{"id":224854,"date":"2024-10-03T12:14:41","date_gmt":"2024-10-03T15:14:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=224854"},"modified":"2024-10-03T12:14:41","modified_gmt":"2024-10-03T15:14:41","slug":"por-que-nao-deus-investigando-as-razoes-ocultas-por-tras-da-rejeicao-da-hipotese-deus-pela-academia-parte-18","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=224854","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o Deus? Investigando as raz\u00f5es ocultas por tr\u00e1s da rejei\u00e7\u00e3o da Hip\u00f3tese Deus pela academia &#8211; Parte 18"},"content":{"rendered":"<p class=\"s3\">Como temos constatado nos artigos precedentes, no Ocidente, o pensamento te\u00f3rico sintetizado no campo acad\u00eamico, enredado pelo paradigma imanentista e condicionado pelo motivo base natureza-liberdade \u00e9 incapaz de admitir a hip\u00f3tese Deus. N\u00e3o porque a proposi\u00e7\u00e3o em si seja absurda ou porque esteja fatalmente esvaziada de razoabilidade, nada disso. O que ocorre \u00e9 uma incompatibilidade entre os pressupostos e as repercuss\u00f5es que decorrem da referida hip\u00f3tese conforme ser\u00e1 demonstrado nas linhas seguintes deste artigo que caminha para o final desta s\u00e9rie.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os axiomas s\u00e3o os pressupostos camuflados e que, por isso, n\u00e3o s\u00e3o criticados, n\u00e3o passam pelo crivo da avalia\u00e7\u00e3o ponderada e jamais s\u00e3o postos em perspectiva, s\u00e3o aquelas ideias-for\u00e7a tomadas simplesmente como certas, dadas e v\u00e1lidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O m\u00e9todo como parte do pensamento te\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 imune \u00e0s influ\u00eancias axiom\u00e1ticas. Por exemplo, \u00a0o naturalismo afirma que o universo e todos os fen\u00f4menos nele contidos s\u00e3o deriva\u00e7\u00f5es imediatas da pr\u00f3pria natureza, tal constata\u00e7\u00e3o engendra um m\u00e9todo de apreens\u00e3o da realidade intolerante ao que escapa \u00e0 \u201cautocria\u00e7\u00e3o natural\u201d. A hip\u00f3tese Deus, n\u00e3o se adequa a este axioma, visto que prop\u00f5e uma explica\u00e7\u00e3o para a origem e o sentido da realidade que transcende a ideia-for\u00e7a naturalista quando estabelece o pressuposto de que h\u00e1 uma intelig\u00eancia superior que escapa ao cosmos conhecido. Se o ponto de partida passar a ser este segundo, tem-se necessariamente uma base diferente para a reflex\u00e3o met\u00f3dica, que deve se adequar a um alicerce axiom\u00e1tico cujo escopo \u00e9 mais amplo do que a \u201cautocria\u00e7\u00e3o natural\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refletindo dessa maneira, conclu\u00edmos que o problema n\u00e3o est\u00e1 na metodologia cient\u00edfica, mesmo porque a hip\u00f3tese Deus \u00e9 fortemente embasada em evid\u00eancias e resiste a crit\u00e9rios de objetividade cient\u00edfica, o problema reside no axioma que estabelece o crit\u00e9rio te\u00f3rico que delimita a metodologia cient\u00edfica em voga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A neutralidade da raz\u00e3o, por sua vez, \u00e9 um mito que serve apenas como um subterf\u00fagio para blindar o axioma oculto que deriva do motivo-base e se consagra no paradigma imanentista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se se admite que o mundo \u00e9 resultado de si mesmo, como quer o polo natureza do motivo-base, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver outra esp\u00e9cie de paradigma sen\u00e3o aquele que rejeita peremptoriamente a ideia de transcend\u00eancia. Se, ao contr\u00e1rio, romper-se com o axioma para admitir-se a transcend\u00eancia como uma ideia v\u00e1lida, ainda que concebida hipoteticamente, o paradigma deixa de ser necessariamente imanentista, abrindo-se para um elenco novo de hip\u00f3teses, dentre as quais pode figurar aquela que estamos advogando em favor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o para que a hip\u00f3tese Deus torne-se admiss\u00edvel depende do fato de que antes os pressupostos axiom\u00e1ticos em voga sejam revistos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata portanto de distinguir o falso do verdadeiro, mas de compatibilizar hip\u00f3teses a axiomas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outras palavras, a dualidade fundamental entre natureza e liberdade molda a maneira como a realidade \u00e9 compreendida e explicada, condicionando as abordagens te\u00f3ricas, cient\u00edficas e filos\u00f3ficas, consideradas admiss\u00edveis no \u00e2mbito do paradigma imanentista. Este \u00faltimo, por sua vez, estabelece os crit\u00e9rios de veracidade que delimitam as op\u00e7\u00f5es de pesquisa dos atores que se articulam no campo acad\u00eamico. Enquanto este motivo-base, o paradigma e as regras do campo acad\u00eamico forem os que a\u00ed est\u00e3o, a hip\u00f3tese Deus encontrar\u00e1 resist\u00eancias inquebr\u00e1veis para ser admitida como uma das alternativas cr\u00edveis para explicar a origem e o sentido da realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Consequentemente, a op\u00e7\u00e3o explicativa Deus s\u00f3 pode ser admitida como uma alternativa cr\u00edvel, mediante um deslocamento no motivo-base que orienta o pensamento te\u00f3rico. Isso porque \u00e9 neste alicerce que se assenta o paradigma imanentista que, por sua vez, circunscreve os limites e fronteiras do campo acad\u00eamico. A incorpora\u00e7\u00e3o da perspectiva transcendente requer uma reavalia\u00e7\u00e3o das premissas fundamentais que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, guiam a investiga\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o assunto n\u00e3o se processa em terreno neutro, no qual as mentes possam ser honestamente persuadidas. Diversamente, para uma tal disrup\u00e7\u00e3o, seria necess\u00e1rio quebrar a resist\u00eancia de milhares de acad\u00eamicos que t\u00eam acumulado capital no campo conformados \u00e0 atual \u201cregra do jogo\u201d e, por isso, vem acessando trof\u00e9us justamente por alcan\u00e7arem notabilidade nos termos dos pressupostos dominantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo assim, n\u00e3o basta que intelectuais bem-intencionados operem press\u00e3o interna ao campo acad\u00eamico para alargar seus crit\u00e9rios de plausibilidade, seria necess\u00e1rio uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o, uma disrup\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que poria o paradigma em voga no ch\u00e3o questionando frontalmente o motivo-base natureza-liberdade e todo o edif\u00edcio te\u00f3rico-metodol\u00f3gico que se alicer\u00e7am nele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o se trata apenas de uma disputa sobre a convencionalidade, nem se trata de debater a adequa\u00e7\u00e3o de teses aos crit\u00e9rios objetivos da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, diversamente, exige-se romper com uma trama de vi\u00e9s s\u00f3cio-pol\u00edtico que determina o sucesso ou o fracasso de milhares de agentes dispostos a defenderem seus pr\u00f3prios privil\u00e9gios na hierarquia interna ao campo acad\u00eamico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seria necess\u00e1rio subverter a condi\u00e7\u00e3o que tornam exclu\u00eddos ou p\u00e1rias todos intelectuais que ousam ofender o <span class=\"s4\">mainstream<\/span>ao defender a hip\u00f3tese Deus. Implica na admiss\u00e3o de que as teses dominantes, respons\u00e1veis pela distribui\u00e7\u00e3o de capitais e trof\u00e9us, est\u00e3o profundamente equivocadas e que, portanto, esses mesmos capitais e trof\u00e9us devem ser redistribu\u00eddos em favor dos pesquisadores que atualmente s\u00e3o exclu\u00eddos ou considerados p\u00e1rias do campo, que deixariam de ser marginalizados para passarem imediatamente \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis dominantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Analogicamente \u00e9 o mesmo que se processa em uma revolu\u00e7\u00e3o social, onde os oprimidos derrubam os opressores num golpe de for\u00e7a. Portanto, devemos presumir que, como qualquer revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es sejam reunidas e ensejem uma conjuntura objetiva que favore\u00e7a a \u201cvirada de mesa\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do contr\u00e1rio, a aceita\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese Deus segue enfrentando desafios significativos decorrentes da profunda influ\u00eancia do motivo-base natureza e liberdade que n\u00e3o admite a transcend\u00eancia e enseja, por sua vez, um paradigma imanentista e que condiciona as decis\u00f5es estrat\u00e9gicas relacionadas ao poder e prest\u00edgio dos agentes que atuam no campo acad\u00eamico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pensamento te\u00f3rico, tanto a ci\u00eancia quanto a filosofia ocidentais, est\u00e3o enraizadas em uma vis\u00e3o de mundo que valoriza explica\u00e7\u00f5es naturais e a autonomia humana, que n\u00e3o tolera a ideia de transcendente e que desvirtua o objetivo fim da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que \u00e9 a descoberta da verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o podemos negar que h\u00e1 sinais de que essa vis\u00e3o tem graves fissuras, suas respostas n\u00e3o d\u00e3o conta de se adequarem \u00e0s evid\u00eancias e que as teorias consagradas revelam-se progressivamente insuficientes para explicar as quest\u00f5es e temas fundamentais sobre a realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em suma: enquanto vigorar o estado de coisas atual, \u00e9 imposs\u00edvel que a hip\u00f3tese Deus seja admitida como uma das alternativas cr\u00edveis para explicar a origem e o sentido da realidade, apesar do evidente fracasso da conven\u00e7\u00e3o acad\u00eamica atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como temos constatado nos artigos precedentes, no Ocidente, o pensamento te\u00f3rico sintetizado no campo acad\u00eamico, enredado pelo paradigma imanentista e condicionado pelo motivo base natureza-liberdade \u00e9 incapaz de admitir a hip\u00f3tese Deus. 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