{"id":72305,"date":"2017-04-13T04:32:40","date_gmt":"2017-04-13T07:32:40","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/04\/13\/criticas-imageticas-em-olhares-marroquinos\/"},"modified":"2018-09-13T20:51:04","modified_gmt":"2018-09-13T23:51:04","slug":"criticas-imageticas-em-olhares-marroquinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=72305","title":{"rendered":"Cr\u00edticas imag\u00e9ticas em \u201cOlhares Marroquinos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Homens comandam macacos de fralda que fazem suas macaquices. Mais \u00e0 frente, as cobras sobem com toda pompa no ritmo do som das flautas produzido pelos encantadores de serpentes, e o contador de hist\u00f3rias tem ao seu dispor ouvidos atentos ao seu redor. J\u00e1 as barracas de comidas est\u00e3o sempre amontoadas, e \u201co t\u00edpico ch\u00e1 verde com menta \u00e9 maravilhoso\u201d, avalia o fot\u00f3grafo Leonardo Bruno, que j\u00e1 experimentou a iguaria durante sua visita \u00e0 pra\u00e7a Jemaa el-Fna, na cidade de Marraquexe, no Marrocos. Para al\u00e9m da explos\u00e3o de cores, cheiros e sons nas vielas e no centro urbano que ostenta pal\u00e1cios milenares, jardins e pra\u00e7as, o fot\u00f3grafo de 34 anos registrou os habitantes daquele local, para \u201cdenunciar\u201d a intimidade de um povo transformada em espet\u00e1culo. O resultado da expedi\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds, localizado no Norte do continente africano, deu origem \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o \u2013 ou provoca\u00e7\u00e3o \u2013\u201cOlhares Marroquinos\u201d, que ser\u00e1 apresentada no pr\u00f3ximo domingo, 16, das 17h \u00e0s 23h, na Casa M\u00e1gica (Rua Ces\u00e1rio Alvim, 421, S\u00e3o Bernardo).<\/p>\n<p>Nos trajes, a influ\u00eancia isl\u00e2mica. De dia, sol muito quente. \u00c0 noite, o frio. \u201c\u00c0s vezes se anda em local semi\u00e1rido, com um c\u00e9u muito bonito. O pa\u00eds tem regi\u00f5es muito desestruturadas, mas sempre tem aquela geometria marroquina com pauzinhos pra l\u00e1 e pra c\u00e1 percorrendo qualquer caminho que voc\u00ea v\u00e1\u201d, revela o fot\u00f3grafo, e mestre em Ecologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que tamb\u00e9m registrou os nativos das cidades de Fez e Chefchaouen e de alguns povoados. \u201cEsse registro fotogr\u00e1fico busca mostrar a rela\u00e7\u00e3o conflituosa entre o povo marroquino e os \u2018turistas fot\u00f3grafos\u2019 que, de certa forma, invadem seu territ\u00f3rio, estetizando sua vida. \u00c9 \u00f3bvio que essa situa\u00e7\u00e3o desencadeia um processo de extremo inc\u00f4modo para aqueles que est\u00e3o sob a mira [constantemente] de uma lente enquanto vivem sua trivialidade do dia a dia\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-72303\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-1.jpg\" alt=\"mullheresmarroquinas\" width=\"675\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-1.jpg 678w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-1-360x239.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/p>\n<p><em>(Mullheres marroquinas na pra\u00e7a Jemaa el-Fna na cidade de Marraquexe. Foto: Leonardo Bruno)<\/em><\/p>\n<p>Leonardo conta que, no in\u00edcio do ano, estava morando na Espanha para frequentar um curso de sociologia na Universidade de Salamanca, quando surgiu a oportunidade de conhecer o Marrocos. Ap\u00f3s chegar no pa\u00eds, ele percebeu nos olhares daquele povo a insatisfa\u00e7\u00e3o ao ser fotografado. Da\u00ed o nome \u201cOlhares Marroquinos\u201d para a mostra fotogr\u00e1fica, que re\u00fane 13 imagens impressas e 45 em suporte digital (televis\u00e3o) selecionadas entre as seis mil fotos tiradas no pa\u00eds de 29 de janeiro a 9 de fevereiro deste ano.<\/p>\n<p>\u201cQuando o sujeito viaja, ele quer registrar tudo, por v\u00e1rios motivos. Alguns querem exibir nas redes sociais, outros querem mostrar aos amigos mais \u00edntimos, etc. Os turistas n\u00e3o medem esfor\u00e7os para conseguir a melhor foto e, quando conseguem, n\u00e3o se preocupam se a pessoa fotografada quer ou n\u00e3o ceder sua imagem\u201d, explica Leonardo, acrescentando que seu trabalho n\u00e3o s\u00f3 exp\u00f5e, mas provoca reflex\u00e3o sobre o registro fotogr\u00e1fico dessas pessoas sem consentimento.<\/p>\n<p>Guilherme Rezende Landim, curador da exposi\u00e7\u00e3o, explica que nas imagens de divulga\u00e7\u00e3o os rostos dos fotografados foram omitidos [com recurso gr\u00e1fico] com o objetivo de instigar e provocar as pessoas. \u201cFoi um desafio encontrar uma forma de fazer esse trabalho de modo a propor uma reflex\u00e3o sobre a quest\u00e3o das identidades dessas pessoas. H\u00e1 muita vida, a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o nesse territ\u00f3rio de conflitos entre fot\u00f3grafo e fotografado\u201d, explica Landim, ressaltando que na exposi\u00e7\u00e3o o p\u00fablico poder\u00e1 remover manualmente as tarjas que cobrem os olhos dos personagens das fotos. N\u00e3o haver\u00e1 legendas de aux\u00edlio. A interpreta\u00e7\u00e3o? Subjetiva, pois ela reside no campo das emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-72304\" src=\"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-2.jpg\" alt=\"olharesmarroquinos.jpg\" width=\"678\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-2.jpg 678w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-2-300x199.jpg 300w, https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/diario-int-15237-2-360x239.jpg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0(Na exposi\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico poder\u00e1 ter acesso aos olhares dos fotografados. Foto: Leonardo Bruno)\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-family: 'Helvetica Neue', Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 18px; font-weight: bold;\">O conflito do artista durante o registro de outros conflitos<\/span><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 pra fazer uma omelete sem quebrar os ovos\u201d. Ainda que a premissa expressa nesse ditado n\u00e3o tenha sido o mote do processo de produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, a frase clich\u00ea n\u00e3o deixa de dar o tom do trabalho do artista natural de Guiricema (MG) e radicado em Juiz de Fora desde setembro de 2014. \u201cEu tamb\u00e9m enfrentei situa\u00e7\u00f5es de conflito l\u00e1. No momento em que eu tirava uma das fotos, dois policiais me abordaram e cobraram explica\u00e7\u00f5es sobre minha atitude de fotografar uma mulher\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTenho consci\u00eancia de que essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma autocr\u00edtica. Entretanto, percebo, cada vez mais, como o registro de pessoas passou a n\u00e3o ser mais explorado por mim. Foi como um aprendizado; um respeito a esse povo t\u00e3o desgastado pela busca incessante dos turistas em captar algo peculiar na vida de quem est\u00e1 trabalhando ou, simplesmente, executando uma atividade banal do seu cotidiano\u201d, reconhece o amante das imagens, que embarcou na fotografia por acaso aos 13 anos por influ\u00eancia da m\u00e3e. \u201cEla teve essa &#8216;sacada&#8217; de me dar uma boa c\u00e2mera quando eu era bem jovem. Fotografar passou, desde ent\u00e3o, a fazer parte do meu cotidiano: uma forma de estar no mundo\u201d.<\/p>\n<h4>Encruzilhada musical<\/h4>\n<p>\u201cOlhares Marroquinos\u201d ficar\u00e1 em exposi\u00e7\u00e3o apenas no pr\u00f3ximo domingo. Na oportunidade, a ambienta\u00e7\u00e3o sonora para a reflex\u00e3o proposta por Leonardo Bruno ficar\u00e1 a cargo do grupo franc\u00eas \u010cao Laru. Os seis m\u00fasicos, do Centre de Formation des Musiciens Intervenants de Rennes, trazem um di\u00e1logo entre seis vozes com v\u00e1rios instrumentos de cordas, como violino, cavaquinho, violoncelo, pandeiro, zabumba, saxofone, baixo, acordeon, entre outros.<\/p>\n<p>No repert\u00f3rio est\u00e3o as influ\u00eancias musicais da Europa e da Am\u00e9rica do Sul. Nesse sentido, a obra dos artistas configura-se como uma esp\u00e9cie de encruzilhada entre a Maced\u00f4nia e as cirandas brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Outras informa\u00e7\u00f5es com a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/664302140408768\/\">organiza\u00e7\u00e3o do evento<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fonte: Colabora\u00e7\u00e3o estagi\u00e1rio\u00a0<\/strong><b>Bruno Luis Barros<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homens comandam macacos de fralda que fazem suas macaquices. 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