{"id":76946,"date":"2017-07-10T19:03:53","date_gmt":"2017-07-10T22:03:53","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/07\/10\/cronicas-ineditas-de-jose-de-alencar-sao-lancadas-em-livro\/"},"modified":"2017-07-10T19:03:53","modified_gmt":"2017-07-10T22:03:53","slug":"cronicas-ineditas-de-jose-de-alencar-sao-lancadas-em-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=76946","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas in\u00e9ditas de Jos\u00e9 de Alencar s\u00e3o lan\u00e7adas em livro"},"content":{"rendered":"<p>Oito cr\u00f4nicas in\u00e9ditas do escritor cearense Jos\u00e9 de Alencar (1829-1877), descobertas em 2015 pelo pesquisador Wilton Marques, foram lan\u00e7adas em livro nessa semana. Ao Correr da Pena (Folhetins In\u00e9ditos) \u00e9 o t\u00edtulo da publica\u00e7\u00e3o, que tem o mesmo nome do folhetim escrito semanalmente por Alencar, entre os anos de 1854 e 1855, no jornal carioca Correio Mercantil. O lan\u00e7amento foi feito pela editora da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar).<\/p>\n<p>Marques explica que, em 1874, cr\u00f4nicas de Alencar foram reunidas em um livro organizado por Jos\u00e9 Maria Vaz Pinto Coelho, um admirador do escritor. Ficaram de fora, no entanto, oito textos. \u201cDesde ent\u00e3o, toda vez que as cr\u00f4nicas foram publicadas, seguiram o livro, e n\u00e3o o jornal\u201d, explica o professor do departamento de letras da UFSCar, por isso os textos s\u00e3o considerados in\u00e9ditos. Eles nunca foram republicados e, portanto, n\u00e3o foram recolhidos e nem estudados, restava, ent\u00e3o, encontrar os motivos que levaram \u00e0 supress\u00e3o desses textos.<\/p>\n<p>O livro traz o ensaio \u201cEnigma dos folhetins\u201d, de Wilton Marques, com a interpreta\u00e7\u00e3o das cr\u00f4nicas. \u201cFa\u00e7o uma discuss\u00e3o para mostrar que foi o Alencar que pediu mesmo [a retirada]. Tem algumas marcas que \u00e9 poss\u00edvel provar que o escritor n\u00e3o teria interesse daquele texto sair. Eu leio o folhetim, com olhar no ano que ele escreveu, que \u00e9 entre 1854 e 1855, e o outro olhar em 1874, que \u00e9 quando foi publicado. Tento mostrar que cada um desses folhetins tem alguma coisa que seria, digamos assim, reprovado publicamente, que traria problemas para ele\u201d, explica o autor.<\/p>\n<p>Em uma das cr\u00f4nicas, por exemplo, Alencar faz cr\u00edticas \u00e0 l\u00edngua tupi. \u201cTodo mundo sabe que o Alencar \u00e9 o grande escritor do romance indianista: O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874)\u201d, relaciona Marques. Ele destaca que, considerando a data em que a colet\u00e2nea foi publicada \u2013 em 1874 \u2013 ele j\u00e1 era reconhecido por essa obra e seria um contrassenso ter um texto publicado com esse tipo de ironia. \u201cDe certo modo criaria um certo constrangimento para o Alencar, porque s\u00e3o textos de juventude\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Em outro texto, o cearense faz cr\u00edticas ao mundo pol\u00edtico. Ao fazer uma compara\u00e7\u00e3o entre o Rio de Janeiro antigo e moderno, Alencar resolve falar sobre \u201cuma tal revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d que teria dado origem a uma \u201cm\u00e1quina-deputado\u201d e segue uma descri\u00e7\u00e3o ir\u00f4nica desta figura. O texto original diz:<\/p>\n<p>\u201cEsta m\u00e1quina serve para votar, levantando-se e sentando-se para dar apartes, fazer cauda aos ministros nas ocasi\u00f5es necess\u00e1rias, preencher o n\u00famero de deputados que as constitui\u00e7\u00f5es exigem, e finalmente para resistir aos deputados-homens, gente de consci\u00eancia, que tem a balda de s\u00f3 apoiar os governos ilustrados. Bem se v\u00ea, que para semelhante fim era escusado nesses pa\u00edses empregar-se um homem livre e inteligente, e que basta uma m\u00e1quina, a qual n\u00e3o possa opor trope\u00e7os \u00e0 marcha da administra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Marques lembra que, em 1874, quando o livro organizado por Pinto Coelho seria lan\u00e7ado, Jos\u00e9 de Alencar j\u00e1 tinha sido ministro e era deputado. \u201cImagino que ele falou: &#8216;N\u00e3o vou publicar isso, porque isso vai me causar um grande problema&#8217;. Ele fala que os ministros corrompem os deputados\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<h4>FOLHETIM<\/h4>\n<p>Wilton Marques explica que folhetim \u00e9 um g\u00eanero que se assemelha \u00e0 cr\u00f4nica. Como, atualmente, o primeiro termo adquiriu um car\u00e1ter ligado ao romance, o segundo \u00e9 mais esclarecedor para explicar a produ\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. O folhetim, portanto, era publicado sempre aos domingos, no rodap\u00e9 da capa do jornal, \u201ccomo uma esp\u00e9cie de resumo da semana\u201d. \u201cEra um lugar de destaque no jornal. Ent\u00e3o basicamente tinham tr\u00eas grandes assuntos: a pol\u00edtica; os bailes, o social; e a arte, podia ser uma pe\u00e7a de teatro, um livro\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p>O folhetim tinha como caracter\u00edstica tratar de assuntos diferentes em um mesmo texto. \u201cAlencar fala que o folhetinista era uma esp\u00e9cie de beija-flor, que ele beijava v\u00e1rias flores, v\u00e1rios assuntos e tinha que dar um jeito de colocar dentro do mesmo espa\u00e7o\u201d, relatou. Al\u00e9m do autor de Iracema, passaram pelo Correio Mercantil grandes escritores do s\u00e9culo 19, como Joaquim Manuel de Macedo, Gon\u00e7alves Dias, Manuel Ant\u00f4nio de Almeida e Machado de Assis.<\/p>\n<h4>PESQUISA<\/h4>\n<p>Marques destaca que o estudo da cr\u00f4nica permite uma compreens\u00e3o do tempo hist\u00f3rico. \u201cPrimeiro voc\u00ea precisa estabelecer o texto, de quem ele est\u00e1 falando, que pe\u00e7a era aquele, qual baile, que nobre. Ent\u00e3o voc\u00ea tem um trabalho de estabelecer o texto para depois interpretar. \u00c9 um trabalho um pouco mais lento de interpreta\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 isso que faz com que a gente se aproxime do tempo hist\u00f3rico, pela pontualidade\u201d, explica.<\/p>\n<p>Por ser um texto mais leve, de car\u00e1ter informativo, mas com \u201ccerto tra\u00e7o liter\u00e1rio\u201d, Marques avalia que as cr\u00f4nicas escritas por Alencar antecipam a entrada do autor na fic\u00e7\u00e3o. \u201cPorque o primeiro romance ele vai publicar em 1855, logo depois. Ent\u00e3o \u00e9 uma porta de entrada\u201d, avalia.<\/p>\n<p>O livro pode ser adquirido no site da Editora UFSCar.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito cr\u00f4nicas in\u00e9ditas do escritor cearense Jos\u00e9 de Alencar (1829-1877), descobertas em 2015 pelo pesquisador Wilton Marques, foram lan\u00e7adas em livro nessa semana. 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