{"id":206283,"date":"2022-11-07T20:00:32","date_gmt":"2022-11-07T23:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=206283"},"modified":"2022-11-07T20:00:32","modified_gmt":"2022-11-07T23:00:32","slug":"inadimplencia-atinge-maior-taxa-anual-desde-2016-informa-cnc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=206283","title":{"rendered":"Inadimpl\u00eancia atinge maior taxa anual desde 2016, informa CNC"},"content":{"rendered":"<p>O volume de fam\u00edlias com contas atrasadas no pa\u00eds subiu em outubro e atingiu a maior taxa anual em seis anos, revelou hoje (7) a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC). Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic), divulgada nesta segunda-feira pela CNC, a propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias inadimplentes ficou em 30,3% em no m\u00eas passado, alta de 0,3 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a setembro, e de 4,6 pontos em rela\u00e7\u00e3o a outubro do ano passado.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1492663&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1492663&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o de 4,6 pontos em 12 meses foi o maior registrado na compara\u00e7\u00e3o anual desde mar\u00e7o de 2016, informou a CNC. O indicador subiu pelo quarto m\u00eas consecutivo.<\/p>\n<p>O aumento na inadimpl\u00eancia ocorreu mesmo com a relativa estabilidade na propor\u00e7\u00e3o de endividados. Em outubro, o percentual das fam\u00edlias com d\u00edvidas a vencer chegou a 79,2%. O indicador caiu 0,1 ponto na compara\u00e7\u00e3o com setembro, mas subiu 4,6 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a outubro de 2021.<\/p>\n<p>De acordo com a CNC, o aumento da inadimpl\u00eancia pode ser explicado pela combina\u00e7\u00e3o de grande n\u00edvel de endividamento e juros altos. Na avalia\u00e7\u00e3o da entidade, esse cen\u00e1rio dificulta a quita\u00e7\u00e3o de todos os compromissos financeiros dentro do m\u00eas, mesmo com a melhora progressiva no mercado de trabalho, a queda da infla\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda reduzindo a propor\u00e7\u00e3o de endividados.<\/p>\n<h2>Estados e renda<\/h2>\n<p>Na divis\u00e3o por estados, a inadimpl\u00eancia cresceu em 12 das 27 unidades da Federa\u00e7\u00e3o, com destaque para a Bahia, onde 43,7% das fam\u00edlias relataram estar com as contas atrasadas. Em rela\u00e7\u00e3o ao endividamento, a propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias com d\u00e9bitos a vencer subiu em 17 unidades da Federa\u00e7\u00e3o. A maior alta foi no Paran\u00e1, onde 95,8% das fam\u00edlias afirmaram estar endividadas.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o por renda, a taxa de endividamento aumentou nos \u00faltimos 12 meses tanto entre as fam\u00edlias de baixa e m\u00e9dia renda (que ganham at\u00e9 dez sal\u00e1rios m\u00ednimos) quanto entre as de maior renda (que recebem mais que dez sal\u00e1rios m\u00ednimos). Segundo a CNC, as d\u00edvidas no cart\u00e3o de cr\u00e9dito e no cheque especial, que cobram os juros mais altos, est\u00e3o pressionando o aumento na propor\u00e7\u00e3o de endividados.<\/p>\n<h2>Desacelera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com outubro de 2021, o n\u00famero de fam\u00edlias com d\u00edvidas a vencer subiu 4,6 pontos percentuais, menor taxa anual desde julho de 2021, disse \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0a economista da CNC Izis Ferreira. Segundo Izis, nessa base de compara\u00e7\u00e3o, o aumento tem sido cada vez menor. A economista destacou que hoje ainda existe uma propor\u00e7\u00e3o de endividados mais alta do que havia em outubro de 2021, mas disse que a taxa anual vem desacelerando, ficando \u201ccada vez menos expressiva\u201d.<\/p>\n<p>Izis Ferreira ressaltou que, atualmente, as pessoas circulam mais pelas ruas e podem consumir produtos e servi\u00e7os sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o. O contexto econ\u00f4mico mostra que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 dando uma tr\u00e9gua, temporariamente e ainda em n\u00edvel elevado, mas tem aliviado um pouco a renda dispon\u00edvel. \u201cIsso se refletiu na propor\u00e7\u00e3o de endividamento, embora o n\u00edvel de endividamento ainda seja muito alto.\u201d<\/p>\n<p>A economista ressaltou que, em 2021, a propor\u00e7\u00e3o de endividados cresceu mais entre fam\u00edlias de maior renda (5,8 pontos percentuais) que entre as de menor renda (4,3 pontos percentuais ). De setembro para outubro deste ano, a redu\u00e7\u00e3o foi mais significativa entre os consumidores de renda elevada (-0,5 pontos percentuais). \u201cTemos 80,2% de fam\u00edlias de baixa e m\u00e9dia renda endividadas hoje e 75,4% de fam\u00edlias de renda alta endividadas. Na compara\u00e7\u00e3o com outubro do ano passado, o endividamento foi maior para o grupo de alta renda, que retomou o consumo de servi\u00e7os em um ambiente em que estes est\u00e3o mais caros. Estamos falando de passagens a\u00e9reas, viagens, sal\u00e3o de beleza, alimenta\u00e7\u00e3o fora do domic\u00edlio. Tudo isso cresceu muito de pre\u00e7o no \u00faltimo ano.\u201d<\/p>\n<p>Passagens a\u00e9reas pesam muito no item de viagens para fam\u00edlias de renda elevada, que as compram com cart\u00e3o de cr\u00e9dito, disse a economista. A retomada de servi\u00e7os por esse grupo, em um ambiente em que h\u00e1 infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os alta, levou-o a um aumento mais expressivo na propor\u00e7\u00e3o de endividados. Mas o grupo de menor renda ainda tem fam\u00edlias mais numerosas quando se olha o total de endividados no Brasil, destacou.<\/p>\n<h2>Juros altos<\/h2>\n<p>Os or\u00e7amentos dom\u00e9sticos continuam apertados, principalmente entre as fam\u00edlias de menor renda, apesar da retomada progressiva do f\u00f4lego na economia, disse o presidente da CNC, Jos\u00e9 Roberto Tadros. \u201cO n\u00edvel de endividamento alto e os juros elevados pioram as despesas financeiras associadas \u00e0s d\u00edvidas em andamento, ficando mais dif\u00edcil quitar todos os compromissos financeiros dentro do m\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o Banco Central, os juros anuais em todas as linhas de cr\u00e9dito para as pessoas f\u00edsicas atingiram 53,7% em m\u00e9dia, em setembro, com evolu\u00e7\u00e3o de 12,5 pontos percentuais. Izis Ferreira afirmou, contudo, que a propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias com d\u00edvidas atrasadas por mais de 90 dias vem se reduzindo desde abril. Em outubro, esse indicador alcan\u00e7ou 41,9% dos inadimplentes, menor propor\u00e7\u00e3o desde dezembro de 2021.<\/p>\n<p>Segundo Izis, os consumidores t\u00eam buscado renegociar as d\u00edvidas atrasadas. A porcentagem de fam\u00edlias que afirmaram n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de pagar as contas caiu 1 ponto percentual de setembro para outubro, representando 10,6% do total de fam\u00edlias.<\/p>\n<h2>Principais d\u00edvidas<\/h2>\n<p>O cart\u00e3o de cr\u00e9dito mant\u00e9m-se, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, como principal tipo de d\u00edvida das fam\u00edlias brasileiras, indica a Peic. Aumentou de 84,9%, em outubro do ano passado, para 86,2% em igual m\u00eas deste ano. Do mesmo modo, houve expans\u00e3o no cheque especial, de 4,9% para 5,1%, na mesma base de compara\u00e7\u00e3o.&#8221; S\u00e3o duas modalidades de f\u00e1cil acesso, al\u00e9m de serem meios de pagamento muito difundidos. E, muitas vezes, as fam\u00edlias consideram o limite aprovado como renda dispon\u00edvel, assim como o cheque especial. O que aconteceu, ao longo do ano, \u00e9 que as duas modalidades foram suportando o consumo, especialmente de g\u00eaneros de primeira necessidade, para consumo imediato, e o or\u00e7amento n\u00e3o deu. A\u00ed, como a fam\u00edlia n\u00e3o tem reserva de emerg\u00eancia, usou o cheque especial e o cart\u00e3o de cr\u00e9dito.\u201d<\/p>\n<p>Izis salientou que, nesse caso, al\u00e9m da quest\u00e3o conjuntural, h\u00e1 o fator comportamental. Al\u00e9m de ser muito f\u00e1cil de usar e muito divulgado, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito enfrenta promessas de benef\u00edcios e incentivos de muitas lojas. Isso, de certa forma, incentiva as pessoas a usar mais o cart\u00e3o de cr\u00e9dito. \u201cPor isso, chegamos a 86,2% de endividados no cart\u00e3o. S\u00f3 que o cart\u00e3o \u00e9 uma faca de dois gumes. Ele \u00e9 muito f\u00e1cil, mas \u00e9 muito caro.\u201d<\/p>\n<p>A taxa de juros m\u00e9dia do rotativo do cart\u00e3o alcan\u00e7a em torno de 380% ao ano, embora existam institui\u00e7\u00f5es que pratiquem juros bem maiores que a m\u00e9dia. \u201cA\u00ed, a pessoa, quando n\u00e3o consegue pagar toda a fatura, fica sujeita a essa taxa de juros que \u00e9 a maior do mercado de cr\u00e9dito. A taxa do cheque especial \u00e9 a segunda maior. Ent\u00e3o, o que a gente v\u00ea s\u00e3o as modalidades que custam mais caro apresentarem crescimento quando se olha o resultado de outubro em rela\u00e7\u00e3o a outubro do ano passado.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 o cr\u00e9dito consignado, um dos tipos de cr\u00e9dito com juros mais baixos (cerca de 25% ao ano, segundo dados do Banco Central, perdeu espa\u00e7o no endividamento dos brasileiros: 5% do total de consumidores endividados tem d\u00edvidas consignadas atualmente, ante 7% em outubro de 2021.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O volume de fam\u00edlias com contas atrasadas no pa\u00eds subiu em outubro e atingiu a maior taxa anual em seis anos, revelou hoje (7) a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC). 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