{"id":220410,"date":"2024-01-08T20:57:15","date_gmt":"2024-01-08T23:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=220410"},"modified":"2024-01-08T20:57:15","modified_gmt":"2024-01-08T23:57:15","slug":"por-que-as-mentes-tem-adoecido-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=220410","title":{"rendered":"Por que as mentes t\u00eam adoecido? &#8211; Parte 2"},"content":{"rendered":"<p>Continuando a reflex\u00e3o iniciada no artigo anterior faremos uma digress\u00e3o ao passado para reencontrar as origens da filosofia grega, especificamente revisitando o pensamento de um dos maiores intelectuais de todos os tempos: Parm\u00eanides.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que tudo o que vemos, o que sentimos e o que percebemos est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o. Na verdade, se h\u00e1 uma palavra capaz de definir o mundo, esta \u00e9 \u201cmudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Parm\u00eanides constata o fato de que tudo no mundo muda. O problema \u00e9 que definir a mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 algo simples.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7a \u00e9 a passagem do \u201cn\u00e3o ser\u201d para o \u201cser\u201d. Por\u00e9m, o \u201cn\u00e3o ser\u201d n\u00e3o existe, porque se existisse \u201cseria\u201d, mas o caso \u00e9 que o \u201cn\u00e3o ser\u201d, n\u00e3o foi, n\u00e3o \u00e9, nem jamais ser\u00e1, simplesmente \u00e9 a aus\u00eancia de exist\u00eancia. O \u201cn\u00e3o ser\u201d n\u00e3o existe, nem na mente nem no mundo externo \u00e0 mente. A mudan\u00e7a \u00e9 definida pela passagem do \u201cn\u00e3o ser\u201d para o \u201cser\u201d, por\u00e9m, acabamos de constatar que o \u201cn\u00e3o ser\u201d n\u00e3o existe, portanto, conclu\u00edmos que a mudan\u00e7a \u00e9 uma impossibilidade l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Agora perceba a implica\u00e7\u00e3o que essa \u00f3bvia constata\u00e7\u00e3o produz: sabendo que a mudan\u00e7a \u00e9 a ess\u00eancia do mundo e, ao mesmo tempo, constatando que a mudan\u00e7a \u00e9 imposs\u00edvel, ent\u00e3o, como conceber a exist\u00eancia do pr\u00f3prio mundo? Ora, se no mundo tudo muda, se o mundo \u00e9 essencialmente mudan\u00e7a, nos deparamos com um aterrorizante dilema insol\u00favel: se a mudan\u00e7a \u00e9 imposs\u00edvel e o mundo \u00e9 mudan\u00e7a, ent\u00e3o o mundo n\u00e3o existe?<\/p>\n<p>Retomando o tema do artigo anterior encontramos uma raiz ainda mais profunda para explicar o problema do agravamento dos males mentais. A verdade \u00e9 que o mundo desafia nossa l\u00f3gica, a sua regra essencial \u00e9 incompat\u00edvel com a raz\u00e3o. A raz\u00e3o diz que a mudan\u00e7a \u00e9 imposs\u00edvel, mas o mundo s\u00f3 apresenta mudan\u00e7as, isso cria um hiato que descola nossa mente das sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quanto enxergamos o ser humano percebemos que sua pr\u00f3pria sanidade depende da estabilidade que encontra em sua capacidade racional. Ent\u00e3o quando ele se depara com tamanha incongru\u00eancia entre o mundo no qual deposita suas aspira\u00e7\u00f5es e a l\u00f3gica que governa a sua lucidez, a mente simplesmente colapsa.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed uma hip\u00f3tese para explicar a motiva\u00e7\u00e3o do adoecimento mental que acomete esta gera\u00e7\u00e3o: os indiv\u00edduos t\u00eam progressivamente se desligado da transcend\u00eancia, projetando suas aspira\u00e7\u00f5es no mundo. Mas como vemos, este mesmo mundo \u00e9 incompat\u00edvel com a l\u00f3gica, posto que oferece nem sequer o mais elementar ind\u00edcio de solidez que \u00e9 a certeza de sua exist\u00eancia. O homem encontra conforto naquilo que compreende, por\u00e9m, as pessoas est\u00e3o buscando seus padr\u00f5es reconfortantes onde jamais ser\u00e3o encontrados: no mundo mutante que \u00e9 incapaz de oferecer a estabilidade requerida pela nossa natureza racional.<\/p>\n<p>Dado o diagn\u00f3stico, eis o progn\u00f3stico: as pessoas devem parar de se projetar no mundo mutante e voltarem-se para a transcend\u00eancia onde a estabilidade \u00e9 cr\u00edvel.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Parm\u00eanides chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a nossa mente \u00e9 capaz de reconhecer o \u201cser\u201d. Ora, se o \u201cser\u201d existe, n\u00e3o est\u00e1 no mundo onde nada \u201c\u00e9\u201d, tudo \u201cest\u00e1\u201d. Ora, se o \u201cser\u201d existe e n\u00e3o est\u00e1 no mundo, s\u00f3 pode ser encontrado na transcend\u00eancia. No plano no qual n\u00e3o se aplicam as regras do mundo.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o do adoecimento mental? No abandono das ilus\u00f5es do mundo e na busca por estabilidade onde de fato ela pode ser encontrada, no plano do Ser que habita o transcendente; ou seja, em Deus!<\/p>\n<p>O que \u00e9 oposto de mudan\u00e7a? Deus! Ele \u00e9 eterno, permanente, imut\u00e1vel, constante,\u2026 em uma palavra: est\u00e1vel!<\/p>\n<p>Naquele que n\u00e3o muda, encontramos as balizas fixas que nos d\u00e3o a sensa\u00e7\u00e3o de estabilidade, achamos a raz\u00e3o que determina par\u00e2metros s\u00f3lidos para conduzir a vida e a l\u00f3gica que nos proporciona o autorreconhecimento.<\/p>\n<p>Ao encontrar Deus, nos reencontramos com n\u00f3s mesmos e as dores que pertencem ao mundo, simplesmente s\u00e3o pulverizadas da mente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuando a reflex\u00e3o iniciada no artigo anterior faremos uma digress\u00e3o ao passado para reencontrar as origens da filosofia grega, especificamente revisitando o pensamento de um dos maiores intelectuais de todos os tempos: Parm\u00eanides. 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