{"id":85978,"date":"2017-11-24T16:53:03","date_gmt":"2017-11-24T18:53:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/11\/24\/demora-em-associar-ruido-a-submarino-que-desapareceu-causa-polemica-na-argentina\/"},"modified":"2017-11-24T16:53:03","modified_gmt":"2017-11-24T18:53:03","slug":"demora-em-associar-ruido-a-submarino-que-desapareceu-causa-polemica-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=85978","title":{"rendered":"Demora em associar ru\u00eddo a submarino que desapareceu causa pol\u00eamica na Argentina"},"content":{"rendered":"<p>A pista mais concreta sobre o submarino argentino que desapareceu na semana passada, com 44 pessoas a bordo, foi fornecida pela Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o Completa dos Ensaios Nucleares (OTPCE), com base em Viena, na \u00c1ustria. No dia 15 de novembro, duas esta\u00e7\u00f5es hidro-ac\u00fasticas detectaram \u201cum sinal incomum\u201d, produzido tr\u00eas horas ap\u00f3s a \u00faltima comunica\u00e7\u00e3o da tripula\u00e7\u00e3o com a base e a 48 quil\u00f4metros do local onde o submarino estava.<\/p>\n<p>As duas esta\u00e7\u00f5es, que registraram um ru\u00eddo \u201cconsistente com o de uma explos\u00e3o debaixo da \u00e1gua\u201d, ficam na ilha brit\u00e2nica de Ascen\u00e7\u00e3o, no Atl\u00e2ntico, e o arquip\u00e9lago franc\u00eas de Crozet, ao sul do Oceano \u00cdndico. Ambas formam parte de uma rede internacional, montada pelos membros da OTPCE, para monitorar a realiza\u00e7\u00e3o de testes nucleares que possam amea\u00e7ar a paz mundial.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es dessas esta\u00e7\u00f5es foram cruzadas com outras, obtidas pela megaopera\u00e7\u00e3o de busca e resgate, da qual participam 12 pa\u00edses, al\u00e9m da Argentina. A conclus\u00e3o, divulgada pela Marinha argentina na manh\u00e3 nessa quinta-feira, 23, foi de que houve uma explos\u00e3o no submarino. Navios e avi\u00f5es foram mobilizados para buscar o ARA San Jose no local indicado pelos sensores, mas as esperan\u00e7as de encontrar algu\u00e9m com vida s\u00e3o pequenas. Um submarino s\u00f3 tem capacidade para armazenar oxig\u00eanio durante oito dias. Depois, precisa subir \u00e0 superf\u00edcie para renovar o ar \u2013 coisa que, tudo indica, n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>&#8220;Foi uma explos\u00e3o pequena. N\u00e3o estou dizendo que o submarino explodiu totalmente. Mas, pela localiza\u00e7\u00e3o e a hora (da explos\u00e3o), \u00e9 poss\u00edvel que esteja relacionado ao submarino argentino&#8221;, disse o secret\u00e1rio-geral da OTPCE, Lassina Zerbo. Em sua conta no Twitter e em entrevistas, ele respondeu \u00e0s perguntas que muitos fizeram: por que tanta demora em associar um ru\u00eddo, emitido no dia 15 de novembro, ao submarino, desaparecido no mesmo dia?<\/p>\n<p>Zerbo explicou que, ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, o fundo do mar n\u00e3o \u00e9 silencioso, est\u00e1 cheio de ru\u00eddos. \u201cUm volume enorme de dados foi examinado para obter as pistas do submarino perdido\u201d, escreveu. \u201cMilhares de sinais poss\u00edveis e sons tiveram que ser examinados, para descartar ru\u00eddos naturais (como os das baleias) e industriais\u201d.<\/p>\n<p>O embaixador argentino na \u00c1ustria, Rafael Grossi \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 especialista em temas nucleares \u2013 explicou que recorreu \u00e0 OTPCE porque sabia que a organiza\u00e7\u00e3o tinha os meios para detectar anomalias no fundo do mar. As esta\u00e7\u00f5es d\u00e3o sinal de alerta quando h\u00e1 uma atividade nuclear, mas \u2013 a pedido do governo argentino \u2013 foi realizada uma revis\u00e3o dos dados coletados na semana passada. Com isso, identificou-se n\u00e3o apenas a explos\u00e3o, mas tamb\u00e9m o local exato e a hora em que aconteceu: \u00e0s 11h 51m (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia), a 48 quil\u00f4metros ao norte do local onde o submarino estava, quando se comunicou com a base tr\u00eas horas antes.<\/p>\n<p>Navios, avi\u00f5es e at\u00e9 um mini-submarino norte-americano foram mobilizados para vasculhar a \u00e1rea, a 432 quil\u00f4metros da costa argentina, na altura do Golfo de S\u00e3o Jorge. Dependendo do local, a profundidade das \u00e1guas pode variar entre 200 e 3 mil metros. \u201cEstamos em uma corrida contra o tempo para salvar vidas&#8221;, disse Zerbo que, a exemplo do porta-voz da Marinha argentina, Enrique Balbi, e de especialistas consultados pela imprensa argentina, n\u00e3o d\u00e3o o epis\u00f3dio por encerrado at\u00e9 encontrar o submarino.<\/p>\n<p>Algumas fam\u00edlias dos 44 tripulantes ainda guardam alguma esperan\u00e7a e continuam na base naval de Mar del Plata, onde o submarino deveria ter chegado na segunda-feira, 20. Do lado de fora, bandeiras, cartazes e correntes de ora\u00e7\u00f5es, em solidariedade aos tripulantes desaparecidos. Afinal, ao longo dos \u00faltimos oito dias, houve v\u00e1rios alarmes falsos. Mas a \u201canomalia ac\u00fastica\u201d, detectada primeiro pelos Estados Unidos na quarta-feira, 22, acabou sendo confirmada no dia seguinte pela OPTCE. Muitos reagiram com raiva e indigna\u00e7\u00e3o \u00e0 not\u00edcia, acusando o governo de ter escondido a verdade durante uma semana: nos primeiros dias, falavam em uma falha el\u00e9trica, e nunca numa explos\u00e3o.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de busca do submarino reuniu pa\u00edses que, em outros tempos, jamais fariam uma patrulha conjunta. A come\u00e7ar pelo Reino Unido, que derrotou a Argentina na guerra de 1982 pela posse das Ilhas Malvinas. O territ\u00f3rio, considerado \u201cem disputa\u201d pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, ainda \u00e9 reivindicado pelo governo argentino, que at\u00e9 recentemente tem denunciado a presen\u00e7a militar brit\u00e2nica no Atl\u00e2ntico Sul. Al\u00e9m do Reino Unido, da Fran\u00e7a e da Noruega, vizinhos (como Brasil, Chile, Uruguai e Peru), e pot\u00eancias antag\u00f4nicas (Estados Unidos e R\u00fassia) est\u00e3o cooperando na busca do submarino.<\/p>\n<p>O caso do ARA San Juan tem sido comparado com o desaparecimento do submarino russo Kursk, h\u00e1 17 anos. Ele sofreu uma explos\u00e3o no compartimento de armas, quando navegava no Oceano \u00c1rtico. Alguns dos tripulantes conseguiram se refugiar em um compartimento da embarca\u00e7\u00e3o e emitir sinais de socorro, durante 48 horas. Mas a R\u00fassia \u2013 ao contr\u00e1rio da Argentina \u2013 demorou uma semana para aceitar ajuda internacional, para n\u00e3o revelar \u201csegredos militares\u201d. Na trag\u00e9dia, morreram 118 pessoas.<\/p>\n<p>O submarino argentino n\u00e3o \u00e9 nuclear \u2013 \u00e9 movido por baterias el\u00e9tricas e usado para patrulhar a costa e as atividades de navios de pesca piratas. O ARA San Juan foi constru\u00eddo nos anos 1980 na Alemanha e reformado em 2014 para ampliar sua vida \u00fatil por mais 30 anos.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pista mais concreta sobre o submarino argentino que desapareceu na semana passada, com 44 pessoas a bordo, foi fornecida pela Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o Completa dos Ensaios Nucleares (OTPCE), com base em Viena, na \u00c1ustria. No dia 15 de novembro, duas esta\u00e7\u00f5es hidro-ac\u00fasticas detectaram \u201cum sinal incomum\u201d, produzido tr\u00eas horas ap\u00f3s a \u00faltima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":85977,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[302],"tags":[],"class_list":["post-85978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/85978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=85978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/85978\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/85977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=85978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=85978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=85978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}