{"id":225397,"date":"2024-11-12T10:39:10","date_gmt":"2024-11-12T13:39:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=225397"},"modified":"2024-11-12T10:39:10","modified_gmt":"2024-11-12T13:39:10","slug":"por-que-nao-deus-investigando-as-razoes-ocultas-por-tras-da-rejeicao-da-hipotese-deus-pela-academia-parte-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=225397","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o Deus? Investigando as raz\u00f5es ocultas por tr\u00e1s da rejei\u00e7\u00e3o da Hip\u00f3tese Deus pela academia &#8211; Parte 20"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Se o campo acad\u00eamico \u00e9 o espa\u00e7o sancionado para oferecer \u00e0 sociedade respostas para<br \/>\nseus dilemas reflexivos, inclusive os existenciais, o fato dele n\u00e3o o fazer, inevitavelmente<br \/>\nresulta em consequ\u00eancias negativas para o pr\u00f3prio campo e para a sociedade que nele<br \/>\nconfiou a sele\u00e7\u00e3o de suas verdades.<br \/>\nComo o campo produz teorias que s\u00e3o necessariamente limitadas ao paradigma que<br \/>\nestabelece que nada pode escapar ao que \u00e9 interno ou intr\u00ednseco \u00e0s realidades<br \/>\nmateriais\/naturais, todas as quest\u00f5es devem ser dirimidas exclusivamente neste plano em<br \/>\nque n\u00f3s nos percebemos. Consequentemente, a origem e o sentido da realidade s\u00e3o<br \/>\ntributados ao mundo das coisas sens\u00edveis. E por aqui, nenhuma realidade \u00e9 incondicionada,<br \/>\ntudo depende de tudo, portanto, nada origina.<br \/>\nOra, se o empreendimento \u201cfazer ci\u00eancia\/filosofia\u201d n\u00e3o produz o resultado esperado, se as<br \/>\nrespostas n\u00e3o s\u00e3o encontradas no plano da iman\u00eancia e se n\u00e3o \u00e9 admitido recorrer \u00e0<br \/>\ntranscend\u00eancia, nem a qualquer absoluto que escape ao reino do m\u00e9todo emp\u00edrico, o que<br \/>\nse verifica \u00e9 o vazio.<br \/>\nOs sintomas do nefasto vazio resultante s\u00e3o verificados em diferentes searas. Quanto ao<br \/>\npr\u00f3prio ato de refletir, v\u00ea-se emergir o relativismo e, na cultura em geral, constatamos a<br \/>\nascens\u00e3o mais recentemente da p\u00f3s-verdade. Ou seja, ambos fen\u00f4menos podem ser<br \/>\natribu\u00eddos \u00e0 pr\u00f3pria arquitetura da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que envolve motivo-base<br \/>\ndual, paradigma imanentista e campo acad\u00eamico imperme\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7as.<br \/>\nEm outras palavras, se a explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 encontrada e a resposta n\u00e3o pode ser buscada<br \/>\nem outro lugar, logo, resta questionar a pr\u00f3pria ci\u00eancia ou a pr\u00f3pria exist\u00eancia de verdade a<br \/>\nser descoberta. Eis o motivo que explica tanto a ascens\u00e3o do relativismo quanto a<br \/>\nemerg\u00eancia da p\u00f3s-verdade.<br \/>\nO relativismo \u00e9 uma perspectiva filos\u00f3fica que sustenta que a verdade \u00e9 dependente do<br \/>\ncontexto, da cultura, da percep\u00e7\u00e3o individual ou das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas. N\u00e3o existem,<br \/>\nportanto, verdades universais nem certezas absolutas. Essa vis\u00e3o implica na inexist\u00eancia de<br \/>\nafirma\u00e7\u00f5es objetivas que se aplicam a todas as pessoas em todas as situa\u00e7\u00f5es; no lugar, a<br \/>\nvalidade \u00e9 sempre dependente de outro algo: grupo social, contexto, \u00e9poca etc. Isso quando<br \/>\nn\u00e3o origina um tipo de ceticismo profundo que faz o sujeito duvidar de qualquer afirma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO relativismo est\u00e1 alicer\u00e7ado no motivo-base ocidental, cal\u00e7ado na sua variante liberdade,<br \/>\nvisto que o pr\u00f3prio tema da liberdade individual \u00e9 elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio supremo,<br \/>\ncomprometido com a no\u00e7\u00e3o de que o sujeito livre pode definir a pr\u00f3pria verdade,<br \/>\nindependentemente de quaisquer padr\u00f5es universais.<br \/>\nO relativismo tamb\u00e9m \u00e9 intrinsecamente imanentista visto que o conhecimento, para essa<br \/>\ncorrente, bem como as ideias e os valores, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es sociais. Permanece nos limites<br \/>\nreflexivos do que o torna aceit\u00e1vel no campo acad\u00eamico ainda que carregue uma profunda<br \/>\nincongru\u00eancia, posto que se sustenta numa fragilidade l\u00f3gica. O princ\u00edpio &#8220;tudo \u00e9 relativo&#8221;<br \/>\n,<br \/>\nafirma\u00e7\u00e3o central do relativismo, em si mesmo, tem a pretens\u00e3o de ser verdade absoluta,<br \/>\nlogo, o princ\u00edpio \u00e9 demolido pelo pr\u00f3prio princ\u00edpio.<br \/>\nA d\u00favida em demasia esteriliza a pr\u00f3pria pr\u00e1tica cient\u00edfica. Portanto, a conjuga\u00e7\u00e3o que<br \/>\ncolonizou o campo acad\u00eamico, conspira contra a pr\u00f3pria autoridade acad\u00eamica. Ao lado,<br \/>\noutra principal consequ\u00eancia do relativismo \u00e9 a paralisia moral, visto que a falta de padr\u00f5es<br \/>\nabsolutos afeta a capacidade de realizar julgamentos \u00e9ticos, conspirando para mitigar o<br \/>\ntecido social. Nesta quadra encontramos o segundo fen\u00f4meno.<br \/>\nA p\u00f3s-verdade refere-se a uma condi\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica em processo de<br \/>\ndesabrochamento no qual os apelos \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as pessoais t\u00eam mais influ\u00eancia na<br \/>\nforma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica do que os fatos objetivos e verific\u00e1veis. Como a pr\u00f3pria ideia<br \/>\nde verdade foi posta em cheque, narrativas subjetivas moldadas pelas experi\u00eancias e<br \/>\nprefer\u00eancias individuais tomam o seu lugar. Em outras palavras, o fen\u00f4meno desvaloriza as<br \/>\ninforma\u00e7\u00f5es factuais da realidade objetiva, que s\u00e3o substitu\u00eddas por cren\u00e7as balizadas<br \/>\npelos sentimentos.<br \/>\nA p\u00f3s-verdade \u00e9 cal\u00e7ada no relativismo posto que \u00e9 caracterizada pela ideia de que a<br \/>\nverdade depende das percep\u00e7\u00f5es individuais. O que importa n\u00e3o \u00e9 necessariamente a<br \/>\nveracidade dos fatos, mas como eles s\u00e3o internalizados e interpretados pelas pessoas. Ela<br \/>\nse relaciona com uma crescente desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es tradicionais, como<br \/>\na m\u00eddia, o governo e, particularmente, a ci\u00eancia.<br \/>\nEssa desconfian\u00e7a leva \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es provenientes do campo acad\u00eamico,<br \/>\nfavorecendo em vez dos resultados das reflex\u00f5es met\u00f3dicas, teorias da conspira\u00e7\u00e3o ou<br \/>\ndados que simplesmente confirmam cren\u00e7as pr\u00e9-existentes.<br \/>\nCom o advento das redes sociais e das plataformas digitais, a p\u00f3s-verdade est\u00e1 sendo<br \/>\nexacerbada e tem favorecido a forma\u00e7\u00e3o de &#8220;bolhas&#8221;<br \/>\n, onde indiv\u00edduos consomem apenas o<br \/>\nconte\u00fado que robustece as suas cren\u00e7as e opini\u00f5es, isolando-se de grupos que adotam<br \/>\nperspectivas divergentes.<br \/>\nConstatamos que o campo acad\u00eamico vai sendo confrontado pelos entes que alimentam<br \/>\ntais bolhas. Eles s\u00f3 se valem da ci\u00eancia como justificativa para suas pr\u00f3prias cren\u00e7as, do<br \/>\ncontr\u00e1rio, quando as contradizem, \u00e9 ferozmente atacado.<br \/>\nNa verdade, a intersec\u00e7\u00e3o entre motivo-base natureza-liberdade, o paradigma imanentista<br \/>\nque enreda e determina o campo acad\u00eamico s\u00e3o os respons\u00e1veis em \u00faltima inst\u00e2ncia pela<br \/>\nascens\u00e3o do relativismo e da p\u00f3s-verdade que erodem o pr\u00f3prio campo acad\u00eamico e<br \/>\nconspiram em favor da anomia social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o campo acad\u00eamico \u00e9 o espa\u00e7o sancionado para oferecer \u00e0 sociedade respostas para seus dilemas reflexivos, inclusive os existenciais, o fato dele n\u00e3o o fazer, inevitavelmente resulta em consequ\u00eancias negativas para o pr\u00f3prio campo e para a sociedade que nele confiou a sele\u00e7\u00e3o de suas verdades. 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