{"id":70084,"date":"2017-02-25T04:22:24","date_gmt":"2017-02-25T07:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/02\/25\/o-menino-que-tinha-medo-de-gente\/"},"modified":"2018-04-16T08:05:00","modified_gmt":"2018-04-16T11:05:00","slug":"o-menino-que-tinha-medo-de-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=70084","title":{"rendered":"O menino que tinha medo de gente"},"content":{"rendered":"<p>O reencontro com Fernando Pinto, em Bras&iacute;lia, foi uma festa. H&aacute; muitos anos n&atilde;o nos v&iacute;amos. Nos tempos da Manchete, ele foi um dos melhores (sen&atilde;o o melhor) rep&oacute;rter da revista, com feitos extraordin&aacute;rios, hoje retratados no livro &ldquo;O menino que tinha medo de gente&rdquo;, por ele escrito e lan&ccedil;ado em 2015 na capital da Rep&uacute;blica. &Eacute; o seu 11&ordm; livro e a primeira autobiografia.<\/p>\n<p>Apaixonado por jornalismo, com passagens por diversas publica&ccedil;&otilde;es brasileiras, Fernando Pinto sempre teve gosto pelo que chamamos de reportagem. Tinha faro por mat&eacute;rias jornal&iacute;sticas &ndash; e assim se destacou, nos seus 65 anos de vitoriosa carreira.<\/p>\n<p>Algumas das suas mat&eacute;rias foram por mim inspiradas. E teve at&eacute; aquela que n&atilde;o foi escrita, a respeito das areias monaz&iacute;ticas do Esp&iacute;rito Santo. Escalei o Fernando Pinto e o fot&oacute;grafo Domingos Cavalcanti para realiz&aacute;-la. Devidamente apetrechados, partiram para Vit&oacute;ria, mas voltaram uma semana depois de m&atilde;os abanando (e sem dinheiro). Quando o Jaquito soube que a reportagem n&atilde;o foi realizada, ficou inconformado, ainda mais com a explica&ccedil;&atilde;o do Fernando: &ldquo;Como estava chovendo, fomos para um cassino e jogamos todas as di&aacute;rias na roleta. Perdemos tudo. O jeito foi voltar para o Rio.&rdquo;<\/p>\n<p>Com a ordem de demiss&atilde;o sum&aacute;ria, o Fernando, ainda na rua Frei Caneca 511, dirigiu-se &agrave; Contabilidade para acertar as contas. Na volta, j&aacute; demitido, encontrou o Adolpho Bloch no meio da oficina gr&aacute;fica. Eu estava ao lado do Adolpho. Ele perguntou ao Fernando pelas novidades. O rep&oacute;rter foi sincero: &ldquo;Fui demitido pelo seu Jaquito.&rdquo; Quando o Adolpho, meio espantado, perguntou a causa, reagiu de maneira inusitada: &ldquo;Voc&ecirc; jogou no preto 17?&rdquo; Fernando disse que n&atilde;o, a&iacute; o Adolpho atribuiu a isso o seu fracasso na roleta.&rdquo;<\/p>\n<p>Entre risos e abra&ccedil;os, mandou o Fernando voltar ao trabalho. &ldquo;E o seu Jaquito?&rdquo; A resposta foi surpreendente: &ldquo;Deixa ele comigo. Vai trabalhar. Precisamos de boas reportagens!&rdquo;<\/p>\n<p>Era esse o clima dominante na reda&ccedil;&atilde;o da Manchete. N&atilde;o foi dif&iacute;cil entender porque, aos poucos, na d&eacute;cada de 60, a revista foi superando o largo predom&iacute;nio de &ldquo;O Cruzeiro&rdquo;. Em algum tempo a Manchete j&aacute; vendia mais de 300 mil exemplares, com dois segredos essenciais: boas reportagens e um servi&ccedil;o gr&aacute;fico de primeira ordem, gra&ccedil;as &agrave;s estupendas m&aacute;quinas trazidas da Alemanha, por iniciativa do Adolpho Bloch. Eram chamadas de Albertinas.<\/p>\n<p>Voltando ao Fernando Pinto, ele fez uma bela dupla com o grande fot&oacute;grafo Gerv&aacute;sio Baptista, que vinha da primeira hora da revista, em 1952. Foram juntos &agrave; Indon&eacute;sia, numa viagem que me era destinada, mas que preferi ceder ao rep&oacute;rter, pois estava voltando de uma ida a Leipzig e n&atilde;o queria emendar uma viagem na outra. No seu livro, Fernando conta a admira&ccedil;&atilde;o que tinha pela reda&ccedil;&atilde;o da Manchete: &ldquo;Justino Martins, ex-correspondente da Manchete em Paris; Raimundo Magalh&atilde;es Jr., historiador e membro da Academia Brasileira de Letras; Zevi Ghivelder, redator; Arnaldo Niskier, um dos melhores chefes de reportagem que j&aacute; conheci; Murilo Melo Filho, expert em pol&iacute;tica , e o poeta L&ecirc;do Ivo. Na &aacute;rea de esportes, despontava Ney Bianchi; na diagrama&ccedil;&atilde;o, Wilson Passos e Nelson Gon&ccedil;alves.&rdquo;<\/p>\n<p>Citou tamb&eacute;m outras figuras de renome, como Salim Miguel, Jo&atilde;o Saldanha, Ronaldo B&ocirc;scoli, Fausto Wolff, Raul Giudicelli, Cordeiro de Oliveira, al&eacute;m dos &ldquo;focas&rdquo; Paulo Henrique Amorim e o acreano Odacir Soares, que depois se elegeria senador da Rep&uacute;blica. Al&eacute;m disso, uma equipe not&aacute;vel de rep&oacute;rteres-fotogr&aacute;ficos, muitos dos quais bastante premiados e que faziam jus &agrave;s exig&ecirc;ncias de qualidade da dire&ccedil;&atilde;o da revista. Uma equipe verdadeiramente not&aacute;vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O reencontro com Fernando Pinto, em Bras&iacute;lia, foi uma festa. H&aacute; muitos anos n&atilde;o nos v&iacute;amos. 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