{"id":77915,"date":"2017-07-25T00:03:12","date_gmt":"2017-07-25T03:03:12","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/07\/25\/pesquisadora-avalia-importancia-do-dia-internacional-da-mulher-negra\/"},"modified":"2017-07-25T00:03:12","modified_gmt":"2017-07-25T03:03:12","slug":"pesquisadora-avalia-importancia-do-dia-internacional-da-mulher-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=77915","title":{"rendered":"Pesquisadora avalia import\u00e2ncia do Dia Internacional da Mulher Negra"},"content":{"rendered":"<p>Mulher negra, sem direitos, apenas deveres! Chicoteada no tronco e, invariavelmente, obrigada a atender \u00e0s vontades sexuais do senhor da Casa Grande. No mundo contempor\u00e2neo, o cen\u00e1rio \u00e9 outro e muito mais favor\u00e1vel. Por\u00e9m, a palavra \u201cigualdade\u201d ainda est\u00e1 longe de ser o termo p\u00f3s-moderno que define as rela\u00e7\u00f5es humanas. \u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds que teve quase quatro s\u00e9culos de escravid\u00e3o\u201d, pontua Carolina Bezerra, mestre e doutora em educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que exalta ainda a import\u00e2ncia do Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha, celebrado nesta ter\u00e7a-feira, 25. \u201cO intuito \u00e9 discutir as desigualdades que as mulheres negras vivem na atualidade e que s\u00e3o oriundas de uma estrutura escravocrata\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>Para Carolina, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisadora das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, as reflex\u00f5es propostas pela data, celebrada desde 1992, trazem \u00e0 tona uma avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do processo hist\u00f3rico nacional, mas abarcam as popula\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses latinos e do Caribe. \u201cEssas popula\u00e7\u00f5es tiveram um desenvolvimento hist\u00f3rico com caracter\u00edsticas similares em rela\u00e7\u00e3o ao modo de enxergar a mulher negra. No topo da pir\u00e2mide social est\u00e1 o homem branco, depois a mulher branca, seguida do homem negro e, por fim, a mulher negra, na base dessa estrutura. Isso incide numa s\u00e9rie de quest\u00f5es que ferem os direitos humanos. 50% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 negra, sendo que as mulheres ganham sal\u00e1rios extremamente inferiores para desenvolverem as mesmas fun\u00e7\u00f5es\u201d, avalia Carolina, que tamb\u00e9m atua como docente no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o XXIII e \u00e9 ex-diretora de a\u00e7\u00f5es afirmativas da UFJF.<\/p>\n<h4>UM PEQUENO PEDA\u00c7O DA PLURALIDADE DA VIOL\u00caNCIA<\/h4>\n<p>Filha de imigrantes nordestinos em S\u00e3o Paulo, Carolina Bezerra carrega na bagagem as lembran\u00e7as dos preconceitos que vieram cedo ao seu encontro, ainda na inf\u00e2ncia. Eis a viol\u00eancia com roupagem de racismo. \u201cComecei a lidar com esse tipo de situa\u00e7\u00e3o na escola, quando era bem pequena. Entretanto, os meus exemplos e motiva\u00e7\u00e3o vieram de dentro de casa. Minha m\u00e3e \u00e9 uma mulher negra que estudou s\u00f3 at\u00e9 a 4\u00aa s\u00e9rie, e minha av\u00f3 \u00e9 analfabeta. Carrego comigo, sobretudo, a hist\u00f3ria delas, que foram subjugadas, mas, ao mesmo tempo, entenderam que o estudo poderia ser minha liberta\u00e7\u00e3o; uma forma de ter independ\u00eancia financeira e intelectual&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Em 2016, a Central de Atendimento \u00e0 Mulher (Ligue 180) recebeu 140 mil relatos de viol\u00eancia em todo o Brasil. Desse total, 60,53% das v\u00edtimas s\u00e3o mulheres declaradas negras (pretas e pardas). O Mapa da Viol\u00eancia 2015, elaborado pela Faculdade Latino-americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso), aponta um aumento de 54%, em dez anos, no n\u00famero de mortes violentas de mulheres negras, passando de 1.864, em 2003 para 2.875, em 2013. \u201cElas s\u00e3o v\u00edtimas mais frequentes do feminic\u00eddio e ainda possuem menos direitos humanos, civis e pol\u00edticos\u201d, pontua.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a mortalidade materna na mulher negra tem aumentado nos \u00faltimos anos, ao contr\u00e1rio do observado na m\u00e9dia da brasileira. Cerca de 60% dos \u00f3bitos maternos registrados no pa\u00eds s\u00e3o de pretas ou pardas. O principal motivo de morte materna entre mulheres negras \u00e9 a hipertens\u00e3o, seguida de hemorragia.<\/p>\n<p>\u201cA mulher negra \u00e9 desrespeitada em diversos aspectos, como na maternidade, na terceira idade, na velhice e no mercado de trabalho. Logo, o Brasil e os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina se tornam lugares nos quais a ONU, o Banco Mundial e v\u00e1rias ag\u00eancias internacionais come\u00e7am a perceber a realidade da discrep\u00e2ncia do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e como isso impacta negativamente a sociedade de modo geral. Isso se deve, principalmente, a uma interse\u00e7\u00e3o entre a dimens\u00e3o do racismo estrutural da sociedade brasileira e de g\u00eanero\u201d, finaliza a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulher negra, sem direitos, apenas deveres! Chicoteada no tronco e, invariavelmente, obrigada a atender \u00e0s vontades sexuais do senhor da Casa Grande. No mundo contempor\u00e2neo, o cen\u00e1rio \u00e9 outro e muito mais favor\u00e1vel. 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