{"id":73729,"date":"2017-05-12T01:03:04","date_gmt":"2017-05-12T04:03:04","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/05\/12\/cinearte-palace-fecha-as-portas-apos-69-anos\/"},"modified":"2017-05-12T01:03:04","modified_gmt":"2017-05-12T04:03:04","slug":"cinearte-palace-fecha-as-portas-apos-69-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=73729","title":{"rendered":"CineArte Palace fecha as portas ap\u00f3s 69 anos"},"content":{"rendered":"<p>Chega ao fim o &uacute;ltimo cinema de rua de Juiz de Fora. As imagens na tela do CineArte Palace poderiam n&atilde;o representar o suprassumo tecnol&oacute;gico empregado na s&eacute;tima arte atualmente, mas o espa&ccedil;o em si, localizado na esquina das ruas Halfeld e Batista de Oliveira, sempre teve car&aacute;ter afetivo ao longo de seus 69 anos de exist&ecirc;ncia. O im&oacute;vel foi vendido pelo banco Bradesco em 25 de abril de 2015 por R$6,745 milh&otilde;es, ao ser arrematado em segundo leil&atilde;o pela Fato Gestora de Neg&oacute;cios LTDA. O primeiro n&atilde;o teve nenhum interessado. Quem arrematasse n&atilde;o poderia fazer nenhuma mudan&ccedil;a na fachada e volumetria do im&oacute;vel, respeitando, portanto, as normas estabelecidas no processo de retifica&ccedil;&atilde;o (em 2004) do tombamento realizado pelo munic&iacute;pio em 1992. O cinema foi inaugurado no dia 19 de novembro de 1948, com a exibi&ccedil;&atilde;o do musical Quando os Deuses Amam, do cineasta Alexander Hall.<\/p>\n<p>&ldquo;Como amante e frequentador do cinema eu lamento&rdquo;, disse R&ocirc;mulo Veiga, superintendente da Funda&ccedil;&atilde;o Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), ressaltando que o novo propriet&aacute;rio tem o direito legal de dar outro fim para o im&oacute;vel. &ldquo;Em abril deste ano, o representante da Fato Gestora, imobili&aacute;ria que tem a posse do im&oacute;vel, notificou a Prefeitura e ao gestor do espa&ccedil;o que n&atilde;o havia o desejo de continuar com o funcionamento do cinema. Eles solicitaram o fechamento do local para dar in&iacute;cio &agrave;s reformas e colocar ali um novo empreendimento&rdquo;.<\/p>\n<p>A Funalfa executava no CineArte Palace tr&ecirc;s projetos: &ldquo;Sess&atilde;o Cidad&atilde;o&rdquo;, com exibi&ccedil;&otilde;es&nbsp;duas vezes na semana de algum filme em cartaz e ingressos a R$1; &ldquo;Clube do Professor&rdquo;, com sess&otilde;es exclusivas e gratuitas para docentes e um acompanhante aos domingos; e &ldquo;Escola vai cinema&rdquo;, que ofertava o acesso &agrave;s produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais para alunos de escolas p&uacute;blicas (preferencialmente) e privadas por meio de agendamento pr&eacute;vio.<\/p>\n<p>O superintendente da Funalfa destaca que a Funda&ccedil;&atilde;o tem conversado com outros players [exibidores da cidade], avaliando os poss&iacute;veis locais para receber esses tr&ecirc;s projetos e que o pr&oacute;prio Teatro Paschoal Carlos Magno, que ser&aacute; inaugurado em breve, ter&aacute; estrutura de exibi&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; descentralizar as a&ccedil;&otilde;es ao sair um pouco do centro, mas temos que fazer as adequa&ccedil;&otilde;es conforme a nossa realidade financeira, para que o projeto seja de longa perman&ecirc;ncia. Neste levantamento e an&aacute;lise dos locais estamos considerando o nosso objetivo principal, que &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o de p&uacute;blico&rdquo;.<\/p>\n<p>Veiga disse, ainda, que o problema mais expressivo no pa&iacute;s &eacute; a falta da democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso ao cinema. &ldquo;A m&eacute;dia no mundo hoje do custo do ticket de cinema &eacute; de 0,3% da renda per capita mensal. No Brasil esse percentual &eacute; de 0,6%. O desafio &eacute; levar produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais &agrave;s classes mais baixas. Da&iacute; vem a import&acirc;ncia de programas como Sess&atilde;o Cidad&atilde;o&rdquo;, finalizou.<\/p>\n<h4>PERDA<\/h4>\n<p>Para o especialista em cinema e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Nilson Alvarenga, o CineArte Palace era um dos poucos redutos que ainda destinavam um espa&ccedil;o para abrigar filmes fora do circuito comercial, tornando-se palco para projetos de democratiza&ccedil;&atilde;o do cinema. Al&eacute;m dos projetos da Funalfa, o Festival de Cinema Primeiro Plano, do qual Nilson &eacute; um dos organizadores, batia ponto no Palace todo ano. &ldquo;Em 15 anos de festival, 90% das edi&ccedil;&otilde;es foram realizadas l&aacute;. Havia uma precariedade no cinema do ponto de vista t&eacute;cnico, mas o valor dele para os juiz-foranos &eacute;, sobretudo, afetivo&rdquo;, avaliou Nilson.<\/p>\n<p>O docente destacou ainda que em v&aacute;rias cidades do pa&iacute;s ocorreu um processo de revitaliza&ccedil;&atilde;o dos centros urbanos, o que provocou com o passar dos anos o fechamento dos cinemas de rua. &ldquo;Essa l&oacute;gica n&atilde;o &eacute; diferente em Juiz de Fora. J&aacute; perdemos o Cine Excelsior e, agora, o Palace, que se tornou, apenas, mais um espa&ccedil;o de mem&oacute;rias&rdquo;, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chega ao fim o &uacute;ltimo cinema de rua de Juiz de Fora. 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