{"id":79150,"date":"2017-08-15T00:14:35","date_gmt":"2017-08-15T03:14:35","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/08\/15\/missao-haiti-3\/"},"modified":"2018-04-16T08:05:41","modified_gmt":"2018-04-16T11:05:41","slug":"missao-haiti-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=79150","title":{"rendered":"Miss\u00e3o Haiti (3)"},"content":{"rendered":"<p>Cortou-me o cora\u00e7\u00e3o! Certo dia, uma crian\u00e7a de 10 anos se aproximou com os olhos tristes, voz muito baixa, e segredou-me em l\u00edngua crioula: \u201ceu queria ir \u00e0 escola\u201d. Perguntei-lhe: \u201cvoc\u00ea nunca esteve em uma escola?\u201d. A resposta negativa daquele pequeno afrodescendente tinha fundamento. Para ir \u00e0 escola da rede p\u00fablica no Haiti, os pais t\u00eam que gastar ao menos para uniforme e material escolar, que n\u00e3o s\u00e3o baratos. A maioria das crian\u00e7as fica sem instru\u00e7\u00e3o formal e pode continuar analfabeta por toda a vida. O \u00edndice de analfabetismo naquele pa\u00eds \u00e9 alto. Embora dados oficias d\u00e3o a cifra de cerca de 40%, o que j\u00e1 seria muito, sabe-se que o n\u00famero \u00e9 bem maior. Em algumas regi\u00f5es, as pessoas que n\u00e3o sabem ler nem escrever somam al\u00e9m da metade da popula\u00e7\u00e3o. Das crian\u00e7as que entram para a escola, somente 30% chegam ao fim do curso prim\u00e1rio. \u00c9 comum ver grupos de jovens com maioria sem nenhuma escolaridade. Salvam a situa\u00e7\u00e3o as obras da Igreja que, pelo trabalho mission\u00e1rio de padres ou freiras, recolhem o maior n\u00famero de crian\u00e7as que podem, mas n\u00e3o conseguem atingir a todas. As escolas p\u00fablicas n\u00e3o chegam a 10 %, sendo 90% mantidas pelas miss\u00f5es Cat\u00f3licas e algumas protestantes das Igrejas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Na tarde do dia 20 de julho, encontramos a Miss\u00e3o da Confer\u00eancia dos Religiosos do Brasil (CRB), onde vivem seis Religiosas, uma de cada Congrega\u00e7\u00e3o, que ali est\u00e3o para ensinar trabalhos manuais, educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, com efeitos ben\u00e9ficos para a alfabetiza\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e cultura, e oferecer medicina alternativa, al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica para crian\u00e7as e adultos. Fomos recebidos com graciosa apresenta\u00e7\u00e3o de cantos e dan\u00e7as das crian\u00e7as da Inf\u00e2ncia Mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>Duas outras visitas marcaram nosso itiner\u00e1rio pelo Haiti. Na manh\u00e3 de sexta-feira, dia 21 de julho, estivemos, em grupo, na Nunciatura Apost\u00f3lica, onde encontramos Dom Martin Eug\u00e8ne Nugent, atual representante do Papa no pa\u00eds, um irland\u00eas am\u00e1vel e acolhedor. Deu-nos oportunidade de conhecer alguns aspectos da Igreja nas duas \u00fanicas Prov\u00edncias Eclesi\u00e1sticas, com as dez dioceses do territ\u00f3rio haitiano. Rezamos juntos na capela da casa e dele recebemos palavras de incentivo para nosso projeto mission\u00e1rio. O interesse por visitar a Representa\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia teve como prop\u00f3sito selar nossa uni\u00e3o espiritual com o Papa Francisco, que tem incentivado \u00e0s dioceses e arquidioceses a se tornarem, cada vez mais, \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d e a olharem, sem medo, para as periferias. Recordemos que, no momento da elei\u00e7\u00e3o de Bergoglio para a sede de Pedro, foi um Cardeal brasileiro, o franciscano Dom Cl\u00e1udio Hummes, que lhe disse ao ouvido que n\u00e3o se esquecesse dos pobres, raz\u00e3o pela qual o eleito decidiu escolher para si o nome do Poverello de Assis.<\/p>\n<p>A \u00faltima visita deu-se s\u00e1bado de manh\u00e3, quando fomos \u00e0 base militar brasileira em miss\u00e3o de paz no Haiti. Ficamos cheios de admira\u00e7\u00e3o e bons sentimentos patri\u00f3ticos, pelo que vimos. Fomos muito bem recebidos pelo Comandante da Brabat 26, Coronel Lage, o subcomandante Coronel Pontes e o Coronel Vasconcelos, G10. Acompanhou-nos muito atenciosamente o Capel\u00e3o Militar, 1\u00ba Tenente do Ex\u00e9rcito, Padre Rodrigo C\u00e9sar Ferreira, jovem presb\u00edtero que leva com brio os seus deveres militares e com exemplar fidelidade sua vida sacerdotal a servi\u00e7o dos soldados. Ficamos admirados de observar que os nossos militares brasileiros, das tr\u00eas for\u00e7as, ali n\u00e3o apenas garantem a paz, mas fazem um excelente trabalho social de ajuda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente, com v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, constru\u00e7\u00f5es e doa\u00e7\u00f5es, inclusive auxiliando as miss\u00f5es religiosas atrav\u00e9s de projetos sociais apresentados pelas comunidades.<\/p>\n<p>Na viagem de retorno ao Brasil, depois das fortes experi\u00eancias mission\u00e1rias no Haiti, uma cena nos impressionou j\u00e1 no Panam\u00e1. Ap\u00f3s a Missa que celebramos domingo na linda capela do aeroporto daquela cidade, uma senhora venezuelana nos veio procurar, com vis\u00edvel ang\u00fastia no rosto, e nos fez um pedido clamoroso: \u201crezem pelo povo venezuelano que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de terr\u00edvel opress\u00e3o de um governo ditador e violento, causando fome e desespero na popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A nossa miss\u00e3o continua. Todos podemos fazer algo pelo pr\u00f3ximo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cortou-me o cora\u00e7\u00e3o! Certo dia, uma crian\u00e7a de 10 anos se aproximou com os olhos tristes, voz muito baixa, e segredou-me em l\u00edngua crioula: \u201ceu queria ir \u00e0 escola\u201d. Perguntei-lhe: \u201cvoc\u00ea nunca esteve em uma escola?\u201d. A resposta negativa daquele pequeno afrodescendente tinha fundamento. Para ir \u00e0 escola da rede p\u00fablica no Haiti, os pais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[276],"tags":[],"class_list":["post-79150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dom-gil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=79150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=79150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=79150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=79150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}