{"id":78997,"date":"2017-08-11T20:14:14","date_gmt":"2017-08-11T23:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/08\/11\/as-novas-regras-ortograficas-o-que-mudou-e-como-eu-me-viro-com-isso-tudo\/"},"modified":"2017-08-11T20:14:14","modified_gmt":"2017-08-11T23:14:14","slug":"as-novas-regras-ortograficas-o-que-mudou-e-como-eu-me-viro-com-isso-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=78997","title":{"rendered":"AS NOVAS REGRAS ORTOGR\u00c1FICAS: O QUE MUDOU E COMO EU ME VIRO COM ISSO TUDO!"},"content":{"rendered":"<p>Em 2009, o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990 foi enfim colocado em vigor no Brasil (e nos demais pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa). Inicialmente, foi estabelecido um per\u00edodo em que j\u00e1 vigorariam as novas regras, mas em que as anteriores ainda poderiam ser usadas, numa esp\u00e9cie de per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o. Esse per\u00edodo, inicialmente, foi estipulado para a partir de 1\u00ba de janeiro de 2013. Depois, foi aumentado para 1\u00ba de janeiro de 2016. Enfim, nesta data, a nova regra entrou definitivamente em vigor, sem ressalvas ou coexist\u00eancia.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o quase insignificantes do ponto de vista estat\u00edstico. No Portugu\u00eas Brasileiro, cerca de apenas 0,7 % do vocabul\u00e1rio foi \u201cafetado\u201d pelas novas regras. Mas mudar a ortografia \u00e9 algo complicado para uma l\u00edngua, para os falantes, pois aspectos importantes da l\u00edngua e da Fonologia\/Fon\u00e9tica podem ser descaracterizados.<\/p>\n<p>Na L\u00edngua Inglesa, apenas uma reforma foi feita, marcando o \u201coldenglish\u201d e o \u201cnew english\u201d. Isso apenas por conta da novidade de Gutenberg. No Brasil, por sua vez, j\u00e1 tivemos muitas reformas ou algo parecido.<\/p>\n<p>Veja um resumo da cronologia dessas discuss\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<h4>CRONOLOGIA DAS REFORMAS ORTOGR\u00c1FICAS NA L\u00cdNGUA PORTUGUESA<\/h4>\n<p>\u2022 S\u00e9c XVI at\u00e9 ao s\u00e9c. XX &#8211; Em Portugal e no Brasil a escrita praticada era de car\u00e1ter etimol\u00f3gico (procurava-se a raiz latina ou grega para escrever as palavras).<br \/>\u2022 1907 &#8211; A Academia Brasileira de Letras come\u00e7a a simplificar a escrita nas suas publica\u00e7\u00f5es.<br \/>\u2022 1910 &#8211; Implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em Portugal: foi nomeada uma Comiss\u00e3o para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme, para ser usada nas publica\u00e7\u00f5es oficiais e no ensino.<br \/>\u2022 1911 &#8211; Primeira Reforma Ortogr\u00e1fica: tentativa de uniformizar e simplificar a escrita de algumas formas gr\u00e1ficas, mas que n\u00e3o foi extensiva ao Brasil.<br \/>\u2022 1915 &#8211; A Academia Brasileira de Letras resolve harmonizar a ortografia com a portuguesa.<br \/>\u2022 1919 &#8211; A Academia Brasileira de Letras revoga a sua resolu\u00e7\u00e3o de 1915.<br \/>\u2022 1924 &#8211; A Academia de Ci\u00eancias de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras come\u00e7am a procurar uma grafia comum.<br \/>\u2022 1929 &#8211; A Academia Brasileira de Letras lan\u00e7a um novo sistema gr\u00e1fico.<br \/>\u2022 1931 &#8211; Foi aprovado o primeiro Acordo Ortogr\u00e1fico entre o Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferen\u00e7as, unificar e simplificar a l\u00edngua portuguesa, contudo n\u00e3o foi posto em pr\u00e1tica.<br \/>\u2022 1938 &#8211; Foram sanadas as d\u00favidas quanto \u00e0 acentua\u00e7\u00e3o de palavras.<br \/>\u2022 1943 &#8211; Foi redigido, na primeira Conven\u00e7\u00e3o Ortogr\u00e1fica entre Brasil e Portugal, o Formul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico de 1943.<br \/>\u2022 1945 &#8211; O acordo ortogr\u00e1fico tornou-se lei em Portugal, mas no Brasil n\u00e3o foi ratificado pelo Governo. Os brasileiros continuaram a regular-se pela ortografia anterior, do Vocabul\u00e1rio de 1943.<br \/>\u2022 1971 &#8211; Foram promulgadas altera\u00e7\u00f5es no Brasil, reduzindo as diverg\u00eancias ortogr\u00e1ficas com Portugal.<br \/>\u2022 1973 &#8211; Foram promulgadas altera\u00e7\u00f5es em Portugal, reduzindo as diverg\u00eancias ortogr\u00e1ficas com o Brasil.<br \/>\u2022 1975 &#8211; A Academia das Ci\u00eancias de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboram novo projeto de acordo, que n\u00e3o foi aprovado oficialmente.<br \/>\u2022 1986 &#8211; O presidente brasileiro Jos\u00e9 Sarney promoveu um encontro dos sete pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa &#8211; Angola, Brasil, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, Portugal e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe &#8211; no Rio de Janeiro. Foi apresentado o Memorando Sobre o Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa.<br \/>\u2022 1990 &#8211; A Academia das Ci\u00eancias de Lisboa convocou novo encontro juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa. As duas academias elaboram a base do Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa. O documento entraria em vigor (de acordo com o 3\u00ba artigo do mesmo), no dia 1\u00ba de Janeiro de 1994, ap\u00f3s depositados todos os instrumentos de ratifica\u00e7\u00e3o de todos os Estados junto do Governo portugu\u00eas.<br \/>\u2022 1996 &#8211; O \u00faltimo acordo foi apenas ratificado por Portugal, Brasil e Cabo Verde.<br \/>\u2022 2004 &#8211; Os ministros da Educa\u00e7\u00e3o da CPLP reuniram-se em Fortaleza (Brasil), para propor a entrada em vigor do Acordo Ortogr\u00e1fico, mesmo sem a ratifica\u00e7\u00e3o de todos os membros.<\/p>\n<p>As justificativas principais para essa \u00faltima reforma foram:<br \/>&#8211; redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o de livros;<br \/>&#8211; facilita\u00e7\u00e3o na aprendizagem da l\u00edngua pelos estrangeiros, e<br \/>&#8211; simplifica\u00e7\u00e3o de algumas regras ortogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>O acordo foi aprovado e j\u00e1 est\u00e1 em pleno vigor! Seguem a seguir algumas mudan\u00e7as. No pr\u00f3ximo domingo, teremos a continua\u00e7\u00e3o dessas regras!<\/p>\n<h4>*ALFABETO<\/h4>\n<p>A influ\u00eancia do ingl\u00eas no nosso idioma agora \u00e9 oficial. H\u00e1 muito tempo as letras \u201ck\u201d, \u201cw\u201d e \u201cy\u201d faziam parte do nosso idioma, isto n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade. Elas j\u00e1 apareciam em unidades de medidas, nomes pr\u00f3prios e palavras importadas do idioma ingl\u00eas, como:<br \/>&#8211; Km &#8211; quil\u00f4metro,<br \/>&#8211; Kg &#8211; quilograma,<br \/>&#8211; Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros.<\/p>\n<h4>*TREMA<\/h4>\n<p>N\u00e3o se usa mais o trema em palavras do portugu\u00eas. Quem digita muito textos cient\u00edficos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever lingu\u00edstica, frequ\u00eancia. Ele s\u00f3 vai permanecer em nomes pr\u00f3prios e seus derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele B\u00fcndchen n\u00e3o vai deixar de usar o trema em seu nome, pois \u00e9 de origem alem\u00e3 (neste caso, o \u201c\u00fc\u201d l\u00ea-se \u201ci\u201d)<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 preciso usar o acento diferencial para distinguir:<br \/>*Para (verbo) de para (preposi\u00e7\u00e3o)<br \/>EX: \u201cEsse carro velho para em toda esquina\u201d.<br \/>\u201cEstarei voltando para casa daqui a uma hora\u201d.<\/p>\n<p>*Pela, pelo (verbo pelar) de pela, pelo (preposi\u00e7\u00e3o + artigo) e pelo (substantivo)<\/p>\n<p>*Polo (substantivo) de polo (combina\u00e7\u00e3o antiga e popular de por e lo).<\/p>\n<p>*Pera (fruta) de pera (preposi\u00e7\u00e3o arcaica).<\/p>\n<p>A pron\u00fancia ou categoria gramatical dessas palavras ser\u00e1 verificada de acordo com o contexto.<\/p>\n<h4>*ACENTO AGUDO<\/h4>\n<p>&#8211; Ditongos abertos \u201cei\u201d, \u201coi\u201d<br \/>N\u00e3o se usa mais acento nos ditongos ABERTOS \u201cei\u201d, \u201coi\u201d quando estiverem na pen\u00faltima s\u00edlaba.<br \/>Ex: He-roi-co \/ ji-boi-a \/ as-sem-blei-a \/ i-dei-a \/pa-ra-noi-co \/ joi-a<\/p>\n<p>OBS: S\u00f3 vamos acentuar essas letras quando vierem na \u00faltima s\u00edlaba e se o som delas estiverem aberto.<br \/>Ex: C\u00e9u \/ v\u00e9u \/ d\u00f3i \/ her\u00f3i \/ chap\u00e9u \/ belel\u00e9u<br \/>Rei, dei, comeu, foi (som fechado &#8211; sem acento)<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o se recebem mais acento agudo as vogais t\u00f4nicas \u201cI\u201d e \u201cU\u201d quando forem parox\u00edtonas (pen\u00faltima s\u00edlaba forte) e precedidas de ditongo.<br \/>Ex: feiura \/ baiuca \/ boiuno<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o devemos mais acentuar o \u201cU\u201d t\u00f4nico os verbos dos grupos \u201cGUE\/GUI\u201d e \u201cQUE\/QUI\u201d. Por isso, esses verbos ser\u00e3o grafados da seguinte maneira:<br \/>Averiguo (leia-se a-ve-ri-gu-o, pois o \u201cU\u201d tem som forte)\/ Arguo \/ Apazigue \/ Enxague \/ Arguem \/ Delinguo<\/p>\n<h4>*ACENTO CIRCUNFLEXO<\/h4>\n<p>&#8211; N\u00e3o se acentuam mais as vogais dobradas \u201cEE\u201d e \u201cOO\u201d.<br \/>Ex: Creem \/ Veem \/ Deem \/ Releem \/ Leem \/ Descreem \/ Voo \/ Perdoo \/ Enjoo<\/p>\n<p><strong>Colabora\u00e7\u00e3o Marco Antonio &#8220;Macarr\u00e3o&#8221;, professor de L\u00edngua Portuguesa, Literatura e Discursivas<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2009, o Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990 foi enfim colocado em vigor no Brasil (e nos demais pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa). Inicialmente, foi estabelecido um per\u00edodo em que j\u00e1 vigorariam as novas regras, mas em que as anteriores ainda poderiam ser usadas, numa esp\u00e9cie de per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o. 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