{"id":213691,"date":"2023-05-12T11:39:53","date_gmt":"2023-05-12T14:39:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=213691"},"modified":"2023-05-12T11:39:53","modified_gmt":"2023-05-12T14:39:53","slug":"producao-sustentavel-de-alimentos-depende-da-reforma-agraria-diz-mst","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=213691","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de alimentos depende da reforma agr\u00e1ria, diz MST"},"content":{"rendered":"<p>Uma produ\u00e7\u00e3o diversa de alimentos org\u00e2nicos e agroecol\u00f3gicos, resultado de um manejo sustent\u00e1vel tanto para os agricultores como para o meio ambiente, tem in\u00edcio na luta pela ocupa\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p>A 4\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)\u2019, realizada no Parque da \u00c1gua Branca, na capital paulista, de hoje (11) at\u00e9 domingo (14), tem mais de quinhentas toneladas de alimentos, com 1.500 itens de produtos comercializados por mais de 1.200 feirantes. Desse montante, 25 toneladas ser\u00e3o doadas em uma a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para Ceres Hadich, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MST, \u201ca feira traz muito essa intencionalidade de demonstrar a totalidade da reforma agr\u00e1ria e de como a gente chega at\u00e9 esse alimento saud\u00e1vel produzido. O in\u00edcio dessa luta se d\u00e1 na ocupa\u00e7\u00e3o de terra, \u00e9 esse o v\u00ednculo que a gente tamb\u00e9m quer trazer para dentro da feira. Para esse alimento poder chegar aqui, poder massificar e efetivamente fazer com que se cumpra a fun\u00e7\u00e3o social, a gente precisa olhar l\u00e1 para tr\u00e1s para ver de onde saiu essa primeira luta, e a luta se d\u00e1 na luta pela terra, na luta pela ocupa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Acrescenta que, dentro da proposta da reforma agr\u00e1ria popular, o objetivo \u00e9 demonstrar que \u00e9 poss\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o do alimento sem agrot\u00f3xico, de forma agroecol\u00f3gica, com rela\u00e7\u00f5es justas de trabalho entre os produtores e a natureza. No entanto, ressalta a necessidade que se tenha pol\u00edticas p\u00fablicas e a inten\u00e7\u00e3o de se produzir cooperadamente para que o alimento chegue de maneira vi\u00e1vel, a pre\u00e7o justo, para todas as pessoas.<\/p>\n<p>Ceres considera que o MST \u00e9 filho de um processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil, ocorrido h\u00e1 quatro d\u00e9cadas. \u201cA gente foi se fortalecendo e foi descobrindo com esse nosso Brasil recente como fazer a luta democr\u00e1tica, que \u00e9 a luta pela reforma agr\u00e1ria, uma luta constitucional, uma luta leg\u00edtima, ainda que a quest\u00e3o agr\u00e1ria j\u00e1 tenha mais de cinco s\u00e9culos na nossa hist\u00f3ria, como uma grande d\u00edvida que n\u00f3s temos com o povo brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>A seguir, ressalta a import\u00e2ncia da realiza\u00e7\u00e3o da feira no contexto pol\u00edtico recente, em que se pode voltar a dialogar, debater e problematizar as quest\u00f5es do movimento.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, a gente sofreu com aus\u00eancia dela [democracia]. Os \u00faltimos anos, para n\u00f3s da classe trabalhadora, n\u00e3o s\u00f3 o povo sem-terra, n\u00e3o s\u00f3 os camponeses que estavam no campo sofrendo com aus\u00eancia das pol\u00edticas p\u00fablicas, das pol\u00edticas de estado, sofrendo com aus\u00eancia do estado, com a nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, das possibilidades de a gente construir um Brasil s\u00e9rio e com dignidade, a gente vivenciou anos muito escuros para nossa sociedade, para o nosso povo, de muita desesperan\u00e7a e falta de horizonte\u201d, explica.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/3h6JCzfP1F0ROOAybVK3nFn6MSw=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/img_5047_0.jpg?itok=YLpXMqsp\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 11\/05\/2023 - 4\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, no parque da \u00c1gua Branca. Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Mais de quinhentas toneladas de alimentos integram a 4\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria do MST \u00a0\u00a0<strong>Foto<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Diversidade<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m da coordena\u00e7\u00e3o nacional, Gilmar Mauro afirma que se buscou mostrar a diversidade que comp\u00f5e o movimento sem-terra, trazendo diferentes culturas do pa\u00eds para a feira, seja em termos de alimentos ou de a\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Ele ressalta que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel essa produ\u00e7\u00e3o e esse conjunto de assentamentos no pa\u00eds porque foram feitas ocupa\u00e7\u00f5es de terra no passado, que se transformaram em assentamentos.<\/p>\n<p>E prossegue: \u201ca reforma agr\u00e1ria est\u00e1 dentro da Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, a nossa luta n\u00e3o \u00e9 mais nem menos do que o cumprimento da Constitui\u00e7\u00e3o, que estabelece que toda a terra que n\u00e3o cumpre com a fun\u00e7\u00e3o social deveria ser desapropriada para fins de reforma agr\u00e1ria. E, para cumprir a fun\u00e7\u00e3o social, ela precisa produzir racionalmente, respeitar a legisla\u00e7\u00e3o ambiental e respeitar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. E n\u00f3s sabemos que tem trabalho escravo, queimada, destrui\u00e7\u00e3o ambiental, tem d\u00edvidas imensas com o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]. O governo federal poderia arrecadar essas terras para fins de reforma agr\u00e1ria\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ele avalia ainda que a reforma agr\u00e1ria \u00e9 uma das alternativas para o combate \u00e0 fome e mis\u00e9ria no pa\u00eds, para al\u00e9m de doa\u00e7\u00f5es. \u201cA doa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, claro que \u00e9 importante, mas ela n\u00e3o resolve o problema estrutural da fome. \u00c9 preciso pol\u00edtica p\u00fablica e a reforma agr\u00e1ria pode vir a calhar com pol\u00edticas p\u00fablicas de financiamento da produ\u00e7\u00e3o dos assentamentos, da pequena agricultura, quilombolas, ind\u00edgenas e essa produ\u00e7\u00e3o [pode] ser trazida para os grandes centros.\u201d<\/p>\n<h2>Injusti\u00e7a agr\u00e1ria<\/h2>\n<p>Para Ceres Hadich, a injusti\u00e7a agr\u00e1ria gera outras injusti\u00e7as estruturais. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel a gente estar em pleno s\u00e9culo 21 no ber\u00e7o desse agro pujante que gera fome. Hoje, temos mais de 33 milh\u00f5es de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de fome e milh\u00f5es de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel a gente conviver com isso sabendo que a gente tem todas as condi\u00e7\u00f5es para buscar alternativas e para combater isso do ponto de vista estrutural.\u201d<\/p>\n<p>O agricultor Carlos Aparecido Ferrari, de 67 anos, participou do processo de cria\u00e7\u00e3o do MST e \u00e9 um dos representantes desse ciclo virtuoso de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel a partir da distribui\u00e7\u00e3o de terras, com respeito aos trabalhadores e ao meio ambiente, gerando renda e oferta de alimentos livres de agrot\u00f3xicos para os consumidores.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um encontro nacional para tratar dos conflitos de terras, ele conta que se percebeu que a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de terras estava presente no pa\u00eds inteiro e que a luta por esse direito j\u00e1 ocorria de diversas formas.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/9WSg_txmlxlJcqnezDGGc9aseEg=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/img_5528.jpg?itok=FI2G1ZuG\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 11\/05\/2023 - 4\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, no parque da \u00c1gua Branca. Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">A 4\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria do MST, em S\u00e3o Paulo, ser\u00e1 realizada at\u00e9 domingo\u00a0<strong>Foto<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA gente tomou a decis\u00e3o, n\u00f3s precis\u00e1vamos construir uma ferramenta para unificar a luta do sul ao norte em uma mesma linha pol\u00edtica e uma mesma forma de fazer a luta pela terra\u201d, diz. Criou-se uma comiss\u00e3o para pensar o movimento, foi realizado o primeiro encontro nacional e, a partir da\u00ed, nasceu o MST em 1984.<\/p>\n<p>\u201cEssa linha que a gente adotou de fazer a ocupa\u00e7\u00e3o, de fazer o enfrentamento ao latif\u00fandio, foi que levou a gente a conquistar milh\u00f5es de hectares de terra nesse pa\u00eds todo. E, com isso, veio a discutir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para acabar com a fome. Avan\u00e7ou n\u00e3o s\u00f3 na produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na agroindustrializa\u00e7\u00e3o, como por exemplo, o arroz no Rio Grande do Sul j\u00e1 industrializado, o mel j\u00e1 industrializado que vem dos assentamentos, [ele] teve um avan\u00e7o muito grande do ponto de vista da produ\u00e7\u00e3o, da industrializa\u00e7\u00e3o e da comercializa\u00e7\u00e3o\u201d, analisa Carlos Aparecido.<\/p>\n<h2>Concentra\u00e7\u00e3o de terras<\/h2>\n<p>As ocupa\u00e7\u00f5es e os acampamentos foram as formas de se denunciar a concentra\u00e7\u00e3o de terras na m\u00e3o de poucos e os latif\u00fandios improdutivos, e s\u00e3o estrat\u00e9gias de luta pela distribui\u00e7\u00e3o de terra.<\/p>\n<p>\u201cEm alguns casos, conquistando algumas \u00e1reas que nem foram ocupadas. Mas a ocupa\u00e7\u00e3o provoca a den\u00fancia do latif\u00fandio improdutivo e, de repente, o Incra [Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria] come\u00e7ou a fazer vistoria mesmo sem ser ocupada, n\u00e3o dava um \u00edndice de produ\u00e7\u00e3o [adequada] e com isso [aquela \u00e1rea] entrou na lista das desapropria\u00e7\u00f5es, j\u00e1 houve muitos assentamentos assim\u201d acrescenta.<\/p>\n<p>Ainda segundo Carlos Aparecido, o movimento acabou assumindo o papel de denunciar outras injusti\u00e7as que ocorrem no campo, al\u00e9m do ac\u00famulo da terra, como \u00a0assassinatos e massacres, al\u00e9m da ocorr\u00eancia de trabalho escravo.Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de erva-mate e de milho no Assentamento Tamakavi, em Mato Grosso do Sul, ele distribui gratuitamente e faz trocas de sementes crioulas de milho asteca palha roxa, de feij\u00e3o e de arroz. Segundo ele, essa variedade de milho est\u00e1 quase em extin\u00e7\u00e3o e \u00e9 importante que as sementes sejam compartilhadas.<\/p>\n<p>\u201cContinuar a resist\u00eancia para produzir semente crioula, semente limpa, sem transg\u00eanico, sem veneno. Se a gente n\u00e3o fizer a distribui\u00e7\u00e3o para os amigos e trabalhar para ver se algu\u00e9m compra a ideia tamb\u00e9m de uma produ\u00e7\u00e3o &#8216;limpa&#8217;, vai acabar,\u201d finaliza.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma produ\u00e7\u00e3o diversa de alimentos org\u00e2nicos e agroecol\u00f3gicos, resultado de um manejo sustent\u00e1vel tanto para os agricultores como para o meio ambiente, tem in\u00edcio na luta pela ocupa\u00e7\u00e3o da terra. A 4\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)\u2019, realizada no Parque da \u00c1gua Branca, na capital paulista, de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":246,"featured_media":213692,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[436,261,439],"tags":[],"class_list":["post-213691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-da-semana","category-economia","category-ultima-hora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/213691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/246"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=213691"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/213691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":213693,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/213691\/revisions\/213693"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/213692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=213691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=213691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=213691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}