{"id":72394,"date":"2017-04-14T01:33:43","date_gmt":"2017-04-14T04:33:43","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/04\/14\/quase-ministro\/"},"modified":"2018-04-16T08:05:00","modified_gmt":"2018-04-16T11:05:00","slug":"quase-ministro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=72394","title":{"rendered":"QUASE MINISTRO"},"content":{"rendered":"<p>No dia 7 de fevereiro de 1985, pouco depois de voltar de uma viagem internacional, Tancredo Neves reuniu-se no Rio, com Ulisses Guimar&atilde;es, para formar o minist&eacute;rio da Nova rep&uacute;blica. Depois do primeiro encontro, os dois grandes pol&iacute;ticos voltaram a se reunir, em Bras&iacute;lia, para uma conversa mais definitiva. &Eacute; certo que o novo presidente falou com todos os governadores do Brasil, inclusive os seus advers&aacute;rios, como Leonel Brizola, para negociar nomes. Soube-se disso pelas informa&ccedil;&otilde;es passadas por parentes do futuro presidente, como o seu filho Tancredo Augusto, que me contou essa particularidade, no jantar na Manchete, em Bras&iacute;lia, dois dias antes do que seria a posse festiva.<\/p>\n<p>Adolpho Bloch era muito amigo e admirador de Tancredo Neves. Quis prestar-lhes homenagem e caprichou no jantar. Convocou toda a sua equipe para ajud&aacute;-lo na recep&ccedil;&atilde;o, no seu bel&iacute;ssimo parque gr&aacute;fico. Quando Tancredo chegou, pouco antes das 21 horas, acompanhado de D. Risoleta, Adolpho pediu que eu fosse receb&ecirc;-lo nos jardins da casa: &ldquo;N&atilde;o quero que eles tropecem nas pedras do caminho.&rdquo;<\/p>\n<p>Quando cheguei perto dele, Tancredo passou o bra&ccedil;o pelo meu pesco&ccedil;o e disse a seguinte e enigm&aacute;tica frase: &ldquo;Vou precisar muito da sua ajuda mais para a frente.&rdquo; N&atilde;o entendi nada, mas fiquei com aquilo na minha mente. Quando come&ccedil;ou o jantar, deixei o meu lugar e fui procurar o Tancredo Augusto, que jantava ao lado de A&eacute;cio Neves, para desvendar o mist&eacute;rio. Eles riram muito da minha d&uacute;vida e esclareceram: &ldquo;Ele quer colocar voc&ecirc; no Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, mas para isso teria que brigar como Brizola, governador do Rio de Janeiro. Como n&atilde;o era hora de brigar com ningu&eacute;m, deixou para fazer isso um ano depois. Voc&ecirc; ser&aacute; ocupante do MEC daqui a um ano.&rdquo; Assim tamb&eacute;m Tancredo atenderia a reivindica&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime da bancada de deputados federais do PMDB\/Rio, que havia feito esse pedido, por escrito, ao pol&iacute;tico mineiro.<\/p>\n<p>Tomando essa atitude e ouvindo todos os governadores, Tancredo adotaria a atitude de marinheiro velho: &ldquo;Na composi&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio, devemos deixar as ondas baterem umas nas outras para estudar a espuma.&rdquo; A imagem de Fernando Henrique Cardoso foi ainda mais precisa: &ldquo;Tancredo agia como um jovem no trap&eacute;zio. Pulava de l&aacute; pra c&aacute; com muita habilidade. A divis&atilde;o do poder era muito dif&iacute;cil.&rdquo; Naquela altura, alguns ministros estavam escolhidos, como Pedro Simon, Carlos Sant&rsquo;Anna, Waldir Pires, Fernando Lyra, Marcos Freire e Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es, este indicado pelo capit&atilde;o da imprensa Roberto Marinho.<\/p>\n<p>Com a reviravolta da doen&ccedil;a de Tancredo Neves, descoberta (ou tornado p&uacute;blica) na v&eacute;spera da posse &#8211; e a consequente escolha de Jos&eacute; Sarney, &eacute; claro que houve significativas altera&ccedil;&otilde;es nos crit&eacute;rios pol&iacute;ticos. O MEC, por exemplo, acabou nas m&atilde;os do acad&ecirc;mico Marco Maciel, que foi uma forma de agradar, na composi&ccedil;&atilde;o, ao poderoso PFL. E os planos de Tancredo foram com ele sepultados. Vale frisar que das conversas ministeriais do pol&iacute;tico mineiro participara ativamente o extraordin&aacute;rio homem p&uacute;blico que foi Ulisses Guimar&atilde;es. Ele sabia de tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 7 de fevereiro de 1985, pouco depois de voltar de uma viagem internacional, Tancredo Neves reuniu-se no Rio, com Ulisses Guimar&atilde;es, para formar o minist&eacute;rio da Nova rep&uacute;blica. 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