{"id":219399,"date":"2023-11-17T20:17:30","date_gmt":"2023-11-17T23:17:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=219399"},"modified":"2023-11-17T20:17:30","modified_gmt":"2023-11-17T23:17:30","slug":"produtores-apostam-na-citricultura-de-montanha-e-formam-novo-polo-de-producao-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=219399","title":{"rendered":"Produtores apostam na citricultura de montanha e formam novo polo de produ\u00e7\u00e3o em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>Minas Gerais \u00e9 o segundo maior estado produtor de frutas c\u00edtricas do Brasil e tem apresentado um crescimento exponencial nos \u00faltimos anos. Dentre os polos citr\u00edcolas do estado, destaca-se aquele formado mais recentemente na regi\u00e3o montanhosa entre o Sul de Minas e o Campo das Vertentes, onde, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), entre 2012 e 2022, a \u00e1rea plantada de lim\u00e3o, laranja e tangerina cresceu de 26 hectares para aproximadamente 977 hectares.<\/p>\n<p>Atentos a esse fen\u00f4meno, pesquisadores da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.epamig.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (Epamig)<\/a>\u00a0t\u00eam acompanhado o desenvolvimento da chamada \u201ccitricultura de montanha\u201d na regi\u00e3o, com pesquisas voltadas para a an\u00e1lise da qualidade dos frutos e de suas aptid\u00f5es para a ind\u00fastria de bebidas, tanto alco\u00f3licas quanto n\u00e3o alco\u00f3licas.<\/p>\n<p>O termo citricultura de montanha n\u00e3o est\u00e1 relacionado a uma nova pr\u00e1tica ou novo manejo, mas a um conjunto de fatores que caracteriza a produ\u00e7\u00e3o de citros em relevos montanhosos.<\/p>\n<p>\u201cNessa regi\u00e3o, as varia\u00e7\u00f5es de relevo e altitude e a grande amplitude t\u00e9rmica (diferen\u00e7a de temperatura entre o dia e a noite) podem influenciar no sabor e na qualidade das frutas. A tangerina Ponkan produzida l\u00e1, por exemplo, \u00e9 muito apreciada por sua do\u00e7ura\u201d, comenta a pesquisadora da Epamig, Ester Ferreira.<\/p>\n<p>Segundo ela, a regi\u00e3o era tradicionalmente conhecida pela produ\u00e7\u00e3o leiteira, mas o cen\u00e1rio mudou em meados dos anos 2010, quando grupos empresariais come\u00e7aram a migrar de S\u00e3o Paulo para Minas Gerais, \u00e0 procura de terras com temperaturas mais amenas e livres do Greening (a mais grave e destrutiva doen\u00e7a entre os citros), que j\u00e1 havia comprometido grande parte da citricultura paulista.<\/p>\n<p>\u201cO relevo montanhoso do sul mineiro n\u00e3o foi um impeditivo para o avan\u00e7o da citricultura, que se adaptou muito bem, especialmente a tangerina. Isso atraiu investimentos e gerou tamb\u00e9m um aumento de renda na regi\u00e3o, pois a citricultura demanda m\u00e3o de obra durante quase todo o ano e ocupa \u00e1reas produtivas que estavam antes ociosas\u201d, explica Ester Ferreira.<\/p>\n<p><strong>Pesquisas analisam uso de frutas c\u00edtricas em bebidas e drinks<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora coordena o projeto de pesquisa \u201cPercep\u00e7\u00e3o sensorial de sabor e prefer\u00eancias dos consumidores por diferentes cultivares de laranjas e tangerinas\u201d, que tem como objetivo avaliar a qualidade dos frutos produzidos na regi\u00e3o, tanto para consumo in natura quanto aqueles destinados para a ind\u00fastria de bebidas.<\/p>\n<p>\u201cVamos avaliar caracter\u00edsticas como a colora\u00e7\u00e3o da casa e o sabor dos frutos para podermos confirmar se realmente sofrem influ\u00eancia do relevo e das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da regi\u00e3o\u201d, detalha a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cTemos tamb\u00e9m uma linha de pesquisa dedicada ao uso de citros para a elabora\u00e7\u00e3o de drinks e bebidas n\u00e3o alco\u00f3licas, inclusive misturadas com caf\u00e9. Vamos iniciar testes sensoriais com consumidores para avaliar a aceita\u00e7\u00e3o\u201d, completa Ester.<\/p>\n<p>Um dos parceiros desse projeto, e que tem contribu\u00eddo com o envio de amostras de frutos para serem analisados, \u00e9 o paulista Ant\u00f4nio Carlos Simonetti, produtor de citros no munic\u00edpio de Minduri, no Sul do estado.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 origin\u00e1ria de Limeira (SP), onde seu bisav\u00f4 iniciou o cultivo de frutas c\u00edtricas na d\u00e9cada de 1940. Com o avan\u00e7o do Greening no estado, a fam\u00edlia decidiu migrar para Minas Gerais, em busca de terras f\u00e9rteis e livres da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cNossa produ\u00e7\u00e3o de tangerinas Ponkan, que era muito famosa pela qualidade, simplesmente acabou em Limeira por causa do Greening. Ent\u00e3o, viemos para Minduri atr\u00e1s de um clima mais ameno, com temperaturas mais baixas, onde houvesse tamb\u00e9m geadas ao longo do ano\u201d, conta o produtor, que cultiva abacates, cinco variedades de tangerina e nove de laranja, em cerca de 2 mil hectares.<\/p>\n<p>Para ele, o maior desafio do manejo na citricultura de montanha \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de tratores, ro\u00e7adeiras e demais m\u00e1quinas, que ficam muito desgastadas por conta do relevo acidentado.<\/p>\n<p><strong>Alta produtividade e qualidade<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o produtor, os mil metros de altitude do munic\u00edpio favorecem a produtividade, qualidade, rendimento dos sucos e colora\u00e7\u00e3o dos frutos, al\u00e9m de quebrar o ciclo de algumas pragas e doen\u00e7as, como Cancro, Leprose e Pinta-preta.<\/p>\n<p>\u201cNossas plantas adultas produzem cerca de 70 a 80 toneladas de frutos por hectare ao ano. Quando sa\u00edmos de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 quase dez anos, nossa produ\u00e7\u00e3o era de cerca de 40 a 50 toneladas por hectare ao ano. Al\u00e9m disso, as frutas produzidas em Minas tamb\u00e9m s\u00e3o mais livres de defensivos agr\u00edcolas\u201d, detalha Simonetti.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante lembrar dos outros polos citr\u00edcolas que o estado de Minas possui, como o polo produtor de lim\u00e3o no Norte de Minas e o de produ\u00e7\u00e3o de laranjas para ind\u00fastria de sucos no Tri\u00e2ngulo Mineiro. Isso prova que a diversidade ambiental e as varia\u00e7\u00f5es de topografia e relevo de Minas Gerais s\u00e3o muito prop\u00edcias para a citricultura e t\u00eam gerado bons frutos, literalmente\u201d, conclui Ester Ferreira.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Ag\u00eancia Minas <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minas Gerais \u00e9 o segundo maior estado produtor de frutas c\u00edtricas do Brasil e tem apresentado um crescimento exponencial nos \u00faltimos anos. 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