{"id":85429,"date":"2017-11-17T18:50:51","date_gmt":"2017-11-17T20:50:51","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/11\/17\/consciencia-negra-na-educacao-na-escola-e-na-vida-toda\/"},"modified":"2017-11-17T18:50:51","modified_gmt":"2017-11-17T20:50:51","slug":"consciencia-negra-na-educacao-na-escola-e-na-vida-toda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=85429","title":{"rendered":"Consci\u00eancia negra na Educa\u00e7\u00e3o, na escola e na vida toda"},"content":{"rendered":"<p>Devemos pensar numa \u201cconsci\u00eancia negra\u201d aqui no Brasil depois da falsa aboli\u00e7\u00e3o do dia 13 de Maio de 1888, que os tiraram da condi\u00e7\u00e3o de gado humano para serem colocados como andarilhos, sub-humanos sem nenhum apoio social. Ali\u00e1s, os espinhos e abandonos a partir de 14 de maio do mesmo ano s\u00e3o t\u00e3o pesados que ainda continuam ecoando e se reproduzindo velados. O grande equ\u00edvoco est\u00e1 nesse pensamento ideol\u00f3gico que se infiltrou em nossa cultura. Afirma\u00e7\u00f5es t\u00e3o mentirosas e dilacerantes como uma t\u00eanue linha de pipa com cerol que cortam a todos que tentarem a ultrapassar&#8230;<\/p>\n<p>Marcados pelo escravismo e criando rumos esquizofr\u00eanicos de liberdade podemos citar a funda\u00e7\u00e3o dos \u201ccantos dos pretos\u201d nas nossas cidades, geralmente em lugares alagados ou em morros muito \u00edngremes. Ent\u00e3o, muitas perguntas surgem, como:<\/p>\n<p>&#8211; Como vencer esse ambiente hostil e essa topografia imposs\u00edvel? Como lidar com as imigra\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias sustentadas com a inten\u00e7\u00e3o de branquear a cultura no Darwinismo Social? Como superar a dificuldade de colocar sua m\u00e3o de obra a disposi\u00e7\u00e3o de todos para criarem seu sustento? Como lidar com as turmas de letramento e passeatas pela circula\u00e7\u00e3o livre em ruas e pra\u00e7as segregadas? E as Confrarias e Irmandades de negros criadas para garantir enterros dignos aos seus congregados? Como relacionar com a Santa Igreja essas irmandades cansadas de ver seus cad\u00e1veres jogados \u00e0s valas? Como se realizaram campeonatos de futebol por quem era proibido de jogar nos times grandes e como se organizavam estas equipes? Como gente preta narrou ou bolou programas, engenhou equipamentos, lotou audit\u00f3rios e limpou os palcos das r\u00e1dios, fundamentais pra entendermos o s\u00e9culo 20, principalmente nas raias urbanas? Como explicar a presen\u00e7a dos pretos nos trens sempre como limpadores de bitolas e trilhos?<\/p>\n<p>Creio que isso todos j\u00e1 percebemos, mas nos esfor\u00e7amos para n\u00e3o ver porque \u00e9 doloroso demais n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Caso esses Pretos n\u00e3o consigam ser famosos ou n\u00e3o caibam nos estere\u00f3tipos de uma m\u00eddia avassaladora nunca se far\u00e3o presentes! Ent\u00e3o, qual \u00e9 o prisma e a cor dos passos das personagens que pintaram nos nossos cadernos de escola? Hist\u00f3ria, poesia, filosofia&#8230;<\/p>\n<p>Eles caberiam nesses lugares? Podem dialogar com os chamados cl\u00e1ssicos (ali\u00e1s, quem al\u00e7ou os cl\u00e1ssicos a esta categoria?) sobre temas cortantes da nossa vida como o desespero, o amor, a saudade, a luta, o susto e a f\u00e9? E na filosofia encontramos temas, como: o Tempo, a Morte, a \u00c9tica, a Sa\u00fade e a Pol\u00edtica, por exemplo, por fil\u00f3sofos africanos ou por escritores negros das Am\u00e9ricas? Principalmente femininos?<\/p>\n<p>Pela Am\u00e9rica Latina e pelos sub\u00farbios dos Estados Unidos, como reverberou nas comunidades negras a luta pelas independ\u00eancias africanas entre as d\u00e9cadas de 50 e 70 do s\u00e9culo passado? Em tempo de ditaduras vibrou \u201cConsci\u00eancia Negra\u201d? O que temos de distinto e em comum no cotidiano caseiro, nas praias, nas cadeiras universit\u00e1rias entre tantos pa\u00edses onde ocorreu a di\u00e1spora africana?<\/p>\n<p>Precisamos, tamb\u00e9m, sair do trip\u00e9 Rio-Bahia-S\u00e3o Paulo, questionando como os anos de 1930 e 1940 se consolidaram como s\u00edmbolos da cultura nacional buscando criar uma identidade da \u201cmesti\u00e7agem\u201d que os submeteram ainda mais na subcultura?<\/p>\n<p>Mas o que ser\u00e1 esta cultura, quais seriam seus elementos fundamentais e como ela se movimenta na contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de nossa hist\u00f3ria? A negritude ser buscada em nosso pa\u00eds desde o princ\u00edpio e, ao mesmo tempo, ser escanteada e pulsante nas bordas? Sujeitos colocados como estere\u00f3tipos de entretenimento descart\u00e1vel? Vistos ainda como objetos de consumo sexual?!<\/p>\n<p>S\u00e3o coisas da nossa forma\u00e7\u00e3o, orquestrada de cima pra baixo entre o terror e o desejo. E de baixo pra cima abrindo v\u00e3os, contemplando momentos e espa\u00e7os de vitalidade e autonomia, questionando o que \u00e9 imposto como \u201ccorreto e direito\u201d. A luta pela sobreviv\u00eancia e contra a tortura n\u00e3o se limita aos s\u00e9culos passados: diante do escancarado genoc\u00eddio e encarceramento de nossa juventude. As m\u00e3es de hoje pelejando contra o assassinato de seus filhos ligados aos crimes nos sub\u00farbios t\u00eam tudo a ver com M\u00e3es de 129 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Percebemos, por\u00e9m que, mais do que preencher programas, \u00e9 necess\u00e1ria uma reflex\u00e3o pedag\u00f3gica e did\u00e1tica sobre as maneiras de se partilhar e contemplar essas d\u00favidas e saberes. Precisamos, de fato, colocar em pr\u00e1tica a lei federal &#8211; 10639\/03 &#8211; no ensino fundamental ou no m\u00e9dio para a ci\u00eancia conseguir agir nos coletivos. Tran\u00e7ando disciplinas que se comunicam numa l\u00edngua orquestrada (ali\u00e1s, \u201cmultidisciplinaridade\u201d \u00e9 a marca destes saberes, por precis\u00e3o e gosto)<\/p>\n<p>Enfim, praticando e aprofundando essa lei federal conseguimos ampli\u00e1-la para contemplar tamb\u00e9m as diferentes vertentes culturais brasileiras entre negros, brancos, \u00edndios, asi\u00e1ticos e outros que d\u00e3o jus ao conceito de miscigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo dados do MEC, o Brasil est\u00e1 em segundo lugar no que diz respeito a grandes popula\u00e7\u00f5es afro-descendentes (47%), perdendo apenas para a Nig\u00e9ria. Pode-se dizer que a \u00c1frica \u00e9 um \u201ccontinente\u201d economicamente e culturalmente rico, pois apresenta uma diversidade de riquezas minerais, como petr\u00f3leo e pedras preciosas. Seus habitantes, ao contr\u00e1rio do que pensam, s\u00e3o inteligentes, criativos e trabalhadores, por\u00e9m com a coloniza\u00e7\u00e3o, as terras africanas foram dominadas e perderam cerca de 60 milh\u00f5es de habitantes devido ao tr\u00e1fico negreiro escravo. V\u00e1rios grupos pertencentes \u00e0 mesma tribo com dialetos e costumes comuns foram separados, gerando um violento processo de segrega\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, na qual o africano tornou-se inferior em sua pr\u00f3pria p\u00e1tria. Por\u00e9m, v\u00e1rios questionamentos deram vaz\u00e3o a uma s\u00e9rie de cr\u00edticas no que envolve o ensino da hist\u00f3ria afro no Brasil. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um racismo velado?<\/p>\n<p>Surgem ainda mais perguntas: Por que precisamos do ensino da cultura afro-brasileira especificamente? E os outros povos que contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o da identidade nacional?<\/p>\n<p>Dessa forma, a lei 9394 de 20 de dezembro de 1996 que estabelece as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional pode contribuir para o combate ao racismo se as aulas de Biologia forem bem ministradas. Elas mostrar\u00e3o que a cren\u00e7a em ra\u00e7as humanas \u00e9 um fruto da ignor\u00e2ncia. A Educa\u00e7\u00e3o pode contribuir para o combate ao racismo se as aulas de Hist\u00f3ria forem bem ministradas. Elas mostrar\u00e3o que o racismo \u00e9 um produto hist\u00f3rico recente, do s\u00e9culo XIX, e que a ra\u00e7a \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o do racismo.<\/p>\n<p>Acima de tudo, a Educa\u00e7\u00e3o pode contribuir para o combate ao racismo se a escola for um espa\u00e7o de afirma\u00e7\u00e3o da cidadania, cuja base \u00e9 o princ\u00edpio da igualdade perante a lei. Mas, no Brasil das cotas raciais e da classifica\u00e7\u00e3o racial compuls\u00f3ria dos estudantes, a escola tende a se converter num espa\u00e7o de fabrica\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a em ra\u00e7as. Apesar da Biologia e da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Vamos juntos? Precisamos tomar atitudes para muit\u00edssimo al\u00e9m de um dia de Consci\u00eancia de qualquer cor. Vamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Professor Leonardo Barreto Vargas &#8211; Psic\u00f3logo, P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Psicopedagogia institucional<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-85428\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/diario-int-21321-1.jpeg\" alt=\"Leonardo Barreto - C\u00f3pia.jpeg\" width=\"209\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/diario-int-21321-1.jpeg 292w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/diario-int-21321-1-195x300.jpeg 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devemos pensar numa \u201cconsci\u00eancia negra\u201d aqui no Brasil depois da falsa aboli\u00e7\u00e3o do dia 13 de Maio de 1888, que os tiraram da condi\u00e7\u00e3o de gado humano para serem colocados como andarilhos, sub-humanos sem nenhum apoio social. 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