{"id":222768,"date":"2024-05-11T11:22:38","date_gmt":"2024-05-11T14:22:38","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=222768"},"modified":"2024-05-11T11:35:14","modified_gmt":"2024-05-11T14:35:14","slug":"por-que-nao-deus-investigando-as-razoes-ocultas-por-tras-da-rejeicao-da-hipotese-deus-pela-academia-parte-02","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=222768","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o Deus? Investigando as raz\u00f5es ocultas por tr\u00e1s da rejei\u00e7\u00e3o da Hip\u00f3tese Deus pela academia &#8211; Parte 02"},"content":{"rendered":"<p class=\"s3\">Afinal, por que voltar a ponderar a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e a ci\u00eancia\/filosofia? Simplesmente porque \u00e9 um assunto que n\u00e3o se esgotou e, pelo contr\u00e1rio, ganha for\u00e7a e contornos in\u00e9ditos com as controv\u00e9rsias p\u00fablicas que v\u00eam se desenvolvendo atrav\u00e9s das novas m\u00eddias digitais.<\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">S\u00e3o centenas de palestras, debates e mon\u00f3logos transmitidos e sendo postados diariamente em plataformas como YouTube, Instagram, Facebook, dentre outras. Igrejas que dedicam parte da escola dominical ao assunto, intelectuais p\u00fablicos de diversas denomina\u00e7\u00f5es ocupando espa\u00e7os em diferentes <\/span><\/span><span class=\"s5\"><span class=\"bumpedFont15\">podcasts<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> e programas de entrevistas voltados n\u00e3o para o p\u00fablico crist\u00e3o, mas para a audi\u00eancia em geral. Real\u00e7a-se o fato de se tornar um acontecimento recorrente que tais espa\u00e7os de m\u00eddia \u201cestourem\u201d seus \u201cviews\u201d quando tratam justamente da rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e raz\u00e3o ou Deus e ci\u00eancia. Uma evid\u00eancia do crescente fasc\u00ednio pela intera\u00e7\u00e3o entre conhecimento rigoroso\/met\u00f3dico e a hip\u00f3tese Deus, mostrando um resiliente interesse da popula\u00e7\u00e3o em geral e dos crentes em particular sobre o assunto.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">Focando na realidade brasileira, sabemos que a nossa sociedade demonstra pretender juntar-se \u00e0 torrente hist\u00f3rica secularizante que abandonou as antigas tradi\u00e7\u00f5es para aderir ao projeto racionalista que concentra a autoridade no saber met\u00f3dico\/racional substancialmente material-naturalista e, consequentemente, nos cientistas e fil\u00f3sofos coroados de gl\u00f3ria pelos pares da academia que encarnam esta mesma voca\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, nos surpreendemos com os censos que mostram as propor\u00e7\u00f5es de crentes em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero geral da popula\u00e7\u00e3o, apresentando n\u00e3o apenas resili\u00eancia como altera\u00e7\u00e3o ascendente em alguns perfis. Presumimos que seja em fun\u00e7\u00e3o disso, parte da raz\u00e3o para que o tema permane\u00e7a colocado.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">Assumimos a hip\u00f3tese de que o crescimento do interesse pelo espec\u00edfico debate em tela deve ter rela\u00e7\u00e3o com o perfil desse \u201cnovo crente\u201d, que tem se tornado crescentemente evang\u00e9lico no lugar de catolico e vem atingindo n\u00edveis superiores de renda\/escolaridade.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">Segundo o IBGE, em 2010 o n\u00famero de crist\u00e3os no Brasil era de 86,8% da popula\u00e7\u00e3o, sendo desses, 64,6% cat\u00f3licos (decrescendo) e 22,2%, evang\u00e9licos (crescendo). Dez anos depois, o DataFolha divulgou uma Pesquisa com ampla amostragem apontando que 50% dos brasileiros permanecem cat\u00f3licos e o p\u00fablico evang\u00e9lico cresceu para 31%. Entre os que n\u00e3o t\u00eam religi\u00e3o ou n\u00e3o declararam, o n\u00famero permaneceu est\u00e1vel pr\u00f3ximo aos 10% em ambas pesquisas, indicando que n\u00e3o houve aumento expressivo no n\u00famero de n\u00e3o-fi\u00e9is, mas uma transi\u00e7\u00e3o dentro do cristianismo.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">O catolicismo escol\u00e1stico estabeleceu um equil\u00edbrio entre os campos cient\u00edfico e religioso, especialmente em fun\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o tomista que associa natureza e gra\u00e7a da qual deriva a teologia natural que pretende harmonizar os dois mundos f\u00edsico e transcendente. Este fato pode ter sido respons\u00e1vel pelo abrandamento da tens\u00e3o no per\u00edodo de dom\u00ednio do Vaticano. Por\u00e9m, o p\u00fablico evang\u00e9lico crescente que (como persona), at\u00e9 recentemente deplorava a ci\u00eancia, agora passa a aspirar um novo ponto de equil\u00edbrio. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">O perfil do evang\u00e9lico mudou, as pesquisas mostram serem mais jovens que os cat\u00f3licos e terem uma escolaridade equivalente. Al\u00e9m disso, o crescimento do n\u00famero de evang\u00e9licos diversifica os seus \u201ctipos\u201d. No passado, era fortemente sedimentado nas camadas sociais empobrecidas, mas agora atinge p\u00fablicos com maior poder aquisitivo e n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o (mais anos de escolaridade). \u00d3bvio que a mudan\u00e7a do perfil altera suas \u00e1reas de interesse t\u00edpicas.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">O crente dotado desse renovado perfil (1) se expressa em m\u00eddias digitais e (2) se preocupa em compatibilizar sua f\u00e9 com seu estoque de conhecimento obtido na trajet\u00f3ria escolar\/acad\u00eamica. Consequentemente, este novo crist\u00e3o (evang\u00e9lico, jovem, com maior renda e escolaridade) acaba por renovar e alimentar a controv\u00e9rsia em tela. Por isso, verifica-se o \u201cboom\u201d de publica\u00e7\u00f5es, canais, perfis e debates hospedados nas m\u00eddias digitais sobre a rela\u00e7\u00e3o Deus e a ci\u00eancia\/filosofia.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">Chama a aten\u00e7\u00e3o que o mesmo tipo de capilaridade que o debate ganhou na m\u00eddia, n\u00e3o est\u00e1 refletida na produ\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, t\u00e9cnica-cient\u00edfica. \u00c9 praxe, especialmente nas ci\u00eancias humanas, que as tend\u00eancias sociais se reflitam nas bancas acad\u00eamicas. Exemplo disso \u00e9 identificado na mudan\u00e7a da tem\u00e1tica dominantes em linhas de pesquisa, motes de simp\u00f3sios e congressos que mudaram em sintonia \u00e0 recente transi\u00e7\u00e3o no perfil de movimentos sociais, antes agitados pelas tem\u00e1ticas socioecon\u00f4micos e agora focados no identitarismo cultural. \u00c9 ao mesmo tempo instigante e inquietante perceber o descompasso gigantesco quando se verifica o crescente interesse pela hip\u00f3tese Deus e o quase absoluto sil\u00eancio da academia. Ou seja, h\u00e1 uma percept\u00edvel assimetria do debate estabelecido fora da academia com a produ\u00e7\u00e3o dentro da academia. O dilema se acentua quando percebe-se que praticamente 10 em 10 teses (com a \u00f3bvia e honrosa exce\u00e7\u00e3o dos departamentos de teologia), quando abordam o assunto, o fazem pelo vi\u00e9s da defesa do apartamento, muitas vezes recorrendo \u00e0 interpreta\u00e7\u00f5es preconceituosas e com pouco rigor met\u00f3dico.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">N\u00e3o temos estat\u00edstica dispon\u00edvel para quantificar a \u201csensa\u00e7\u00e3o\u201d de desprezo acima descrita, a express\u00e3o de sua veracidade est\u00e1 na lamenta\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica entre os aderentes das organiza\u00e7\u00f5es que buscam o di\u00e1logo entre f\u00e9 e ci\u00eancia, rotulados vexatoriamente de \u201cpseudocientistas\u201d e no fato de ser p\u00fablico e not\u00f3rio a desqualifica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de teses que ousam p\u00f4r \u00e0 prova os limites das muralhas que seguem erguidas.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">Percebemos que \u00e9 uma quest\u00e3o de princ\u00edpio rejeitar a hip\u00f3tese Deus, ainda que n\u00e3o estejamos falando de qualquer cren\u00e7a em particular sobre quem seja o criador e tomando as devidas precau\u00e7\u00f5es para n\u00e3o incorrer no erro de professar uma religi\u00e3o espec\u00edfica.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">N\u00e3o seria cr\u00edvel indagar por que se deve necessariamente reputar os temas da origem e do sentido \u201cdo tudo o que h\u00e1\u201d a uma long\u00ednqua possibilidade, condicionados a novas descobertas que n\u00e3o sabemos se existem, via uma longa cadeia de investiga\u00e7\u00f5es ainda por serem realizadas? Por que \u00e9 prefer\u00edvel deixar o tema em aberto ao inv\u00e9s de abrir espa\u00e7o para outras possibilidades ou simplesmente admitir a pergunta: pode ter sido Deus?<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\"><span class=\"s2\"><span class=\"bumpedFont15\">(Continua.)<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"s3\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afinal, por que voltar a ponderar a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e a ci\u00eancia\/filosofia? Simplesmente porque \u00e9 um assunto que n\u00e3o se esgotou e, pelo contr\u00e1rio, ganha for\u00e7a e contornos in\u00e9ditos com as controv\u00e9rsias p\u00fablicas que v\u00eam se desenvolvendo atrav\u00e9s das novas m\u00eddias digitais. 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