7\u00f5es, na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, e, assim, tornar as metas mais acess\u00edveis e os meios melhor distribu\u00eddos, ao alcance da maioria.<\/p>\n<p>Quando isso n\u00e3o \u00e9 feito, ent\u00e3o, mais cedo ou mais tarde percebemos a organiza\u00e7\u00e3o de rebeli\u00f5es, pois o desequil\u00edbrio se torna t\u00e3o grande que n\u00e3o se depara a sociedade com outra solu\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser aquela de promover uma total reorganiza\u00e7\u00e3o, estabelecendo novas metas e institucionalizando novos meios.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ser\u00e1 que podemos dizer que nossa sociedade est\u00e1 imersa em estado an\u00f4mico profundo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Professor Leonardo Barreto Vargas &#8211; Psic\u00f3logo, P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Psicopedagogia institucional<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-87079\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/diario-int-22027-1.jpeg\" alt=\"Leonardo Barreto - C\u00f3pia.jpeg\" width=\"174\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/diario-int-22027-1.jpeg 292w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/diario-int-22027-1-195x300.jpeg 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 174px) 100vw, 174px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPorque n\u00e3o admitimos nossa necessidade de conhecer e aplicar conceitos sociol\u00f3gicos?!\u201d Anomia \u00e9 uma palavra de origem grega que significa: a + nomos, donde \u2018a\u2019 significa aus\u00eancia, falta, priva\u00e7\u00e3o, inexist\u00eancia; e \u2018nomos\u2019 quer dizer lei, norma. 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