{"id":222895,"date":"2024-05-17T23:32:06","date_gmt":"2024-05-18T02:32:06","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=222895"},"modified":"2024-05-17T23:32:06","modified_gmt":"2024-05-18T02:32:06","slug":"por-que-nao-deus-investigando-as-razoes-ocultas-por-tras-da-rejeicao-da-hipotese-deus-pela-academia-parte-04","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=222895","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o Deus? Investigando as raz\u00f5es ocultas por tr\u00e1s da rejei\u00e7\u00e3o da Hip\u00f3tese Deus pela academia &#8211; Parte 04"},"content":{"rendered":"<p class=\"s3\">Para desenvolver o racioc\u00ednio, apresentarei sumariamente neste e nos artigos imediatamente seguintes a teoria dos tr\u00eas autores que oferecem elementos te\u00f3ricos relevantes para a investiga\u00e7\u00e3o que estamos desenvolvendo acerca do veto interposto na academia \u00e0 \u201chip\u00f3tese Deus\u201d como forma de explicar a origem e o sentido da realidade. Come\u00e7aremos com Thomas Kuhn.<\/p>\n<p class=\"s4\">Kuhn introduziu o conceito de paradigma em sua obra &#8220;A Estrutura das Revolu\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas&#8221;, na qual argumenta que a ci\u00eancia n\u00e3o progride de forma linear e cont\u00ednua, como se acreditava anteriormente, mas sim por meio de revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que p\u00f5em ao ch\u00e3o os paradigmas estabelecidos.<\/p>\n<p class=\"s4\">Segundo ele, o paradigma \u00e9 um conjunto de conceitos, teorias, m\u00e9todos e pr\u00e1ticas que definem o campo cient\u00edfico em determinado per\u00edodo de tempo. Segundo ele, os paradigmas s\u00e3o modelos reconhecidos e aceitos pelos cientistas em geral como sendo os mais adequados para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas sem se dar conta de sua transitoriedade.<\/p>\n<p class=\"s4\">Kuhn circunscreve a ideia de ci\u00eancia normal, ou seja, a ci\u00eancia do cotidiano, aquela que se processa nas salas de aula, nos simp\u00f3sios, nos congressos, nos laborat\u00f3rios, nos peri\u00f3dicos acad\u00eamicos. Ela est\u00e1 voltada t\u00e3o somente \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de problemas aos quais as sub\u00e1reas se encontram confrontadas. \u00c9 como se fosse, nas palavras de Kuhn, uma ci\u00eancia de \u201cquebra-cabe\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p class=\"s4\">A ideia de quebra-cabe\u00e7as \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o bastante v\u00e1lida, pois se trata exatamente disso. Pois o quebra-cabe\u00e7as \u00e9 um jogo com pe\u00e7as pr\u00e9-definidas que possuem o prop\u00f3sito de formar uma imagem pr\u00e9-determinada. \u00c9 exatamente isso que ocorre na ci\u00eancia normal que se desenvolve ordinariamente.<\/p>\n<p class=\"s4\">A ci\u00eancia normal preocupada em resolver quest\u00f5es segundo pressupostos \u00e9 exatamente aquela que opera no interior de um paradigma. Ou seja, no interior de um enredamento de pressupostos cujos limites isolam axiomas, modelos, teorias e m\u00e9todos considerados aceitos por toda comunidade acad\u00eamica.<\/p>\n<p class=\"s4\">O paradigma institui os limites, as fronteiras no interior dos quais \u00e9 estabelecido o di\u00e1logo comum. Trata-se de um grande campo de for\u00e7as que comporta pequenos nichos em seu interior e \u00e9 neles que se desenvolvem as sub\u00e1reas do conhecimento. Ainda que existam controv\u00e9rsias, tais n\u00e3o fogem \u00e0quilo que o paradigma estabelece como sendo admiss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"s4\">Esta ci\u00eancia normal n\u00e3o se volta para si mesma com o objetivo de examinar criticamente seus pressupostos, portanto, n\u00e3o se interessa e at\u00e9 mesmo repudia questionamentos sobre suas bases. Nesta fase, a ci\u00eancia normal \u00e9 quase algo entediante. Pois o que se verifica \u00e9 apenas a confirma\u00e7\u00e3o das teorias vigentes. Um acr\u00e9scimo aqui, uma nuance ali, esta e aquela descoberta. Um e outro ponto adicionado resultante de an\u00e1lise emp\u00edrica. Aplica-se um conceito sintetizado a novos problemas, sem qualquer descoberta extraordin\u00e1ria, nada muito al\u00e9m disso. Como se a comunidade dos cientistas estivesse t\u00e3o somente aparando arestas dos modelos vigentes.<\/p>\n<p class=\"s4\">Khun deseja mostrar que tal estabilidade \u00e9 sempre hist\u00f3rica, ou seja, se institui por um lapso de tempo, pois em algum momento acaba sendo quebrada.<\/p>\n<p class=\"s4\">Geralmente os dilemas n\u00e3o explicados pelo paradigma s\u00e3o tratados como anomalias, ou seja, como se a teoria fosse v\u00e1lida e os problemas que ela n\u00e3o consegue responder fossem os &#8220;culpados&#8221; pela impossibilidade de alcan\u00e7ar respostas. At\u00e9 que as anomalias se avolumam de tal maneira que n\u00e3o h\u00e1 mais como sustentar a &#8220;normalidade&#8221; da ci\u00eancia em voga.<\/p>\n<p class=\"s4\">Quando ocorre a ruptura, tal n\u00e3o resulta de um \u00fanico ato isolado, mas de um processo de soma de problemas n\u00e3o resolvidos, de quebra-cabe\u00e7as n\u00e3o solucionados, de perguntas n\u00e3o respondidas adequadamente. Ao longo de uma cadeia de defasagens, as teorias v\u00e3o mostrando que n\u00e3o d\u00e3o conta de responder a muitos problemas que v\u00e3o se avolumando, at\u00e9 que novas propostas come\u00e7am a brotar. Neste momento se estabelece uma disputa, de um lado, a resist\u00eancia em favor do paradigma em voga, de outro, as alternativas inovadoras.<\/p>\n<p class=\"s4\">Quando um paradigma entra em crise ocorre uma revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que leva \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o desse paradigma por um novo, que \u00e9 capaz de explicar um conjunto mais abrangente de fen\u00f4menos observados.<\/p>\n<p class=\"s4\">Essa mudan\u00e7a de paradigma \u00e9 um momento crucial na hist\u00f3ria da ci\u00eancia, pois redefine os problemas a serem estudados, os m\u00e9todos de investiga\u00e7\u00e3o e as teorias aceitas pela comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p class=\"s4\">Por que a proposta de Kuhn nos ajuda a encontrar a resposta para o problema da exclus\u00e3o da hip\u00f3tese Deus da academia? Voc\u00ea ver\u00e1 a resposta se continuar acompanhando esta s\u00e9rie de artigos!<\/p>\n<p class=\"s4\">(Refer\u00eancia: KUHN, Thomas. A Estrutura das Revolu\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2013.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para desenvolver o racioc\u00ednio, apresentarei sumariamente neste e nos artigos imediatamente seguintes a teoria dos tr\u00eas autores que oferecem elementos te\u00f3ricos relevantes para a investiga\u00e7\u00e3o que estamos desenvolvendo acerca do veto interposto na academia \u00e0 \u201chip\u00f3tese Deus\u201d como forma de explicar a origem e o sentido da realidade. Come\u00e7aremos com Thomas Kuhn. 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