{"id":81076,"date":"2017-09-15T20:26:07","date_gmt":"2017-09-15T23:26:07","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/09\/15\/os-sonhos-seguram-o-mundo\/"},"modified":"2018-04-16T08:04:58","modified_gmt":"2018-04-16T11:04:58","slug":"os-sonhos-seguram-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=81076","title":{"rendered":"\u201cOS SONHOS SEGURAM O MUNDO\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Quando eu disse \u00e0 escritora N\u00e9lida Pi\u00f1on, autora do famoso \u201cA rep\u00fablica dos sonhos\u201d, que estava de viagem a Portugal, ela, de forma veemente, recomendou: \u201cN\u00e3o deixe de visitar a Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Saramago. H\u00e1 muito o que aprender com as obras do \u00fanico escritor em l\u00edngua portuguesa que ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Literatura\u201d.<\/p>\n<p>De fato, a acad\u00eamica brasileira tinha raz\u00e3o. Primeiro porque a Casa dos Bicos, em Alfama, \u00e9 um not\u00e1vel centro cultural, que re\u00fane farto material sobre a vida e a obra do autor de \u201cMemorial do Convento\u201d. Depois, porque anota certas coincid\u00eancias que mexem com a nossa imagina\u00e7\u00e3o, como a valoriza\u00e7\u00e3o da palavra \u201csonho\u201d.<\/p>\n<p>No interior da casa de quatro andares, subindo a p\u00e9 sua linda escadaria, pude registrar certos pensamentos de Saramago: \u201cTeve bons mestres nas longas horas noturnas que passou em bibliotecas p\u00fablicas lendo ao acaso, com o mesmo assombro criador do navegante, que vai inventando cada lugar que descobre\u201d.<\/p>\n<p>Assim se revela o seu apre\u00e7o pelo que representam os livros na sua forma\u00e7\u00e3o e o papel das bibliotecas, especialmente as p\u00fablicas, na vida de quem n\u00e3o teve a fortuna de frequentar universidades ou escolas superiores, mas chegou ao topo da carreira de escritor. Revelava, por isso mesmo, uma clara \u201chumildade orgulhosa&#8221;.<\/p>\n<p>Saramago foi um grande amigo do Brasil e particularmente do nosso acad\u00eamico Jorge Amado. Costumava dizer que um dos dois um dia ganharia a l\u00e1urea da Academia Sueca (1998). Numa visita ao Rio de Janeiro, em companhia da sua amada Pilar Del Rio, hoje respons\u00e1vel pela dire\u00e7\u00e3o da Casa dos Bicos, aceitou o convite para um jantar no Hotel Gl\u00f3ria, o que foi um prazer imenso. Conversamos horas a fio sobre o destino das literaturas dos nossos povos respectivos e a necessidade de um maior interc\u00e2mbio entre o Brasil e Portugal, tese que reacendi agora na audi\u00eancia que me foi concedida em Lisboa pelo presidente Artur Anselmo, da Academia das Ci\u00eancias de Lisboa.<\/p>\n<p>Voltemos a Jos\u00e9 Saramago, hoje apreciado em 40 l\u00ednguas. Para ele, a escrita, mais do que uma atividade meramente ficcional, \u00e9 ditada pela necessidade de indagar dos destinos da humanidade, das paix\u00f5es e dos furores que a determinam. Faz uma escolha fundamental: \u201cEm todas as minhas obras, sempre apontei na mulher a componente salvadora de uma humanidade hoje mais do que nunca \u00e0 deriva\u201d.<\/p>\n<p>Depois, recusa-se a admitir ser um romancista hist\u00f3rico: \u201cH\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o que, de certa maneira, marcou o meu percurso como escritor, sobretudo como romancista e que, tenho de confessar, recebo com uma certa impaci\u00eancia. Trata-se do r\u00f3tulo gasto de que sou um romancista hist\u00f3rico&#8230;. Vejo a humanidade como se fosse o mar&#8230; que \u00e9 o tempo\u201d.<\/p>\n<p>Com essas caracter\u00edsticas, Saramago venceu o Pr\u00eamio Nobel. Ganhou 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares e aplicou parte do dinheiro na cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o que leva o seu nome &#8211; e hoje est\u00e1 em pleno funcionamento, num local nobre de Lisboa. \u00c0 frente da Casa dos Bicos, foi plantada uma oliveira, trazida da terra natal do autor (Azinhaga). Ali foram depositadas as suas cinzas e colocada a frase por ele escolhida: \u201cMas n\u00e3o subiu \u00e0s estrelas se \u00e0 terra pertencia!\u201d, de grande significado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu disse \u00e0 escritora N\u00e9lida Pi\u00f1on, autora do famoso \u201cA rep\u00fablica dos sonhos\u201d, que estava de viagem a Portugal, ela, de forma veemente, recomendou: \u201cN\u00e3o deixe de visitar a Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Saramago. H\u00e1 muito o que aprender com as obras do \u00fanico escritor em l\u00edngua portuguesa que ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Literatura\u201d. 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