{"id":79045,"date":"2017-08-12T01:36:57","date_gmt":"2017-08-12T04:36:57","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/08\/12\/quatro-historias-inspiradoras-para-falar-das-coisas-do-coracao\/"},"modified":"2017-08-12T01:36:57","modified_gmt":"2017-08-12T04:36:57","slug":"quatro-historias-inspiradoras-para-falar-das-coisas-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=79045","title":{"rendered":"Quatro hist\u00f3rias inspiradoras para falar das coisas do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Como relatar em palavras as coisas do cora\u00e7\u00e3o e revelar a profundidade daquilo que \u00e9 mais intr\u00ednseco ao ser humano (o amor)? Eis um sentimento sem forma, cor ou cheiro. Ele n\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel, mas \u00e9 poss\u00edvel senti-lo de forma desmedida. H\u00e1 quem diga que o Dia dos Pais \u00e9 todo \u201csanto\u201d dia, mas uma data \u2013 para muitos apenas comercial \u2013 pode ser o gatilho necess\u00e1rio pra um abra\u00e7o apertado h\u00e1 muito tempo n\u00e3o dado ou um \u201csimples\u201d \u201ceu te amo\u201d. Pensando nos aprendizados que a vida tem pra dar, o Di\u00e1rio Regional reuniu algumas hist\u00f3rias de luta e supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cLembro do m\u00e9dico obstetra falando: &#8216;nasceu o Arthur&#8217;. Foi instant\u00e2neo. Senti minha vida mudar na hora. Pensei: nasceu a pessoa que eu mais amo. Depois do nascimento, tive que sair da sala. Nessa hora, cinco minutos transformaram-se em cinco anos. A ansiedade e mil pensamentos tomaram conta de mim\u201d, revela o jornalista Leonardo Bonoto, 40 anos, casado h\u00e1 tr\u00eas e pai do pequeno Arthur de um ano e dois meses.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-79041\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-1.jpg\" alt=\"01_01.jpg\" width=\"675\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-1.jpg 675w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-1-360x240.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/p>\n<p><em>Leonardo Bonoto ao lado do filho Arthur.&nbsp;<\/em><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>Na lista de emo\u00e7\u00f5es que fizeram hist\u00f3ria no cora\u00e7\u00e3o de Leonardo, tamb\u00e9m est\u00e3o o momento no qual ele ouviu o cora\u00e7\u00e3o do filho pela primeira vez e a rea\u00e7\u00e3o do pai ao saber da gravidez. \u201cPor causa de problemas de sa\u00fade que tive, eu e minha mulher optamos pela insemina\u00e7\u00e3o artificial. Deu certo de primeira, o que costuma ser raro neste tipo de procedimento m\u00e9dico. Ela me deu a not\u00edcia da gravidez pelo WhatsApp, pois eu estava no trabalho naquela hora. Toda minha fam\u00edlia comemorou. Meu pai, inclusive, me abra\u00e7ou e chorou, pois ele sempre soube que a paternidade era um sonho pra mim. Ap\u00f3s um m\u00eas e meio de gravidez, eu e minha esposa escutamos o cora\u00e7\u00e3o dele batendo durante o exame de ultrassom. Nem consigo explicar o que senti\u201d, finaliza Leonardo.<\/p>\n<h4>TRANSFORMANDO A DOR EM CORAGEM<\/h4>\n<p>Os super-her\u00f3is existem. Mas diferente da imagem constru\u00edda pelas pessoas na inf\u00e2ncia, eles n\u00e3o andam por a\u00ed voando com aquelas roupas coloridas que lhes s\u00e3o t\u00edpicas. Na verdade, est\u00e3o entre n\u00f3s. S\u00e3o mortais, mas com uma for\u00e7a interior inexplic\u00e1vel. Este \u00e9 o caso de Octavio Fernandes, pai do pequeno Paulinho, que faleceu no dia 27 de julho de 2016, aos seis anos, devido a uma infec\u00e7\u00e3o generalizada grave, ap\u00f3s contrair um v\u00edrus no pulm\u00e3o. Tamb\u00e9m v\u00edtima de Leucemia, o menino recebeu um transplante de medula em novembro 2015. Nas altas hospitalares, Octavio chegou a se vestir v\u00e1rias vezes de super-her\u00f3i para \u201cresgatar\u201d o filho das interna\u00e7\u00f5es. Apesar do c\u00e2ncer n\u00e3o ter voltado, a sa\u00fade de Paulinho foi ficando debilitada por conta da quantidade de cortic\u00f3ides.<\/p>\n<p>O menino se tornou s\u00edmbolo de uma campanha no Facebook, por meio da p\u00e1gina Juntos pelo Paulinho, que fez aumentar o n\u00famero de cadastros de doadores de medula \u00f3ssea no Hemominas de Juiz de Fora. Por fim, a mobiliza\u00e7\u00e3o se estendeu por todo o pa\u00eds e ganhou, al\u00e9m de m\u00eddia nacional, adeptos de todo o Brasil. O pai destaca \u2013 e relembra \u2013 que a campanha sempre foi a favor da vida de todos os que precisam da doa\u00e7\u00e3o de medula. Sempre articulados nas redes, Octavio e sua esposa, Paula Chagas, mant\u00eam a p\u00e1gina em opera\u00e7\u00e3o. Paulinho se foi, mas o seu exemplo ainda gera vida pra quem precisa.<\/p>\n<p>\u201cEu estava l\u00e1 quando ele se foi. At\u00e9 hoje h\u00e1 momentos que choro. As fotos at\u00e9 consigo ver, mas os v\u00eddeos n\u00e3o. Meu filho mais velho, de 24 anos, j\u00e1 mora sozinho, mas come\u00e7ou a me visitar com mais frequ\u00eancia. O Arthur atualmente est\u00e1 com quatro anos. Mesmo com a pouca idade, ele sempre me fortalece. Quando estou triste e meu olho enche d&#8217;\u00e1gua, ele vem e diz: &#8216;eu sei que voc\u00ea est\u00e1 com saudade do Paulinho. N\u00e3o fica assim n\u00e3o pai. Ele t\u00e1 bem l\u00e1 no c\u00e9u!&#8217; O Arthur sempre me coloca pra cima. Ent\u00e3o, n\u00e3o consigo dar sequ\u00eancia naquele sofrimento\u201d, relata Octavio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-79042\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-2.jpg\" alt=\"01_02.jpg\" width=\"338\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-2.jpg 338w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-2-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/p>\n<p><em>Octavio Fernandes com os filhos Arthur (\u00e0 direita) e Paulinho (\u00e0 esquerda).&nbsp;<\/em><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>Com o tempo a dor diminui? O pai de Paulinho diz que n\u00e3o. \u201cA dor da perda de um filho nunca passa. Aprendi a conviver com ela. Fa\u00e7o tratamento pra conseguir fazer outras coisas e n\u00e3o deixar isso me abater. O que muda \u00e9 a forma como a gente encara. Buscamos na f\u00e9 o aux\u00edlio pra conseguir suportar\u201d, conta Octavio, que define sua concep\u00e7\u00e3o de pai. \u201c\u00c9 preciso ter dedica\u00e7\u00e3o. Pra que seu filho seja um agente de mudan\u00e7a, voc\u00ea tem que ser pra ele um exemplo; algu\u00e9m em quem se espelhar\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px; font-weight: bold; line-height: 1.1;\">PAI E FILHA NA UNIVERSIDADE<\/span><\/p>\n<p>Que tal ir para a faculdade junto com seu pai? Mariana Monteiro, 23 anos, fez isso por algum tempo. O militar aposentado Wellington Monteiro, 53 anos, n\u00e3o teve, quando mais jovem, a oportunidade de estudar, porque come\u00e7ou a trabalhar muito cedo. Hoje, formado, ele \u00e9 professor de sociologia na unidade educacional do Ceresp, onde ministra aulas de sociologia para detentos do sistema prisional.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai voltou a estudar depois de quase 30 anos parado. H\u00e1 cerca de tr\u00eas, ele n\u00e3o tinha nem o ensino m\u00e9dio. Ent\u00e3o, estudou por meio do projeto Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o XXIII. Por meio do Enem, ele entrou na UFJF para fazer a gradua\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Humanas e atrasou um semestre para que pud\u00e9ssemos formar juntos\u201d, conta Mariana, que relata ainda sua experi\u00eancia na cola\u00e7\u00e3o de grau. \u201cA formatura aconteceu recentemente, no dia 9 de agosto. Foi ele quem entregou o meu diploma ao inv\u00e9s do meu coordenador\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-79043\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-3.jpg\" alt=\"01_03.jpg\" width=\"595\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-3.jpg 595w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-3-300x227.jpg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-3-360x272.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/p>\n<p><em>Mariana Monteiro e seu pai, Wellington Monteiro, formaram-se no mesmo curso na UFJF em agosto deste ano. Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>Mariana revela tamb\u00e9m que o contato dentro da sala de aula com seu pai, em algumas disciplinas, tamb\u00e9m rendeu boas conversas de cunho acad\u00eamico dentro de casa. \u201cSempre discutimos quest\u00f5es sobre pol\u00edtica em casa, por exemplo. Com isso, minha m\u00e3e acabou aprendendo muitas coisas tamb\u00e9m. Tenho muito orgulho do meu pai. Ele me inspira e me faz querer sempre almejar coisas melhores pra mim&#8221;, confessa orgulhosa.<\/p>\n<h4>O PODER DA FAM\u00cdLIA<\/h4>\n<p>O frentista aposentado Nilson Geraldo da Silva, 56 anos, sempre teve uma vida ativa. Independente e sempre acostumado a tomar todas as decis\u00f5es, o homem, pai de tr\u00eas filhos, foi diagnosticado, em janeiro deste ano, com a S\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9, uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica, cujo principal sintoma \u00e9 a fraqueza muscular. A paralisia pode come\u00e7ar pelos p\u00e9s e subir pelo corpo, chegando at\u00e9 o rosto. Em casos mais graves, pode afetar o diafragma e levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-79044\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-4.jpeg\" alt=\"01_04.jpeg\" width=\"483\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-4.jpeg 483w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-4-300x280.jpeg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/diario-int-18527-4-360x335.jpeg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><\/p>\n<p><em>Com amor e dedica\u00e7\u00e3o, Luis Arthur ajudou seu pai a superar as complica\u00e7\u00f5es da S\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9.&nbsp;Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s o diagn\u00f3stico, meu pai ficou cerca de 45 dias internado. Logo na primeira semana ele ficou sem andar, e os movimentos dos bra\u00e7os ficaram comprometidos. S\u00f3 era poss\u00edvel realizar a alimenta\u00e7\u00e3o por meio de uma sonda\u201d, explica um dos filhos, Luis Arthur Amaral Silva, 25 anos. \u201cAtualmente, ele anda com o aux\u00edlio de uma muleta. Pra voltar a comer sem sonda, demorou dois meses e meio. A depend\u00eancia da fam\u00edlia pra fazer tudo deixava o meu pai estressado algumas vezes. Entretanto, ele foi forte e, de certa forma, soube lidar bem com a doen\u00e7a, pois al\u00e9m do nosso apoio constante, ele \u00e9 um homem de muita f\u00e9. Uma das coisas que ele mais sente falta \u00e9 de realizar suas atividades como Ministro da Eucaristia\u201d, destaca Luis Arthur.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai \u00e9 um cara brincalh\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 do tipo de pessoa que para pra conversar mais intimamente. Por\u00e9m, eu aprendo com ele diariamente por meio de suas atitudes\u201d, finaliza Arthur.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como relatar em palavras as coisas do cora\u00e7\u00e3o e revelar a profundidade daquilo que \u00e9 mais intr\u00ednseco ao ser humano (o amor)? Eis um sentimento sem forma, cor ou cheiro. Ele n\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel, mas \u00e9 poss\u00edvel senti-lo de forma desmedida. 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