{"id":71363,"date":"2017-03-25T00:17:36","date_gmt":"2017-03-25T03:17:36","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/03\/25\/especialista-analisa-lei-da-terceirizacao\/"},"modified":"2017-03-25T00:17:36","modified_gmt":"2017-03-25T03:17:36","slug":"especialista-analisa-lei-da-terceirizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=71363","title":{"rendered":"Especialista analisa lei da terceiriza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A C&acirc;mara dos Deputados aprovou nessa quarta-feira, 22, o projeto de lei (PL) 4.302\/1998 que visa regulamentar o servi&ccedil;o de terceiriza&ccedil;&atilde;o para todas as atividades da empresa. O PL foi aprovado com 231 votos favor&aacute;veis, 188 contr&aacute;rios e oito absten&ccedil;&otilde;es, e agora, depende apenas da san&ccedil;&atilde;o de Michel Temer.<\/p>\n<p>Vale destacar que atualmente, n&atilde;o existe uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre o servi&ccedil;o de terceiros. O enunciado n&ordm; 331 da s&uacute;mula da Corte Trabalhista do Tribunal Superior do Trabalho (TST) regulamenta que a terceiriza&ccedil;&atilde;o &eacute; permitida somente para as chamadas &ldquo;atividades-meio&rdquo;, como o servi&ccedil;o de limpeza, seguran&ccedil;a e manuten&ccedil;&atilde;o, ou seja, fun&ccedil;&otilde;es secund&aacute;rias que n&atilde;o est&atilde;o diretamente ligadas ao objetivo principal da empresa.<\/p>\n<p>A nova legisla&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; que a contrata&ccedil;&atilde;o terceirizada de trabalhadores poder&aacute; ocorrer sem restri&ccedil;&otilde;es em empresas privadas e na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado trabalhista, Jos&eacute; L&uacute;cio Fernandes, a terceiriza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e traz consequ&ecirc;ncias para a qualidade do servi&ccedil;o prestado. &ldquo;Acho que essa proposta est&aacute; sendo muito radical, pois coloca a terceiriza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; como atividade-meio, mas tamb&eacute;m como atividade-fim. Significa que uma escola pode contratar professores atrav&eacute;s de uma terceirizada, uma unidade de sa&uacute;de pode contratar enfermeiros, m&eacute;dico, que receberam um sal&aacute;rio bem menor e, consequentemente, n&atilde;o ter&atilde;o uma boa qualifica&ccedil;&atilde;o. At&eacute; porque, muitas das vezes a terceirizada n&atilde;o oferece um curso de qualifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, comentou. &ldquo;O trabalhador preparado certamente recebe um sal&aacute;rio maior e a qualidade do servi&ccedil;o vai ser melhor. As terceirizadas pagam um sal&aacute;rio muito pequeno, n&atilde;o qualifica e n&atilde;o prepara o trabalhador, por isso, a qualidade do servi&ccedil;o tende a ser ainda menor&rdquo;, completou.<\/p>\n<p>O advogado alertou, tamb&eacute;m, sobre o impacto que a terceiriza&ccedil;&atilde;o pode causar no mercado de trabalho. &ldquo;Uma vez que, a empresa poder&aacute; contratar funcion&aacute;rios para exercerem atividades-meio e atividades-fim, ela tem a op&ccedil;&atilde;o de contratar um terceirizado e pagar menos. A empresa visa o seu lucro, e ser&aacute; mais vantajoso demitir seus empregados e contratar terceirizados. Esse ciclo vai aumentar a taxa de desemprego no pa&iacute;s&rdquo;, refor&ccedil;ou.<\/p>\n<p><strong>IMPACTOS NO SETOR P&Uacute;BLICO<\/strong><\/p>\n<p>No caso do servi&ccedil;o p&uacute;blico, como n&atilde;o h&aacute; impedimentos expressos no texto, a legisla&ccedil;&atilde;o abre brecha para que o setor seja terceirizado. A exce&ccedil;&atilde;o ser&aacute; as atividades essenciais ao Estado, como judici&aacute;rio e pol&iacute;cia. Outras fun&ccedil;&otilde;es, mesmo que ligadas a atividade-fim, poder&atilde;o ser terceirizadas em &oacute;rg&atilde;os ou empresas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, esse projeto infringe o conceito essencial do concurso p&uacute;blico, que &eacute; a democracia no acesso e a meritocracia ao conseguir a vaga. Dessa forma, o poder p&uacute;blico pode desistir de realizar concursos. &ldquo;Os &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blicos j&aacute; contratam o servi&ccedil;o terceirizado. A inten&ccedil;&atilde;o do governo e avan&ccedil;ar no servi&ccedil;o p&uacute;blico, pra que outros cargos, tamb&eacute;m sejam exercidos por trabalhadores terceirizados. Os cargos de agente de estado, pol&iacute;cia, justi&ccedil;a e outros afins, n&atilde;o podem se privatizar. O concurso p&uacute;blico garante estabilidade, um sal&aacute;rio melhor e qualidade nas atividades prestadas. O servi&ccedil;o j&aacute; est&aacute; prec&aacute;rio, se terceirizar e contratar mais pessoas a titulo de tempor&aacute;rio vai ficar muito complicado&rdquo;, destacou.<\/p>\n<p><strong>IMPACTO NA ECONOMIA<\/strong><\/p>\n<p>Fernandes salientou que a terceiriza&ccedil;&atilde;o vai estreitar a rela&ccedil;&atilde;o trabalhador-servi&ccedil;o. Sendo assim, trar&aacute; problemas graves na classe trabalhadora brasileira. &ldquo;O baixo sal&aacute;rio do terceirizado mal d&aacute; para pagar o aluguel e suas despesas. Se n&atilde;o consegue arcar com seus custos, ter&aacute; dificuldade em consumir, se o consumidor n&atilde;o consome o mercado n&atilde;o produz e n&atilde;o vende&rdquo;, explicou. &ldquo;Os empregados v&atilde;o se tornar pessoas jur&iacute;dicas e v&atilde;o ganhar menos. Isso afeta diretamente a receita do INSS, que recolher&aacute; menos da contribui&ccedil;&atilde;o previdenci&aacute;ria&rdquo;, frisou.<\/p>\n<p><strong>CAUSAS TRABALHISTAS<\/strong><\/p>\n<p>Na proposta aprovada na &uacute;ltima quarta-feira, em casos de a&ccedil;&otilde;es trabalhistas, caber&aacute; &agrave; empresa terceirizada o pagamento dos direitos questionados na justi&ccedil;a, se houver condena&ccedil;&atilde;o. Se a terceirizada n&atilde;o tiver dinheiro para pagar, a empresa contratante ser&aacute; acionada e poder&aacute; inclusive, ter seus bens penhorados para o pagamento da causa. &ldquo;A empresa terceirizada normalmente n&atilde;o tem um patrim&ocirc;nio p&uacute;blico, costuma ter apenas uma sala. O trabalhador n&atilde;o tem nenhuma garantia em uma eventual inseguran&ccedil;a trabalhista. Se os seus direitos n&atilde;o forem pagos, ele ter&aacute; de reclamar contra a empresa terceirizada e s&oacute; depois poder&aacute; reclamar contra a subsidi&aacute;ria e, mesmo assim, corre o risco de n&atilde;o receber&rdquo;, finalizou.<\/p>\n<p><strong>PROJETO DE LEI 4330\/2004<\/strong><\/p>\n<p>Os senadores afirmaram que poder&atilde;o votar nos pr&oacute;ximos dias o projeto de lei 4330\/2004, que &eacute; o mais recente sobre o tema. O texto aprovado pela C&acirc;mara em 2015 traz mais garantias aos trabalhadores do que o projeto enviado pelo presidente Michel Temer.<\/p>\n<p>O projeto 4330\/2004 traz 50 garantias favor&aacute;veis aos trabalhadores. Entre elas, impede que as empresas demitam seus funcion&aacute;rios e os recontratem como terceirizados; garante benef&iacute;cios como alimenta&ccedil;&atilde;o e transporte, e obriga a empresa principal a fiscalizar se contribui&ccedil;&otilde;es, como INSS e FGTS, est&atilde;o sendo pagas. O PL, ainda, permite que o trabalhador terceirizado entre na Justi&ccedil;a contra as duas empresas, em caso de a&ccedil;&otilde;es trabalhistas.<\/p>\n<p>Se o texto do Senado for aprovado, Temer poder&aacute; escolher o que pretende sancionar ou vetar as duas propostas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C&acirc;mara dos Deputados aprovou nessa quarta-feira, 22, o projeto de lei (PL) 4.302\/1998 que visa regulamentar o servi&ccedil;o de terceiriza&ccedil;&atilde;o para todas as atividades da empresa. O PL foi aprovado com 231 votos favor&aacute;veis, 188 contr&aacute;rios e oito absten&ccedil;&otilde;es, e agora, depende apenas da san&ccedil;&atilde;o de Michel Temer. 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