{"id":81734,"date":"2017-09-25T15:04:11","date_gmt":"2017-09-25T18:04:11","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/09\/25\/pesquisa-aponta-saidas-para-combater-desigualdade-no-brasil\/"},"modified":"2017-09-25T15:04:11","modified_gmt":"2017-09-25T18:04:11","slug":"pesquisa-aponta-saidas-para-combater-desigualdade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=81734","title":{"rendered":"Pesquisa aponta sa\u00eddas para combater desigualdade no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, os seis maiores bilion\u00e1rios t\u00eam a mesma riqueza e patrim\u00f4nio que os 100 milh\u00f5es de brasileiros mais pobres. Caso o ritmo de inclus\u00e3o no mercado de trabalho prossiga da forma como foi nos \u00faltimos 20 anos, as mulheres s\u00f3 ter\u00e3o os mesmos sal\u00e1rios dos homens no ano de 2047, e apenas em 2086 haver\u00e1 equipara\u00e7\u00e3o entre a renda m\u00e9dia de negros e brancos. De acordo com proje\u00e7\u00f5es do Banco Mundial, o pa\u00eds ter\u00e1, at\u00e9 o fim de 2017, 3,6 milh\u00f5es a mais de pobres.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as constata\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio A Dist\u00e2ncia Que Nos Une, Um Retrato das Desigualdades Brasileiras, divulgado nesta segunda-feira (25) pela Oxfam Brasil. A organiza\u00e7\u00e3o, que trabalha no combate \u00e0 pobreza e \u00e0 desigualdade, resolveu publicar pela primeira vez um estudo em que investiga, com base em v\u00e1rios dados, as ra\u00edzes e solu\u00e7\u00f5es para um pa\u00eds onde se distribui de forma desigual fatores como renda, riqueza e servi\u00e7os essenciais.<\/p>\n<p>De acordo com Katia Maia, diretora-executiva da entidade, o objetivo \u00e9 divulgar um relat\u00f3rio anual sobre a desigualdade e mostrar os diferentes problemas do tema, como, por exemplo, o da tributa\u00e7\u00e3o brasileira. \u201cN\u00f3s pagamos muitos impostos. Mas n\u00e3o \u00e9 que a nossa tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 excessiva, na verdade ela \u00e9 injusta. A gente est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico) [em termos de carga tribut\u00e1ria]. Mas \u00e9 uma tributa\u00e7\u00e3o onde quem paga o pato \u00e9 a classe m\u00e9dia e as pessoas mais pobres\u201d, disse.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Tributa\u00e7\u00e3o indireta<\/span><\/p>\n<p>O documento identifica falhas na forma como o imposto \u00e9 arrecadado no Brasil, em contraste com outros pa\u00edses. Al\u00e9m da alta tributa\u00e7\u00e3o indireta, h\u00e1 questionamentos \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de impostos sobre lucros e dividendos de empresas e \u00e0 baixa tributa\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio, que, com isso, acabam contribuindo para aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de renda dos mais ricos.<\/p>\n<p>A coordenadora do relat\u00f3rio defende que \u00e9 poss\u00edvel que as autoridades brasileiras combatam fatores que impedem a tributa\u00e7\u00e3o proporcionalmente igualit\u00e1ria, mesmo antes de uma necess\u00e1ria reforma tribut\u00e1ria. Um deles \u00e9 a evas\u00e3o tribut\u00e1ria, em que somente em 2016, segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz), deixaram de ser arrecadados R$ 275 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Como pontos positivos dos \u00faltimos anos, A Dist\u00e2ncia Que Nos Une credita ao mercado de trabalho o \u201cprincipal fator\u201d da recente redu\u00e7\u00e3o da desigualdade de renda no Brasil. Com a estabiliza\u00e7\u00e3o da economia e da infla\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 20 anos, foi poss\u00edvel ao pa\u00eds investir na queda do desemprego, na valoriza\u00e7\u00e3o real do sal\u00e1rio m\u00ednimo e no aumento do mercado formal. H\u00e1 diferen\u00e7as, por\u00e9m, que ainda precisam ser enfrentadas, de acordo com o relat\u00f3rio. Ele tamb\u00e9m enumera dados sobre as j\u00e1 recorrentes diferencia\u00e7\u00f5es salariais entre mulheres\/homens e negros\/brancos que possuem a mesma escolaridade.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e9dia brasileira de anos de estudo \u00e9 de 7,8 anos, abaixo das m\u00e9dias latino-americanas, como as do Chile e Argentina (9,9 anos), Costa Rica (8,7 anos) e M\u00e9xico (8,6 anos). \u00c9 ainda mais distante da m\u00e9dia de pa\u00edses desenvolvidos\u201d, indica o estudo, complementando que apenas 34,6% dos jovens de 18 a 24 anos est\u00e3o matriculados em universidades, dos quais apenas 18% concluem o curso.<\/p>\n<p>Juventude negra e pobre \u00e9 a mais afetada por barreiras educacionais<\/p>\n<p>\u201cEm geral, a juventude negra e pobre \u00e9 a mais afetada pelas barreiras educacionais. Baixo n\u00famero de anos de estudo, evas\u00e3o escolar e dificuldade de acesso \u00e0 universidade s\u00e3o problemas maiores para esses grupos, que, n\u00e3o por acaso, est\u00e3o na base da pir\u00e2mide de renda brasileira\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para Katia Maia, a constru\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira \u00e9 baseada em uma divis\u00e3o entre cidad\u00e3os de \u201cprimeira e de segunda categoria. \u201cOs n\u00fameros s\u00e3o muito fortes: 80% das pessoas negras ganham at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, e estamos falando de 50% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. A gente olha no nosso entorno e v\u00ea as bolhas de pessoas brancas, enquanto as negras s\u00e3o colocadas na periferia da cidade. \u00c9 importante a gente debater e conversar sobre o racismo, mostrando que somos iguais. Esse d\u00e9ficit a gente tem de assumir, que somos pa\u00eds racista e enfrentar, buscar solucionar isso. \u00c9 grave porque do jeito que est\u00e3o colocados, os n\u00fameros falam por si, a gente quase n\u00e3o resolve isso nesse s\u00e9culo\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Embora aponte uma \u201cnot\u00e1vel universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d, o relat\u00f3rio pede cuidados para lidar com a evas\u00e3o escolar, especialmente em s\u00e9ries mais adiantadas. No que diz respeito a outros servi\u00e7os essenciais, apesar de elogiar uma \u201cimportante expans\u00e3o\u201d nos \u00faltimos anos, o documento coloca como desafio a amplia\u00e7\u00e3o do acesso de mulheres e negros ao sistema p\u00fablico de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O documento lembra &#8211; como exemplos de desigualdade &#8211; a situa\u00e7\u00e3o de dois dos 96 distritos de S\u00e3o Paulo, a maior cidade brasileira: \u201cDados mais recentes d\u00e3o conta de que, em Cidade Tiradentes, bairro de periferia de S\u00e3o Paulo, a idade m\u00e9dia ao morrer \u00e9 de 54 anos, 25 a menos do que no distrito de Pinheiros, onde ela \u00e9 de 79 anos. Trata-se de um dado que resume como as desigualdades se manifestam de diversas formas, sempre a um pre\u00e7o muito alto para a base da pir\u00e2mide social no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Com elogios \u00e0 redu\u00e7\u00e3o geral da desigualdade de renda e pobreza ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, o relat\u00f3rio considera ainda a retirada, nos \u00faltimos 15 anos, de 28 milh\u00f5es de pessoas da pobreza e a sa\u00edda do Brasil do Mapa da Fome, em 2015. A parcela da popula\u00e7\u00e3o abaixo da linha da pobreza caiu, entre 1988 e 2015, de 37% para 10%, conforme o estudo. Devido \u00e0 crise econ\u00f4mica dos \u00faltimos anos, por\u00e9m, os governos t\u00eam feito \u201cmudan\u00e7as radicais\u201d que, segundo o levantamento, evidenciam uma \u201cacelerada redu\u00e7\u00e3o do papel do Estado\u201d que \u201caponta para um novo ciclo de aumento de desigualdades\u201d, segundo a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Garantia de Direitos<\/span><\/p>\n<p>A Emenda do Teto dos Gastos, que limita os gastos p\u00fablicos por 20 anos, \u00e9 considerada no documento como um \u201clargo passo atr\u00e1s na garantia de direitos\u201d. De acordo com as constata\u00e7\u00f5es da Oxfam Brasil, h\u00e1 a necessidade de se revisar a reforma trabalhista aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, \u201conde ela significou a perda de direitos\u201d. Outros entraves ao fim das \u201cdesigualdades extremas\u201d do Brasil, segundo a pesquisa, s\u00e3o a melhoria dos mecanismos de presta\u00e7\u00e3o de contas, mais transpar\u00eancia, combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e uma \u201cefetiva regula\u00e7\u00e3o da atividade de lobby\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Katia, a meta do relat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 defender que todas as pessoas tenham a mesma coisa e sim mostrar os extremos que n\u00e3o devem ser aceitos pela sociedade. No dia em que se completam dois anos da assinatura dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) pelos 193 Estados Membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), com metas para os pa\u00edses at\u00e9 2030, a coordenadora do relat\u00f3rio acredita, corroborando o documento, que as desigualdades \u201cn\u00e3o s\u00e3o inevit\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>\u201cElas s\u00e3o fruto de decis\u00f5es pol\u00edticas, de interesses, e nos n\u00edveis que n\u00f3s temos hoje no Brasil, s\u00e3o eticamente inaceit\u00e1veis. Estamos construindo uma sociedade onde uma parte da popula\u00e7\u00e3o vale mais que outra. N\u00e3o pode ser assim, somos todos parte da mesma sociedade. Essa dist\u00e2ncia entre n\u00f3s est\u00e1 t\u00e3o grande que a \u00fanica forma de reduzir \u00e9 atuando juntos, nos unindo\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, os seis maiores bilion\u00e1rios t\u00eam a mesma riqueza e patrim\u00f4nio que os 100 milh\u00f5es de brasileiros mais pobres. 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