{"id":71465,"date":"2017-03-28T00:33:23","date_gmt":"2017-03-28T03:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/03\/28\/especialistas-divergem-sobre-efeitos-dos-projetos-de-lei-da-terceirizacao\/"},"modified":"2017-03-28T00:33:23","modified_gmt":"2017-03-28T03:33:23","slug":"especialistas-divergem-sobre-efeitos-dos-projetos-de-lei-da-terceirizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=71465","title":{"rendered":"Especialistas divergem sobre efeitos dos projetos de lei da terceiriza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Economistas, juristas e empres&aacute;rios divergem sobre os efeitos dos projetos de lei sobre a terceiriza&ccedil;&atilde;o. Tanto o projeto, aprovado na quarta-feira, 22, na C&acirc;mara, quanto o que deve entrar em vota&ccedil;&atilde;o no Senado n&atilde;o t&ecirc;m unanimidade. Ao mesmo tempo em que alguns defendem a aprova&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias como forma de flexibilizar as rela&ccedil;&otilde;es trabalhistas e incentivar a gera&ccedil;&atilde;o de empregos, outros advogam que a terceiriza&ccedil;&atilde;o de atividades-fim das empresas poder&aacute; fragilizar as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho.<\/p>\n<p>O assunto foi discutido, nesta sexta-feira (24), no semin&aacute;rio O Direito do Trabalho e a Crise Econ&ocirc;mica: Flexibiliza&ccedil;&atilde;o e Terceiriza&ccedil;&atilde;o no Mercado de Trabalho, feito em parceria entre a Associa&ccedil;&atilde;o dos Magistrados da Justi&ccedil;a do Trabalho (Anamatra), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e a Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>Para o juiz Andr&eacute; Gustavo Villela, o projeto da C&acirc;mara, se for sancionado pelo presidente Michel Temer, vai aumentar os conflitos e os consequentes processos na Justi&ccedil;a do Trabalho, pois haver&aacute; tend&ecirc;ncia de maior rotatividade dos trabalhadores nas empresas, gerando mais a&ccedil;&otilde;es trabalhistas.<\/p>\n<p>&ldquo;Eu entendo que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel [flexibilizar sem fragilizar as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho]. O que estamos vendo no projeto do governo &eacute; que est&atilde;o querendo desregulamentar e precarizar direitos. A legisla&ccedil;&atilde;o vai aumentar os conflitos trabalhistas, porque traz problemas que n&atilde;o foram discutidos com a sociedade&rdquo;, disse Villela. Segundo ele, o projeto que est&aacute; no Senado &eacute; &ldquo;menos pior&rdquo; do que o aprovado na C&acirc;mara.<\/p>\n<p><strong>SINDICATOS FORTES<\/strong><\/p>\n<p>O economista Armando Castelar, da FGV, disse que o projeto em an&aacute;lise do Senado &eacute; mais completo e tem mais equil&iacute;brio do que a mat&eacute;ria aprovada pelos deputados. Ele disse que &eacute; preciso, para evitar a precariza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, haver sindicatos fortes que protejam os trabalhadores.<\/p>\n<p>&ldquo;Os sindicatos s&atilde;o bem preparados no Brasil, emboras n&atilde;o todos. O Senado tem uma proposta mais completa, a da C&acirc;mara d&aacute; mais margem a quest&otilde;es que n&atilde;o eram o centro da negocia&ccedil;&atilde;o. O do Senado tem mais equil&iacute;brio&rdquo;, disse Castelar, ressaltando que o Brasil tem uma alta taxa de informalidade e um desemprego gigantesco, que precisam ser atacados de alguma forma.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do diretor-t&eacute;cnico do Departamento Intersindical de Estat&iacute;sticas e Estudos Socioecon&ocirc;micos (Dieese), Clemente Ganz, a flexibiliza&ccedil;&atilde;o com aumento da terceiriza&ccedil;&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de fragiliza&ccedil;&atilde;o para os trabalhadores.<\/p>\n<p>&ldquo;A flexibiliza&ccedil;&atilde;o, que &eacute; uma autoriza&ccedil;&atilde;o para reduzir direitos, n&atilde;o vai gerar um ambiente favor&aacute;vel ao desenvolvimento. A produtividade do trabalhador est&aacute; associada &agrave; compreens&atilde;o de que o resultado que ele produz tem um m&iacute;nimo de justi&ccedil;a na sua distribui&ccedil;&atilde;o. No caso da terceiriza&ccedil;&atilde;o, o projeto que est&aacute; no Senado, sem d&uacute;vida, &eacute; melhor do que o aprovado na C&acirc;mara. Ele foi objeto de um longo debate, que incorporou v&aacute;rias contribui&ccedil;&otilde;es de trabalhadores e empregadores. Vai gerar um ambiente de seguran&ccedil;a maior para as empresas e mais confian&ccedil;a para os trabalhadores&rdquo;, disse Ganz.<\/p>\n<p><strong>COMPETITIVIDADE<\/strong><\/p>\n<p>O advogado Rafael Grassi, representante da empresa Vale, disse que &eacute; preciso haver uma legisla&ccedil;&atilde;o que regule e defina a terceiriza&ccedil;&atilde;o nas empresas, permitindo inclusive que se terceirize as atividades principais, pois muitas vezes &eacute; dif&iacute;cil separar o que &eacute; atividade-fim e atividade-meio.<\/p>\n<p>&ldquo;Permitir atividade-meio ou atividade-fim n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de gosto, &eacute; uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia e competitividade. Obrigar uma empresa no Brasil a seguir preceitos totalmente diferentes do mundo globalizado poder&aacute; estar destruindo um posto de trabalho. A adequa&ccedil;&atilde;o da nossa lei tem que ser incentivada&rdquo;, disse Grassi.<\/p>\n<p>O economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, da FGV, defendeu que &eacute; preciso acabar com a distin&ccedil;&atilde;o entre atividade-meio e atividade-fim como forma de se aumentar a produtividade das empresas.<\/p>\n<p>&ldquo;A nossa legisla&ccedil;&atilde;o, comparada com a de outros pa&iacute;ses, &eacute; muito r&iacute;gida. Permite poucos acordos e eles s&atilde;o posteriormente modificados na Justi&ccedil;a. O projeto do Senado &eacute; mais debatido e mais bem escrito, o que far&aacute; que seja mais efetivo. O pa&iacute;s tem a ganhar e a economia tamb&eacute;m, aumentando a produtividade e a competitividade&rdquo;, disse Barbosa Filho.<\/p>\n<p><strong>FALTA DEFINI&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/p>\n<p>A ju&iacute;za do Trabalho Roberta Ferme avaliou que o projeto do Senado tem vantagens sobre a mat&eacute;ria aprovada na C&acirc;mara, mas ambos carecem de defini&ccedil;&atilde;o do que seja atividade-meio e o que seja atividade-fim.<\/p>\n<p>&ldquo;O do Senado tem a previs&atilde;o de um capital garantidor para esse tipo de contrata&ccedil;&atilde;o e a possibilidade da responsabiliza&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria. O da C&acirc;mara tem um conceito mais amplo, o que &eacute; preocupante. Ao mesmo tempo em que a gente consegue fazer uma interpreta&ccedil;&atilde;o conforme a Constitui&ccedil;&atilde;o, que os ju&iacute;zes do Trabalho v&atilde;o fazer, h&aacute; possibilidade de um desvirtuamento por conta do conceito amplo do texto legal. Na minha opini&atilde;o, nenhum dos dois projetos resolve a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica [sobre a terceiriza&ccedil;&atilde;o]. Em rela&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o p&uacute;blico, h&aacute; discuss&atilde;o da inconstitucionalidade da aplica&ccedil;&atilde;o da lei, por conta do Artigo 37, Inciso 2&ordm;, que prev&ecirc; a necessidade de concurso p&uacute;blico, o que n&atilde;o acontece por meio da terceiriza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse a magistrada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economistas, juristas e empres&aacute;rios divergem sobre os efeitos dos projetos de lei sobre a terceiriza&ccedil;&atilde;o. Tanto o projeto, aprovado na quarta-feira, 22, na C&acirc;mara, quanto o que deve entrar em vota&ccedil;&atilde;o no Senado n&atilde;o t&ecirc;m unanimidade. 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