{"id":205224,"date":"2022-10-07T00:43:07","date_gmt":"2022-10-07T03:43:07","guid":{"rendered":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=205224"},"modified":"2022-10-07T00:43:07","modified_gmt":"2022-10-07T03:43:07","slug":"licoes-de-humanidade-de-agostinho-parte-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarioregionaldigital.com.br\/?p=205224","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es de humanidade de Agostinho &#8211; Parte Final"},"content":{"rendered":"<p>Poder\u00edamos seguir divagando sobre as li\u00e7\u00f5es de Agostinho em uma sequ\u00eancia intermin\u00e1vel de artigos. Isso por causa da extens\u00e3o e profundidade de sua magn\u00edfica obra. No lugar disso, corremos para a conclus\u00e3o da s\u00e9rie neste quinto texto, deixando, pelo menos, cinco indica\u00e7\u00f5es de leituras para os interessados em continuar enveredando pelos caminhos do pensamento deste fil\u00f3sofo brilhante.<\/p>\n<p>Poderia indicar outras, mas ficamos nestas cinco: \u201cDo livre-arb\u00edtrio\u201d, \u201cConfiss\u00f5es\u201d, \u201cCidade de Deus\u201d, \u201cSobre a Potencialidade da Alma\u201d e \u201cSobre a Felicidade\u201d.<\/p>\n<p>Para terminar a s\u00e9rie, falaremos brevemente da vis\u00e3o de Agostinho sobre o tempo.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo come\u00e7a a tratar do assunto com uma frase ao mesmo tempo inquietante e provocativa. Ele diz mais ou menos o seguinte: \u201cquando n\u00e3o me perguntam o que \u00e9 o tempo, sinto que sei o que seja, por\u00e9m, se me perguntam, n\u00e3o encontro maneira de explic\u00e1-lo\u201d. Ou seja, imaginamos que sabemos o que seja o tempo, por\u00e9m, na verdade, n\u00e3o temos ideia do que seja.<\/p>\n<p>Na busca por desvendar esse enigm\u00e1tico mist\u00e9rio, Agostinho desenvolve um racioc\u00ednio que come\u00e7a com uma pergunta: existem de fato o passado, o presente e o futuro?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, na sequ\u00eancia do racioc\u00ednio, constata: o passado n\u00e3o existe objetivamente, ele \u00e9, na verdade, a mem\u00f3ria de um presente que n\u00e3o existe mais. E o futuro existe objetivamente? Tamb\u00e9m n\u00e3o! O futuro \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o de um presente que ainda n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Passado e futuro consistem em \u201cn\u00e3o ser\u201d. Tanto passado quanto futuro n\u00e3o existem, exceto como mem\u00f3ria: o primeiro \u00e9 a recorda\u00e7\u00e3o no presente do que j\u00e1 se passou e, considerando o que j\u00e1 ocorreu, o segundo \u00e9 a especula\u00e7\u00e3o que fazemos no presente sobre o que pode vir a acontecer.<\/p>\n<p>Mesmo o presente \u00e9 um treco estranho porque quando pensamos nele, j\u00e1 se tornou passado e, portanto, j\u00e1 deixou de existir, tamb\u00e9m tornando-se, portanto, \u201cn\u00e3o ser\u201d.<\/p>\n<p>Na verdade, s\u00f3 existe o aqui e agora, o resto n\u00e3o est\u00e1 acontecendo no mundo exterior, apenas na mente do homem, no intelecto do ser humano que pensa no presente sobre o passado e o futuro.<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos com Agostinho que o tempo n\u00e3o \u00e9 objetivo (como tendemos a pensar) mas sim subjetivo, pois depende inteiramente do homem. Enquanto o ser humano pensa no tempo, a pedra existe em um eterno presente.<\/p>\n<p>Em suma: o passado \u00e9 a mem\u00f3ria do que j\u00e1 passou, e o nome disso \u00e9 recorda\u00e7\u00e3o; enquanto o futuro \u00e9 a mem\u00f3ria do que ainda n\u00e3o aconteceu, e o nome disso \u00e9 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Se o tempo se restringe ao presente, apenas ele importa. Independente de reflex\u00e3o filos\u00f3fica, sabemos que \u00e9 bem verdade que s\u00f3 podemos determinar a nossa vida no presente, em cada situa\u00e7\u00e3o concreta vivenciada aqui e agora. O passado n\u00e3o pode ser revisitado para ser corrigido, o futuro n\u00e3o pode ser previsto em sua diversidade de nuances. Ent\u00e3o pensamos: por que deixar o passado atormentar? Por que ficar ansioso com o futuro? Isso n\u00e3o faz nenhum sentido.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que as Escrituras instruem a fazer o seguinte com rela\u00e7\u00e3o ao passado: &#8220;Esque\u00e7am o que se foi; n\u00e3o vivam no passado\u201d (Isa\u00edas 43: 18). Pois: &#8220;Ningu\u00e9m que p\u00f5e a m\u00e3o no arado e olha para tr\u00e1s \u00e9 apto para o Reino de Deus&#8221; (Lucas 9: 62).<\/p>\n<p>E sobre o futuro nos ensinam: \u201cEu sei, Senhor, que a vida do homem n\u00e3o lhe pertence; n\u00e3o compete ao homem dirigir os seus passos (Jeremias 10: 23). Sendo assim: \u201cn\u00e3o se preocupem com o amanh\u00e3, pois o amanh\u00e3 se preocupar\u00e1 consigo mesmo. Basta a cada dia o seu pr\u00f3prio mal&#8221; (Mateus 6: 34).<\/p>\n<p>O presente \u00e9 o tempo que importa objetivamente. Apenas vivenciando-o encontramos alguns rudimentos de controle sobre a nossa vida, certa oportunidade de decidir, a possibilidade de fazer direito e uma chance \u00fanica para nos corrigir e acertar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poder\u00edamos seguir divagando sobre as li\u00e7\u00f5es de Agostinho em uma sequ\u00eancia intermin\u00e1vel de artigos. Isso por causa da extens\u00e3o e profundidade de sua magn\u00edfica obra. 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