{"id":69835,"date":"2017-02-21T14:23:48","date_gmt":"2017-02-21T17:23:48","guid":{"rendered":"http:\/\/diarioregionaljf.com.br\/2017\/02\/21\/saiba-como-e-feita-a-escolha-de-um-ministro-do-stf\/"},"modified":"2017-02-21T14:23:48","modified_gmt":"2017-02-21T17:23:48","slug":"saiba-como-e-feita-a-escolha-de-um-ministro-do-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=69835","title":{"rendered":"Saiba como \u00e9 feita a escolha de um ministro do STF"},"content":{"rendered":"<p>O candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser indicado pelo presidente da Rep&uacute;blica e ser submetido a uma sabatina na Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a (CCJ) do Senado, composta por 27 parlamentares.<br \/>Na manh&atilde; de hoje (21), o ministro licenciado da Justi&ccedil;a, Alexandre de Moraes, primeiro indicado de Michel Temer ao cargo, dever&aacute; responder uma s&eacute;rie de perguntas no Senado. Caso a indica&ccedil;&atilde;o seja aprovada (pela maioria simples dos membros em vota&ccedil;&atilde;o secreta), o parecer da CCJ ser&aacute; encaminhado ao plen&aacute;rio do Senado.<\/p>\n<p>Alexandre de Moraes precisa da aprova&ccedil;&atilde;o de, pelo menos, 41 dos 81 senadores para se tornar o novo ministro do STF, no lugar de Teori Zavascki, que morreu em um acidente a&eacute;reo em Paraty, em janeiro. A vota&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio tamb&eacute;m ser&aacute; secreta.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Brasil entrevistou especialistas para saber como &eacute; feita a escolha de um ministro da Suprema Corte e entender a import&acirc;ncia do tribunal. Veja abaixo as principais perguntas.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a import&acirc;ncia e a fun&ccedil;&atilde;o do STF?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o professor de Direito Constitucional da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) Juliano Zaiden, o foco dos trabalhos do STF &eacute; a guarda do ordenamento jur&iacute;dico, e n&atilde;o a situa&ccedil;&atilde;o individual das partes de uma a&ccedil;&atilde;o.<br \/>O Supremo tem o papel de fazer a vigil&acirc;ncia do direito constitucional e sua aplica&ccedil;&atilde;o pelos demais &oacute;rg&atilde;os da Rep&uacute;blica e tamb&eacute;m de algumas rela&ccedil;&otilde;es privadas. &ldquo;Ele &eacute; o centro da vigil&acirc;ncia constitucional no Brasil. Ele tem um poder enorme para definir pautas centrais, n&atilde;o somente pautas de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos constitucionais, mas tamb&eacute;m de promover uma agenda de mudan&ccedil;a constitucional muito forte&rdquo;, completa o especialista. O que importa para o Supremo n&atilde;o &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o concreta colocada, mas a observa&ccedil;&atilde;o de como devem ser tratadas, de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o, todas as situa&ccedil;&otilde;es semelhantes.<\/p>\n<p>O &oacute;rg&atilde;o &eacute; conhecido como guardi&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o, por determinar o que est&aacute; correto e o que n&atilde;o est&aacute; correto, de acordo com o que disp&otilde;e as normas constitucionais.<\/p>\n<p><strong>Como &eacute; a composi&ccedil;&atilde;o do STF?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, o STF &eacute; composto de 11 ministros. Os membros da Suprema Corte devem ser escolhidos entre cidad&atilde;os com mais de 35 e menos de 75 anos de idade, de not&aacute;vel saber jur&iacute;dico e reputa&ccedil;&atilde;o ilibada. Eles ser&atilde;o nomeados pelo Presidente da Rep&uacute;blica, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.<\/p>\n<p><strong>Por que o presidente deve indicar os ministros do Supremo ?<\/strong><\/p>\n<p>Para que uma pessoa ocupe o cargo de ministro da Suprema Corte, &eacute; necess&aacute;ria a indica&ccedil;&atilde;o do presidente da Rep&uacute;blica, n&atilde;o havendo um prazo definido para isso. A presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, levou quase um ano para indicar Edson Fachin para a vaga de Joaquim Barbosa, em 2015. O professor Zaiden explica que o atual modelo brasileiro de indica&ccedil;&atilde;o de ministros do STF &eacute; inspirado no sistema dos Estados Unidos. &ldquo;Ap&oacute;s a indica&ccedil;&atilde;o o candidato ao cargo deve passar por uma sabatina no Senado Federal para enfim tomar posse&rdquo;, destaca.<br \/>A indica&ccedil;&atilde;o ganha um maior car&aacute;ter pol&iacute;tico porque os requisitos de preenchimento do cargo s&atilde;o vagos, avalia o professor. &ldquo;&Eacute; uma decis&atilde;o pol&iacute;tica, ele [o presidente da Rep&uacute;blica] vai escolher quem considere mais adequado para o cargo. Al&eacute;m disso, o indicado n&atilde;o precisa ser vinculado a um tribunal de carreira, como o Alexandre de Moraes, por exemplo. Diferentemente de outros tribunais, que voc&ecirc; tem uma l&oacute;gica mais interna&rdquo;, explica Juliano Zaiden.<br \/>O cientista pol&iacute;tico David Fleisher explica que o sistema vem da Constitui&ccedil;&atilde;o norte-americana que estabeleceu os tr&ecirc;s poderes e o sistema chamado de freios e contrapesos (checks and balances). &ldquo;O presidente escolhe, mas o Senado tem que confirmar a escolha. &Eacute; como acontece tamb&eacute;m nos Estados Unidos&rdquo;, destaca.<\/p>\n<p><strong>O novo ministro herda todos os processos do antigo ministro?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2009, por exemplo, quando o ministro Carlos Alberto Menezes Direito morreu, Dias Toffolli foi escolhido como ministro sucessor, herdando cerca 11 mil processos. Os &uacute;nicos processos que n&atilde;o passaram para o novo ministro foram os que ele havia atuado quando ocupou o cargo de advogado-geral da Uni&atilde;o. O acervo de Teori Zavascki conta com aproximadamente 7.500 processos, de acordo com o STF, aguardando a nomea&ccedil;&atilde;o do novo ministro.<br \/>Qual &eacute; o papel do Senado Federal?<\/p>\n<p>De acordo com o especialista Juliano Zaiden, o Senado, ao fazer a sabatina do poss&iacute;vel membro do STF, deve explorar e conhecer ao m&aacute;ximo o indicado. &ldquo;Os senadores podem perguntar quest&otilde;es gerais ou algum ponto do curr&iacute;culo e, eventualmente, podem questionar sobre algum ponto espec&iacute;fico. &Eacute; algo que n&atilde;o tem uma limita&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica. &Eacute; simplesmente para explorar e conhecer ao m&aacute;ximo o ministro, embora na hist&oacute;ria isso n&atilde;o tenha sido feito de uma forma t&atilde;o aguda&rdquo;, destaca.<\/p>\n<p>Para Zaiden, a sabatina historicamente tem sido um procedimento para cumprir protocolo. &ldquo;Hoje este cen&aacute;rio est&aacute; come&ccedil;ando a mudar. No passado, a gente tinha uma presen&ccedil;a mais fraca do Supremo, e hoje ele est&aacute; mais fortalecido. Com isso, a indica&ccedil;&atilde;o de cada ministro ganhou um papel central no debate. Ent&atilde;o, &eacute; natural que o Senado avance, pouco a pouco, nessa sabatina para acompanhar o crescimento do STF como &oacute;rg&atilde;o relevante&rdquo;, ressalta o professor.<\/p>\n<p>De acordo com o cientista pol&iacute;tico David Fleisher, as perguntas s&atilde;o feitas de acordo com o perfil do candidato e suas qualifica&ccedil;&otilde;es. No entanto, a sabatina pode ser dura para alguns. &ldquo;Um ministro que teve muito questionamento foi o Dias Tofoli, porque ele tentou concurso p&uacute;blico duas vezes em S&atilde;o Paulo e n&atilde;o conseguiu. Tamb&eacute;m Edson Fachin, que substituiu o Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato, enfrentou perguntas duras durante a sabatina por ter apoiado a campanha de Dilma Rousseff em 2010&rdquo;, exemplificou.<\/p>\n<p>Fonte: Ag&ecirc;ncia Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser indicado pelo presidente da Rep&uacute;blica e ser submetido a uma sabatina na Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a (CCJ) do Senado, composta por 27 parlamentares.Na manh&atilde; de hoje (21), o ministro licenciado da Justi&ccedil;a, Alexandre de Moraes, primeiro indicado de Michel Temer ao cargo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":69834,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[254],"tags":[],"class_list":["post-69835","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/69835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=69835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/69835\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/69834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=69835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=69835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=69835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}