{"id":224648,"date":"2024-09-17T13:35:52","date_gmt":"2024-09-17T16:35:52","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=224648"},"modified":"2024-09-17T13:35:52","modified_gmt":"2024-09-17T16:35:52","slug":"por-que-nao-deus-investigando-as-razoes-ocultas-por-tras-da-rejeicao-da-hipotese-deus-pela-academia-parte-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=224648","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o Deus? Investigando as raz\u00f5es ocultas por tr\u00e1s da rejei\u00e7\u00e3o da Hip\u00f3tese Deus pela academia &#8211; Parte 17"},"content":{"rendered":"<p class=\"s3\">No artigo anterior afirmamos que o materialismo, naturalismo e relativismo s\u00e3o as linhas de pensamento derivadas do paradigma imanentista e predominantes no campo cient\u00edfico. Resta desvendar o que est\u00e1 em sua base, o que nos leva ao n\u00facleo da cebola que vimos descascando camada por camada em cada artigo precedente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Herman Dooyeweerd oferece uma perspectiva \u00fanica sobre as ra\u00edzes e as limita\u00e7\u00f5es das grandes correntes de pensamento contempor\u00e2neas. Segundo ele, a cosmovis\u00e3o prevalecente no Ocidente contempor\u00e2neo \u00e9 condicionada por dois motivos b\u00e1sicos que moldam suas premissas e predetermina os limites da reflex\u00e3o te\u00f3rica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro deles \u00e9 o motivo da natureza. A estrutura\u00e7\u00e3o do materialismo e do naturalismo s\u00e3o alicer\u00e7ados na suposi\u00e7\u00e3o de que a natureza \u00e9 um sistema fechado de causalidades e regularidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O materialismo parte da premissa que a mat\u00e9ria \u00e9 a \u00fanica realidade conceb\u00edvel e que todos os fen\u00f4menos, incluindo os mentais, sociais ou religiosos devem ser explicados em termos de intera\u00e7\u00f5es materiais ou a partir dessas. O naturalismo, por sua vez, pressup\u00f5e que todos os eventos s\u00e3o determinados por leis imut\u00e1veis, acrescentando que tudo o que existe pode ser explicado por causas naturais e leis f\u00edsicas. Segundo tais pressupostos, fen\u00f4menos como a mente e a moralidade s\u00e3o tidas como produtos de processos cerebrais e explicados t\u00e3o somente em termos de evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e sele\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ambos s\u00e3o fundados no imanentismo pois rejeitam qualquer forma de explica\u00e7\u00e3o sobrenatural ou transcendente, insistindo que o universo e todos os fen\u00f4menos nele contidos s\u00e3o produtos de processos materiais\/naturais auto criativos e infra regulados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por algum tempo tais concep\u00e7\u00f5es foram dominantes nas ci\u00eancias humanas na tentativa de explicar o comportamento humano e as din\u00e2micas sociais. No entanto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, essas abordagens praticamente sucumbiram \u00e0s cr\u00edticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os principais questionamentos partem exatamente do p\u00f3lo antag\u00f4nico do motivo base da natureza, a liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto no materialismo quanto no naturalismo, a liberdade humana tende a ser reduzida a um epifen\u00f4meno derivado de outros condicionantes. O comportamento \u00e9 visto como deriva\u00e7\u00e3o ou, no m\u00e1ximo, como fen\u00f4menos inteiramente explicados dentro de sistemas mec\u00e2nicos. A \u00e9tica, a est\u00e9tica e a espiritualidade s\u00e3o reduzidas a efeitos secund\u00e1rios. Em contradi\u00e7\u00e3o, o motivo liberdade, por sua vez, enfatiza a autonomia humana, a criatividade e a capacidade de transcender a tais limita\u00e7\u00f5es materiais\/naturais. O ser humano como seu pr\u00f3prio senhor est\u00e1 chamado a domar a natureza e transform\u00e1-la de acordo com suas pr\u00f3prias aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portanto, o motivo liberdade enfatiza a autonomia e a criatividade humanas. Uma concep\u00e7\u00e3o que resiste \u00e0 hip\u00f3tese de que haja qualquer limita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ao arb\u00edtrio humano. A valoriza\u00e7\u00e3o da liberdade leva necessariamente \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o de tudo aquilo que possa tolher o homem de exercer plenamente sua autonomia e capacidade de criar seu pr\u00f3prio sentido, destino e prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se verifica \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o elementar e insol\u00favel na forma da sociedade ocidental refletir sobre a realidade. Pois, de um lado, as teorias deterministas, de matriz naturalista e materialista, sugerem a rigidez e controle por fatores biol\u00f3gicos, estruturais, ambientais dentre outros. J\u00e1 a vis\u00e3o libert\u00e1ria julga tais concep\u00e7\u00f5es como sendo reducionistas e simplificadoras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No campo das ci\u00eancias humanas n\u00e3o demorou muito para que as teorias materialista e naturalista se exaurissem. O triunfo da liberdade sobre a natureza se d\u00e1 com a emerg\u00eancia dorelativismo. Uma linha de pensamento que afirma que todas as verdades s\u00e3o relativas ao contexto cultural, hist\u00f3rico ou individual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nova perspectiva condiciona o motivo natureza pelo motivo liberdade. O relativismo reconhece a pluralidade e a diversidade das experi\u00eancias humanas, enfatizando a liberdade e a autonomia das diferentes culturas e indiv\u00edduos ao extremo de poderem criar suas pr\u00f3prias verdades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, ao afirmar que todas as verdades s\u00e3o relativas, o relativismo cai em uma autocontradi\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, pois a pr\u00f3pria afirma\u00e7\u00e3o da relatividade \u00e9 apresentada como uma verdade absoluta. Al\u00e9m disso, ao negar a possibilidade de uma verdade objetiva, o relativismo enfraquece a capacidade de criticar pr\u00e1ticas culturais prejudiciais ou injustas, limitando a liberdade humana em um sentido mais profundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dooyeweerd ajuda a elucidar que tanto o materialismo e o naturalismo (condicionados predominantemente pelo motivo natureza) quanto o relativismo (condicionado por uma tens\u00e3o entre os motivos natureza e liberdade) refletem a dualidade fundamental que molda o pensamento ocidental e na qual se baseia o paradigma cient\u00edfico que modela, por sua vez, os princ\u00edpios ordenadores do campo acad\u00eamico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0s diversas linhagens filos\u00f3fico as que buscam lidar com os tema da origem e do sentido de \u201ctudo o que h\u00e1\u201d s\u00e3o tentativas de negar um dos polos em favor do outro ou de buscar em v\u00e3o conciliar essa dualidade. Por\u00e9m cada qual falha flagrantemente visto ser imposs\u00edvel lidar com os dois motivos de maneira coerente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este fato \u00e9 revelador dos pressupostos cient\u00edficos em voga, de sua convic\u00e7\u00e3o em negar a hip\u00f3tese Deus e de como o edif\u00edcio sobre o qual se assenta o paradigma que domina o campo acad\u00eamico \u00e9 inexoravelmente contradit\u00f3rio e equivocado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No artigo anterior afirmamos que o materialismo, naturalismo e relativismo s\u00e3o as linhas de pensamento derivadas do paradigma imanentista e predominantes no campo cient\u00edfico. 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