{"id":224473,"date":"2024-09-03T11:02:16","date_gmt":"2024-09-03T14:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=224473"},"modified":"2024-09-03T11:02:16","modified_gmt":"2024-09-03T14:02:16","slug":"por-que-nao-deus-investigando-as-razoes-ocultas-por-tras-da-rejeicao-da-hipotese-deus-pela-academia-parte-16","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=224473","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o Deus? Investigando as raz\u00f5es ocultas por tr\u00e1s da rejei\u00e7\u00e3o da Hip\u00f3tese Deus pela academia &#8211; Parte 16"},"content":{"rendered":"<p class=\"s3\">Continuando a descascar a cebola do dilema da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento comprometida em rejeitar a hip\u00f3tese Deus, neste artigo, vamos atingir suas camadas intermedi\u00e1rias, o que nos faz descer do campo acad\u00eamico para o n\u00edvel de seus pressupostos, remetendo ao problema do paradigma cient\u00edfico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme ensinado por Thomas Kuhn, em sua obra seminal &#8220;A Estrutura das Revolu\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas\u201d, o paradigma consiste nas bases te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas compartilhadas pela comunidade cient\u00edfica em determinado per\u00edodo. Estes paradigmas ditam n\u00e3o apenas \u201co que\u201d \u00e9 estudado, mas tamb\u00e9m o \u201ccomo\u201d algo \u00e9 estudado e interpretado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em nosso tempo, um paradigma espec\u00edfico circunscreve o campo acad\u00eamico determinando leis, teorias, aplica\u00e7\u00f5es e instrumentos que s\u00e3o reconhecidos pela comunidade cient\u00edfica como v\u00e1lidos. Ele \u00e9 antes de mais nada imanentista, ou seja, sustenta que a realidade e todos seus fen\u00f4menos subjacentes devem ser entendidos exclusivamente a partir dos processos e propriedades intr\u00ednsecos ao cosmos, sem admitir qualquer causa ou entidades transcendentais. O enfoque imanentista se evidencia na pr\u00f3pria metodologia cient\u00edfica que busca explica\u00e7\u00f5es para os fen\u00f4menos naturais dentro dos limites do pr\u00f3prio mundo observ\u00e1vel, atrav\u00e9s da natureza, suas leis f\u00edsicas e processos materiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O imanentismo do paradigma se desdobra em dois pilares que eixam a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento em nosso tempo: naturalismo e materialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O naturalismo se baseia na premissa de que todas as explica\u00e7\u00f5es para os fen\u00f4menos do universo devem ser encontradas dentro do pr\u00f3prio universo, utilizando exclusivamente as leis e processos naturais. O materialismo, por sua vez, se expressa na premissa de que a realidade \u00e9 constitu\u00edda exclusivamente por mat\u00e9ria e energia, e que todos os fen\u00f4menos, incluindo os mentais e sociais, podem ser explicados em termos de intera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e materiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tais enfoques excluem qualquer interven\u00e7\u00e3o ou causa sobrenatural, argumentando que tudo o que existe e acontece pode ser compreendido atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise emp\u00edrica, mantendo-se restrito ao que \u00e9 imanente, ou seja, inerente \u00e0 natureza e ao mundo f\u00edsico.<\/p>\n<p>O paradigma sustenta que tudo o que existe \u00e9 parte do mundo f\u00edsico e opera segundo as leis naturais, sem precisar recorrer a explica\u00e7\u00f5es transcendentes ou metaf\u00edsicas. O bin\u00f4mio rejeita a exist\u00eancia de qualquer entidade ou dimens\u00e3o imaterial, como almas, esp\u00edritos ou deuses, e concentra-se apenas no que pode ser observado e medido empiricamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os fundamentos que t\u00eam orientado o campo acad\u00eamico. A produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a interpreta\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos naturais e sociais, possuem base, \u00fanica poss\u00edvel, excluindo qualquer outra hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses pressupostos t\u00eam obtido sucesso em muitas \u00e1reas, proporcionando avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Contudo, eles tamb\u00e9m imp\u00f5em restri\u00e7\u00f5es epistemol\u00f3gicas que limitam a capacidade da ci\u00eancia de explorar e explicar fen\u00f4menos que n\u00e3o se encaixam perfeitamente dentro desse quadro te\u00f3rico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos seus sucessos, o paradigma naturalista-materialista enfrenta dificuldades de responder a fen\u00f4menos complexos e se chocam contra evid\u00eancias que colocam em xeque teorias consagradas. A consci\u00eancia, por exemplo, continua sendo um mist\u00e9rio em grande parte inexplic\u00e1vel pela neuroci\u00eancia materialista. Fen\u00f4menos sociais e culturais, como a moralidade, a arte e a religi\u00e3o, tamb\u00e9m resistem a explica\u00e7\u00f5es puramente materialistas, sugerindo que h\u00e1 dimens\u00f5es da realidade que escapam a este paradigma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas ci\u00eancias humanas o colapso de tais modelos herm\u00e9ticos que se expressaram no biologismo, determinismo geogr\u00e1fico, economicismo, dentre outros, colapsaram muito antes dos dilemas se agravarem nas ci\u00eancias exatas e naturais agora tamb\u00e9m em vias de implodir. O modelo cosmol\u00f3gico dominante, por exemplo, com sua infla\u00e7\u00e3o e mat\u00e9ria escura fria, enfrenta desafios significativos ao tentar explicar as recentes imagens obtidas pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb. Este telesc\u00f3pio, com sua capacidade sem precedentes de observar o universo em comprimentos de onda infravermelhos, est\u00e1 revelando estruturas c\u00f3smicas e gal\u00e1xias em est\u00e1gios muito primordiais que n\u00e3o se encaixam nas previs\u00f5es feitas pelo modelo atual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o evolucionismo, \u00e0 medida que a ci\u00eancia avan\u00e7a, especialmente nas \u00e1reas de microbiologia e bioqu\u00edmica, surgem quest\u00f5es complexas que o modelo evolucionista tradicional enfrenta dificuldades para responder. Uma das quest\u00f5es mais desafiadoras \u00e9 explicar a origem da vida. A abiog\u00eanese, ou a hip\u00f3tese de que a vida surgiu a partir de mat\u00e9ria inanimada, n\u00e3o resiste a nenhum teste de veracidade. Estruturas microbiol\u00f3gicas, como o flagelo bacteriano por exemplo, s\u00e3o frequentemente citadas como exemplos de &#8220;complexidade irredut\u00edvel&#8221;. Essas estruturas s\u00e3o compostas por m\u00faltiplas partes interdependentes, onde a remo\u00e7\u00e3o de qualquer uma delas resulta na perda de fun\u00e7\u00e3o. A explica\u00e7\u00e3o de como tais sistemas complexos poderiam evoluir gradualmente, pe\u00e7a por pe\u00e7a, sem perder a funcionalidade, choca-se frontalmente com a teoria evolucionista. Outros desafios s\u00e3o as m\u00e1quinas moleculares, o c\u00f3digo gen\u00e9tico, a origem de vias metab\u00f3licas complexas dentre outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 sobretudo nas quest\u00f5es fundamentais sobre a origem e o sentido da realidade que o bin\u00f4mio fracassa flagrantemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O insucesso j\u00e1 est\u00e1 patente demonstrando o exaurimento do duplo eixo do paradigma. Por\u00e9m, como Kuhn ensina, a crise do paradigma \u00e9 um evento traum\u00e1tico e permeado de resist\u00eancias. Embora o naturalismo e o materialismo estejam sendo confortados a evid\u00eancia constrangedoras, o imanentismo ainda segue sendo uma firme convic\u00e7\u00e3o o que leva o campo cient\u00edfico a procurar uma alternativa ao duplo eixo mas ainda fiel ao imp\u00e9rio da iman\u00eancia. Isso explica a emerg\u00eancia recente do relativismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora o relativismo desafie a rigidez do naturalismo e do materialismo, no limite, n\u00e3o passa de uma cr\u00edtica est\u00e9ril. Pois reconhece o problema mas \u00e9 totalmente incapaz de apresentar uma alternativa, argumentando que todas as verdades s\u00e3o relativas e que n\u00e3o existe uma verdade objetiva universal. A principal defici\u00eancia \u00e9 a sua pr\u00f3pria inconsist\u00eancia l\u00f3gica: se todas as verdades s\u00e3o relativas, ent\u00e3o a afirma\u00e7\u00e3o &#8220;todas as verdades s\u00e3o relativas&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 relativa, o que mina a sua validade como uma alternativa coerente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa autocontradi\u00e7\u00e3o impede que o relativismo se sustente como alternativa capaz de sustentar o paradigma dominante, mas agrava o dilema do paradigma e lan\u00e7a uma s\u00e9ria amea\u00e7a contra a pr\u00f3pria atividade cient\u00edfica. A emerg\u00eancia da nega\u00e7\u00e3o da verdade e do fen\u00f4meno da p\u00f3s-verdade, s\u00e3o explicadas concretamente pelo colapso do paradigma e produz eros\u00e3o na pr\u00f3pria ideia de ci\u00eancia. Diante das limita\u00e7\u00f5es do naturalismo-materialismo e da insufici\u00eancia do relativismo, um desafio est\u00e1 lan\u00e7ado contra o paradigma dominante que afeta o pr\u00f3prio ato de fazer ci\u00eancia. Ele ainda resiste, mas at\u00e9 quando? Quais ser\u00e3o os efeitos do colapso? O campo cient\u00edfico coloca sua pr\u00f3pria autoridade em risco ao permanecer insistindo no imperativo do imanentismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste contexto, a hip\u00f3tese Deus tem reaparecido como uma alternativa que merece ser considerada seriamente, por\u00e9m continua sendo bloqueada, impedida de penetrar o campo acad\u00eamico dominado peloimanentismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese Deus pode oferecer explica\u00e7\u00f5es para fen\u00f4menos que o paradigma imanentista, naturalista-materialista ou relativista n\u00e3o consegue abordar satisfatoriamente, ainda assim permanece bloqueada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na base do problema das tr\u00eas perspectivas e do pr\u00f3prio imanentismo est\u00e1 a contradi\u00e7\u00e3o dos motivos base religiosos que enla\u00e7am, n\u00e3o apenas a atividade cient\u00edfica, mas a pr\u00f3pria cultura ocidental envolvendo toda a sociedade. E este \u00e9 o tema do pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuando a descascar a cebola do dilema da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento comprometida em rejeitar a hip\u00f3tese Deus, neste artigo, vamos atingir suas camadas intermedi\u00e1rias, o que nos faz descer do campo acad\u00eamico para o n\u00edvel de seus pressupostos, remetendo ao problema do paradigma cient\u00edfico. &nbsp; Conforme ensinado por Thomas Kuhn, em sua obra seminal &#8220;A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":246,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1244],"tags":[],"class_list":["post-224473","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-oleg-abramov"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/224473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/246"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=224473"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/224473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":224474,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/224473\/revisions\/224474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=224473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=224473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=224473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}